Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

“As balas não são para eles. São para nós”, por Durval Siqueira

Diretor de Direitos Humanos da UNE reflete sobre a ameaça a democracia e o Golpe de Estado em curso 

“Temos observado um silêncio muito parecido com a estupidez.” Proclamação insurrecional da Junta Tuitiva na cidade de La Paz, em 16 de julho de 1809.

Temos observado um silêncio muito parecido com a estupidez. Mais cedo ou mais tarde iremos pagar pela nossa incapacidade de entender o momento político que vivemos e reagir a ele. Mas, que momento o Brasil vive? É razoável reconhecer que existe um rearranjo econômico para que o País volte ao modelo neoliberal mais puro. Esse “movimento” é perceptível para todos, mas como ele atinge seus objetivos é que gera incompreensões na maioria da sociedade e de suas organizações.

É possível implantar um projeto que destrói as condições de vida do povo, com o apoio da população? Não, não é possível. A população não concorda, a grande maioria não é a favor desse projeto econômico e por isso vivemos crise de reação e de destino. Por isso, para realizar o neoliberalismo no Brasil é necessário iniciar uma campanha de “cerco e aniquilamento” das pessoas e das organizações que são contrarias a ele.

Marcio Matos e Marielle Franco foram emboscados(as) e assassinados(as) esse ano, por que eram essencialmente militantes e dirigentes de movimentos contrários a esse cerco. Combatiam em seus partidos e movimentos, as raízes e os efeitos colaterais de um sistema que é sinônimo de miséria, de aprofundamento das desigualdades sociais e de enriquecimento de uma pequena casta privilegiada que as custas da exploração do restante da população, se faz rica e detentora do poder político. Marcio Matos, popular “Marcinho” foi dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra(MST-BA) e Marielle Franco foi vereadora e dirigente do PSOL(RJ), ambos defensores de mudanças progressistas na sociedade brasileira, ambos militantes que desenharam sua vida em torno da luta social e da luta política, ambos mortos esse ano. Juntando esses fatos com as balas, as pedras e os ovos atirados, no último dia 27 no Sul do País, contra a caravana de “Lula pelo Brasil” só reafirma a campanha em curso.

Como é possível aplicar um modelo econômico que não será aprovado pelas urnas? Dando um Golpe de Estado. Como eliminar as barreiras a um intervenção militar? Matando suas opositoras(es). Como impedir que uma grande massa de trabalhadores rurais modifiquem com seus próprios braços o modelo agrário brasileiro? Matando seus militantes e dirigentes. Como barrar o crescimento de um candidato que vence a candidatura golpista? É melhor prendê-lo? Inviabiliza-lo? Tentar Assusta-lo? Ou Mata-lo? Isso os dirigentes da campanha de cerco ainda não sabem, por que esse problema não será facilmente resolvido. Lula traduz o sentido emotivo ou a esperança de um novo momento na vida nacional, a expectativa de um governo de enfrentamento e o “freio de mão” no marchar da estratégia golpista. Essa compreensão as forças democráticas e populares precisam assumir, independente das discussões sobre outras candidaturas. Lula é um grande “Boing” estacionado na pista de pouso e decolagem da conjuntura nacional.

É essencial que todas as pessoas que possuam o mínimo de senso, entendam que a destruição das “esquerdas” é apenas o início, pois logo depois delas serão nossos direitos, nossas liberdades de opinião e reunião, o nosso direito de fazer política e associa-nos quando concordamos… Também é essencial que nós entendamos que estamos do lado de cá. Ao caçar e aniquilar todas essas garantias, logo mais moralmente, politicamente ou fisicamente estaremos sendo também caçados e aniquilados. Enquanto cidadãos comuns que possuem o mínimo de direitos. Por isso as balas contra Marielle, Marcinho e a caravana de Lula, não foram contra eles, foram contra o povo brasileiro e as suas conquistas democráticas. Logo mais essas balas chegarão em todos nós. Se não enfrentarmos corretamente o cerco.

Precisamos furar esse cerco. E a ampla unidade das forças democráticas e populares do Brasil é pressuposto número 1. Precisamos esvaziar o fascismo enquanto ideologia dessa estratégia, e a tarefa central é irmos nas portas das casas do povo brasileiro, indo no seio do povo, discutir um projeto de Pais, ou seja, elevar o nível de consciência da massa brasileira, e a partir disso tornar essa grande discussão em força social, em força de multidões que altere o momento que estamos enfiados.

Aqui já falo aos militantes. Como combater um cerco e aniquilamento que é essencialmente Antinacional, Antidemocrático e Anti-Povo? A única resposta possível é ir na forma de agentes multiplicadores de um novo destino e em conjunto com os sujeitos diretamente interessados tomar o leme do Brasil e muda-lo de rota. Ou investimos, no trabalho de base e na batalha das ideias ou nos rendemos por completo. Por isso a Frente Brasil Popular e a UNE tem apontado a construção do Congresso do Povo e da UNE Volante, enquanto uma grande jornada de trabalho de base, que não pode se tornar em um evento, mas em um processo.

Por isso bradamos, Todo Poder ao Congresso do Povo! Eleições sem Lula é Fraude!

*Durval Siqueira é diretor de Direitos Humanos da UNE e estudante da Universidade Estácio de Sá. 

 

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo