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“Vejo essas jovens mulheres e tenho certeza que os fascistas não passarão”

31/03/2018 às 12:50, por Cristiane Tada.

Margarida Salomão é também ex-reitora da UFJF onde acontece o 8 EME
Katiana Tortorelli / Cuca da UNE

Direto do 8º EME da UNE deputada federal Margarida Salomão defendeu a transformação da universidade em um espaço feminista

A deputada federal Margarida Salomão (PT-MG) foi uma das convidadas da mesa de abertura do 8º EME na UNE na noite de sexta (30) no Cine Theatro Central em Juiz de Fora. Natural da cidade, a deputada é ex-reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e presidenta da Frente Parlamentar em defesa da universidade pública na Câmara dos Deputados. Em sua fala ela defendeu a transformação da  universidade em um espaço feminista.

“Este encontro com toda essa energia é importantíssimo porque estamos vivendo uma ofensiva fascista que se originou em golpe misógino e a cada momento encontra novos alvos de agressão aos direitos humanos, desrespeito aos direitos políticos e definitivamente os fascistas são machistas, racistas e homofóbicos e quando vejo todas essas jovens mulheres juntas eu tenho certeza que eles não passarão”, afirmou.

Nos bastidores em entrevista ao Site da UNE ela falou sobre a cota eleitoral de gênero e sobre a defesa da universidade pública. Confira:

A UNE vai fazer uma caravana para pautar a defesa da Universidade Pública e Gratuita. A senhora pode falar sobre as ações da Frente?

Nós estamos vivendo uma crise gravíssima que não é apenas uma crise orçamentária ou financeira. Isso nós enfrentamos em outros momentos. Nesse momento há uma ofensiva de natureza ideológica contra a universidade pública brasileira cuja representação mais expressiva é sem duvida o sistema federal. Então, o asfixiamento do sistema federal a par dessas ações de desrespeito à autonomia universitária que vão desde problemas criados com disciplinas, com a liberdade acadêmica. E em segundo lugar a demora na nomeação dos líderes eleitos pelas universidades, então essa quantidade de problemas tem que ser enfrentados de uma forma sistêmica. Eu acho que essa caravana da UNE ajuda a fazer uma grande mobilização nacional e nós no campo parlamentar vamos prosseguir em contato com o MEC, que também não é uma coisa simples, mas fazendo a defesa daquilo que nós consideramos que é um dos mais importantes recursos da nação brasileira, que é o sistema nacional de universidades públicas.

A deputada foi reitora da UFJF, as mulheres estudantes são maioria na universidade, mas ainda não alcançam cargos de direção. O que fazer para isso mudar?

É uma luta a ser travada e vencida. Ela vem sendo travada, eu imagino que com essa mudança social não só de gênero, de raça, de classe que hoje caracteriza a comunidade universitária brasileira na universidades federais nós vamos ter mais mudanças adiante. Temos que lutar para que ela se realize. Eu tenho a forte esperança de que essa mudança será em breve.

Qual o conselho você daria para as mulheres que passaram pela morte da Marielle com grande dor, para que elas não desistam da política?

A morte da Marielle é uma centelha, ela não é nenhuma razão para desistir. A vida da Marielle é um exemplo e não haveria nada mais frustrante e desairoso para com a sua memória que o medo interditasse a luta.

Pensando nas eleições, a cota eleitoral de gênero funciona? O que é preciso para ela funcionar de fato?

Não funciona. É preciso uma reforma política de verdade. Essa que foi feita foi uma reforma para deixar tudo como está. Então, nós precisamos de uma reforma de fato e ela não acontecerá a não ser através de uma Constituinte. Porque é de fato ter uma esperança quase que ingênua imaginar que representantes parlamentares eleitos por esse sistema vão mudá-lo colocando em risco suas eleições.

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