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”A UNE cada vez maior e mais diversa”, por Moara Correa

O último ano foi desafiador para o movimento social brasileiro e a União Nacional dos Estudantes, uma entidade que combina tradição e juventude tem encarado o desafio de se reinventar a cada dia. Fomos eleitos em junho de 2015 em um cenário muito diferente do que a maioria de nós construiu a sua militância.

Somos a geração dos anos 2010 que com lutas e conquistas, intensificou as reivindicações no âmbito educacional e conquistou o marco histórico da destinação de 50% do Fundo Social do pré-sal e 75% dos royalties do petróleo para a educação. As vitórias para os que sempre foram excluídos se concretizam com mais jovens da classe trabalhadora e negros/as na universidade, ela se pinta de povo inaugurando um novo ciclo, como as recém conquistadas cotas para a pós-graduação.

Os jovens se aprofundavam sobre os debates de direito à cidade, autonomia dos corpos, ocupação dos espaços públicos, desmilitarização da polícia, cultura, sem abandonar em momento algum a luta em defesa da educação e dos direitos conquistados. Se as gestões anteriores lutavam por mais direitos, nós iniciamos nossa trajetória na entidade ocupando o Ministério da Fazenda contra os cortes na educação: Fora Levy.

A gestão 2015-2017, é a que faz pela primeira vez uma sucessão entre mulheres, duas transsexuais na executiva, além de pela segunda vez na história e a primeira depois da redemocratização uma vice mulher negra, o que conecta a UNE com a luta do povo negro que agora acessa as universidades. A UNE está cada vez mais diversa. Se lutamos pela popularização da universidade, o movimento estudantil vanguarda e referência para os/as lutadores não fica de fora. Acumula na luta antirracista, anti LGBTfóbica e feminista atualizando pautas e encorajando mais corações e mentes.

Organizamos o maior encontro de jovens feministas do país, estamos rumo ao primeiro Encontro LGBT num espaço auto-organizado e ao maior Encontro de Negras, Negros e Cotistas da UNE . Jovens conhecem a UNE através desses espaços que permitem a pluralidade de ideias e conectam as lutas educacionais com outras dimensões da vida cotidiana dos e das estudantes.

Lutar contra o avanço conservador esteve no centro da política e da agenda de mobilização durante esse ano. Amanhecemos com a juventude negra contra a redução da maioridade penal e florescemos com as mulheres, na primavera feminista. Acertamos quando fomos uma das primeiras organizações a denunciar o golpe que estava em curso no país. E porque a luta contra o golpe se torna tão central para a UNE?

A democracia sempre nos foi muito cara. Quando a ditadura militar se inicia no Brasil, a UNE se coloca como um polo de resistência. E qual foi a investida feita contra essa resistência? O primeiro ato da ditadura foi atacar, incendiar a sede da UNE, com os estudantes lá dentro. Vários militantes no movimento estudantil foram mortos ou torturados durante o nefasto regime. A luta pela democracia tem o sangue da juventude derramado e se confunde com a história da União Nacional dos e das estudantes.Além disso, sabemos que os avanços sociais só são possíveis na democracia, o golpe também é contra os avanços sociais conquistados na ultima década, é machista, racista e classista daqueles que não admitiram os avanços da classe trabalhadora.

A maior entidade estudantil da América sofre perseguições, aberta na Câmara a CPI por um pastor homofóbico e machista para tentar nos calar. A história não os perdoará, nunca abandonaremos a defesa dos princípios que nos nortearam – a defesa da democracia, da educação, da soberania nacional. Fomos derrotados institucionalmente, mas saímos vitoriosos nas ruas. A resistência a esse governo ilegítimo tem a irreverência e a ousadia da juventude.

Ocupações nas sedes do Ministério da Cultura com muita arte e coragem, na Saúde em defesa do SUS, em Universidades Federais Brasil afora, com mulheres protagonistas pelo fim da cultura do estupro, com a parada LGBT de 2016 ecoando em uma só voz “AMAR SEM TEMER”, intervenções nos grandes eventos culturais e esportivos, atos dos mais diversos formatos nas ruas.

Uma juventude rebelde que segue lutando contra os retrocessos e apresentando uma saída responsável. Com a gigantesca responsabilidade geracional, de quem não quer ser aqueles e aquelas que se acovardaram diante das investidas de conservadores. Somos fruto de muita coragem de quem nos antecedeu, Honestino Guimarães e Helenira Rezende vive em nós.

“Nas ruas
Nas praças
Quem disse que sumiu
Aqui está presente
O Movimento Estudantil”


* Moara Correa é vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes

As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade dos autores não refletindo, necessariamente, a opinião ou posição da União Nacional dos Estudantes.

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