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Vozes feministas em defesa das trabalhadoras

01/05/2015 às 20:22, por Cristiane Tada, de Curitiba.

 

O 1º de maio dia internacional dos trabalhadores e trabalhadoras não foi dia de celebração em Curitiba, no Paraná. Sob as marcas do pesadelo de violência vivido por milhares de professores e estudantes na última quinta-feira (29) o 6º Encontro de Mulheres Estudantes da União Nacional dos Estudantes iniciou com um ato em solidariedade aos educadores.

Trabalhadores que foram agredidos covardemente pelos policiais militares ocuparam as mesmas ruas de ‘batalha’ do Centro Cívico, região da cidade onde ficam os prédios oficiais do governo, junto com a juventude, junto com os estudantes, junto com as mulheres, para dizer “fora Beto Richa”.

A concentração começou cedo na Praça Dezenove de Dezembro, no centro da capital, e reuniu estudantes de várias partes do país, milhares de professores, e toda uma população que quis mostrar sua indignação com as atrocidades cometidas em atos de guerra contra professores desarmados.

De preto os manifestantes vestiam luto e marcharam para Assembleia Legislativa do Estado do Paraná com cruzes que traziam fotos dos deputados estaduais que ajudaram a aprovar o projeto que vai mexer no dinheiro da previdência privada dos servidores do Estado.

Sem poder conter as lágrimas ao relembrar o cerco cruel armado pela tropa de choque da PM para emboscar os educadores na Praça Nossa Senhora da Salete, Nádia Brixner, funcionária de escola e diretora da APP Sindicato afirma que o ‘massacre’ foi um ato premeditado autorizado pela governador Beto Richa (PSDB) e o secretário de Segurança do Paraná, Fernando Francischini para machucar e ferir servidores públicos paranaenses “indicando que este governo quer criminalizar todo e qualquer movimento social, toda e qualquer organização de Sindicato de trabalhadores”.

“Hoje 1º de maio estamos todos e todas em luta, dia do trabalhador e das trabalhadoras. Nós estamos reunidos em uma caminhada para mostrar o quanto nós estamos indignados pelo massacre com os servidores, mas principalmente pelo massacre da democracia no Paraná. Nós estamos em luto por tudo isso, mas estamos em luta para revigorar o direito de voz da classe trabalhadora”, disse a diretora.

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AULA NA RUA

A integrante do Diretório Central dos Estudantes da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e participante do 6º EME, Edla Miranda, estava na marcha. “Nós temos as nossas causas e também estamos na luta como os professores, é importante se solidarizar”, afirmou.

A presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), Camila Lanes, denunciou que existem mais de dez estudantes gravemente feridos da repressão da PM e um deles chegou a perder 50% da audição devido a uma bomba.

A UPES junto com a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) vai processar os responsáveis. “Nós estamos juntos na luta até o dia que conseguirmos tirar aquele ‘playboy’ do Palácio Iguaçu. Por que as políticas que ele apresenta não representam nenhum setor da nossa sociedade”.

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VOZES FEMINISTAS

A representante da Marcha Mundial das Mulheres, Analú Faria, disse que as mulheres da UNE escolheram o Paraná para sediar o 6º encontro pelo território de luta dos trabalhadores e trabalhadoras, das mulheres, dos negros e negras, dos camponeses e camponesas, da juventude. “E é aqui que a UNE vem reafirmar suas vozes feministas para mudar o mundo. Um feminismo que luta também contra o capitalismo, contra o racismo, que afirma o direito da diversidade sexual. Estamos aqui unidos contra a política do Beto Richa”, ressaltou.

Já representante da União Brasileira das Mulheres (UBM), Maria das Neves, frisou que o próximo período exige de todo movimento social, sindical, estudantil, feminista, juventudes partidárias muita unidade e radicalidade. “É nas ruas que nós iremos afirmar nenhum direito a menos aos trabalhadores e trabalhadoras”, ressaltou.

E mandou um recado para o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). “A PL 4330, a terceirização que precariza o trabalho das jovens mulheres no nosso país, não passará. Nós queremos igualdade de salários entre homens e mulheres e somos contra todos os cortes de direitos dos trabalhadores”, afirmou.

REFORMA POLÍTICA PARA EMPODERAR MULHERES

Durante toda movimentação da marcha estudantes da UNE recolheram assinaturas pela Reforma Política do projeto de iniciativa popular da Coalizão pela Reforma Política e eleições Limpas.

A diretora de Mulheres da UNE, Lays Gonçalves, em sua fala saudou todas as estudantes de todo o Brasil, os diversos estados presentes para o 6º EME e disse que “ o nosso feminismo defende a democracia”. Ela falou de unidade e da composição de uma frente de esquerda em que homens e mulheres vão barrar retrocessos e avançar na nossa democracia.

“Nossa democracia recente tem muito a galgar e para que isso aconteça, nós temos que fazer uma reforma política no nosso país, que não somente dê voz as mulheres, negros e negras, a população LGBT, mas que pense a política de forma diferente, um novo sistema político. Nós estudantes fazemos voz conjunta aos trabalhadores e trabalhadoras aqui presentes na luta não só neste Estado, mas no nosso país”, afirmou.

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