Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

“A operação fez seu estrago e já se retraiu do picadeiro”, por Carina Vitral

Presidenta da UNE, Carina Vitral, afirma que “nossa carne não pode ser de vira-lata”, em artigo sobre a operação da Polícia Federal em sua coluna mensal no site Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim

A investigação da Polícia Federal que revelou a adulteração de carnes e produtos processados em um esquema dentro do mercado frigorífico faz lembrar que, apesar de muito bem escondida, a corrupção no setor privado é uma realidade. Fraudes e irregularidades em nome do lucro criminoso são práticas, infelizmente, presentes e mais toleradas do que aquelas que ocorrem no setor público.

No entanto, a forma com que os fatos vieram à tona, a espetacularização, a sede ao pote e os problemas de apuração da grande mídia sobre o caso deixaram uma dúvida acerca de quem seriam os maiores favorecidos em uma operação que já se apresenta com o nome sensacionalista de “Carne Fraca”. A informação de que a grande maioria da carne produzida no país estaria sob risco foi, em poucos dias, desmentida pelo fato de que as graves irregularidades foram fruto da investigação, na verdade, de apenas um caso, de uma empresa de Curitiba.

O resultado do alarde foi imediato. A valorização da indústria pecuária nacional, no mercado financeiro, regrediu. Diversos mercados internacionais decidiram pela suspensão da compra da carne brasileira. A economia brasileira sentiu o baque. O país é o maior exportador de carnes do mundo e alcançou esse posto após 20 anos, superando os padrões de exigência internacional. O mercado movimenta mais de R$150 bilhões por ano.

A operação envolveu mais de mil policiais em dois anos de investigação. É considerada a maior já realizada pela Polícia Federal, apesar das poucas provas concretas apresentadas. Foi deflagrada exatamente no aniversário da operação Lava Jato. Um dos próprios delegados responsáveis confessou que a escolha da data foi proposital, para lembrar os brasileiros da corrupção espalhada por todos os setores da sociedade.

A pompa publicitária da PF foi feita. Mas o que ficou pequeno, no final das contas, foi a denúncia de que o esquema poderia ter contribuído, também, para o financiamento ilegal de partidos políticos como o PMDB e o PP. Como não foi encontrada nenhuma relação das empresas de carne com o filho do ex-presidente Lula – insistentemente atingido pelo boato de ser dono da Friboi – nem com partidos do campo da esquerda, parece que a parte política da investigação interessou menos. Mais um exemplo da perigosa seletividade instalada junto à opinião pública pelos donos da informação.

A operação chegou com tudo, fez seu estrago, e já se retraiu do picadeiro. Porém, projeções indicam que o prejuízo do país após a “Carne Fraca” pode ser de 1,5 bilhões de dólares por ano, o que corresponde a R$4,7 bilhões de reais. O estado policial e o clima de denuncismo inconsequente realmente se naturalizaram para boa parte da sociedade. Assim como a ideia equivocada de que tudo no Brasil é ruim, é pior.

O que foi revelado pela Polícia Federal é, sem dúvida, muito grave, deve ser investigado e punido corretamente. Mas o mesmo tipo de escândalo já aconteceu, recentemente, em diversos países do mundo, incluindo aqueles com maior riqueza e destaque no cenário internacional. Nossa carne deve ser rigorosamente fiscalizada. Só não pode ser carne de vira-lata, com complexo de inferioridade e de rebaixamento do real tamanho do nosso país no mundo. Sabemos quem quer jogar o jogo desse jeito. Nós não queremos.

Saudações estudantis,

Carina Vitral, presidenta da UNE

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo