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”Vamos construir um espaço de resistência”, afirma diretor LGBT da UNE

08/06/2016 às 17:35, por Renata Bars.

Às vésperas do 2º Encontro LGBT da entidade, Augusto Oliveira fala sobre as perspectivas do evento

Está chegando a hora! Neste final de semana, 10 a 12 de junho, o 2º Encontro LGBT da UNE desembarca no Clube Tietê, em São Paulo, para celebrar e discutir saúde, política, religiosidade, conquista de direitos e muito mais.

O site da UNE aproveitou o momento e bateu um papo com o diretor LGBT da entidade. Augusto Oliveira é estudante de Ciências Exatas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e militante da causa LGBT desde o colégio.

Neste Encontro, ele acredita que o número de participantes será recorde, com debates profundos sobre a diversidade e contra a LGBTfobia.

”Vamos construir um espaço de resistência contra qualquer tipo de golpe, principalmente contra a LGBTfobia institucionalizada”, afirma.

Confira a entrevista na íntegra:

Qual é a importância do Encontro LGBT na atual conjuntura política do país?

O encontro LGBT da UNE acontece em um momento de bastante turbulência na política brasileira, o ataque à democracia, aos direitos e programas sociais é o que mais assusta a população que sabe o quão importante isso é na construção de um país mais justo socialmente e politicamente. Estamos recebendo um feroz de ataque aos direitos conquistados, que para nós, caso específico dos LGBTs, foi muito caro, os sangues de militantes e cidadãos LGBTs foram derramados de forma violenta e numa quantidade muito grande para que hoje pudéssemos ter uma mínima visibilidade. Ver um retrocesso que retira e descarta todos os frutos de nossas lutas e das lutas de outros que já passaram pelo movimento é algo chocante e inacreditável.Vamos construir um espaço de resistência contra qualquer tipo de golpe, mais preciso o golpe governamental, parlamentar e jurídico que vivemos hoje contra uma presidenta eleita por mais de 54 milhões de votos populares, e também contra qualquer LGBTfobia institucionalizada e naturalizada seja aonde ela estiver. Queremos atenção e respeito às nossas pautas e às nossas conquistas já efetuadas, queremos avançar, e não retroceder.

Quais são suas perspectivas para o Encontro deste ano?

O Encontro desse ano deve abarcar muitos militantes, de todo o Brasil, aumentando o número de encontristas além de proporcionar um espaço auto organizado, exclusivo para o debate LGBT, como já acontece com as Mulheres no caso do EME, e com as negras e negros no caso do ENUNE. Além de proporcionar um debruçar mais profundo nas análises pessoais e coletivas, nessa diversidade do tamanho do Brasil, para ouvirmos todos os estudantes LGBTs de nosso país, e poder assim construir uma base sólida e fundamentada sobre as políticas LGBTs que a UNE deverá colocar em pauta e executá-las seja de forma direta ou cobrando os órgãos responsáveis para o próximo período!

Fale um pouco mais sobre o tema escolhido, ”Construindo direitos e reafirmando identidades”.

O tema “CONSTRUINDO DIREITOS E REAFIRMANDO IDENTIDADES” nasce na seguinte proposta: o ”construindo direitos”, significa fomentar e atualizar as pautas de lutas dos estudantes universitários LGBTs do nosso Brasil, pois assim como todo movimento, é preciso se pensar uma reoxigenação das pautas. O ”reafirmando identidades”, vem pra podermos ter a noção da pluralidade que a comunidade LGBT possui. É democratizar a visibilidade e incentivar a valorização de todas e todos.

Como você vê hoje o desenvolvimento de uma legislação geral que proteja os LGBTs contra a homofobia? O que precisa melhorar?

A legislação atual é fraca, é esdrúxula, o atual congresso que presenciamos hoje é o mais conservador desde o golpe de 1964, então nossas pautas, mesmo que com muito empenho e gás, não passam adiante devido ao que podemos chamar de ”birra fundamentalista e conservadora”. Precisamos melhorar e muito, a LGBTfobia ainda não é criminalizada, o que nos deixa muito vulneráveis a qualquer tipo de mazela da sociedade. Referente a outras conquistas de legislação, são muito poucas para tudo que o movimento necessita e reivindica, tivemos avanços, na questão de nome social, união estável, entre outros poucos, mas queremos mais, e quando sai alguma portaria, regulamento ou decreto ainda temos o congresso perseguindo para derrubar. Precisamos melhorar a partir do congresso, dos nossos representantes, aí sim mudaremos a nossa legislação!

Quais os destaques da programação deste ano?

Esse ano teremos mais tempo de debate e construção coletiva, a programação tem um leque de painéis e debates, que nos ajuda a vasculhar todas as áreas de nossa sociedade ao partir das perspectivas do público LGBT, além disso iniciaremos o encontro no ato do ”Fora Temer” que já dá o tom de resistência ao encontro. Muita coisa boa está por vir e não podemos deixar de participar e construir esse encontro lindo que está para começar logo logo!

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