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Universidade para elas: casos da UFRN e UFC mostram que é preciso denunciar

14/03/2018 às 18:01, por Cristiane Tada .

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3 Waleska Maria lopes foi expulsa da sala de aula da UFRN porque estava acompanhada da filha de 5 anos
(Foto: Sergio Henrique Santos/Inter TV Cabugi)

Mulheres estudantes querem medidas legais contra professores por humilhação e misoginia

“A gente tem direito de lutar por um espaço que é nosso. A s mães estudantes elas existem, a gente existe. Então a universidade tem que ser pensada para incluir e não para excluir as pessoas”. Essa foi a fala convicta da estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Walesca Maria Lopes que conversou com o site da UNE esta semana depois da repercussão nacional de um triste episódio ocorrido no dia 06/03 dentro de uma universidade pública em pleno mês de Março em que se reivindica mais respeito aos direitos das mulheres.

Walesca foi humilhada e escorraçada da sala por estar com assistindo aula com a sua filha de cinco anos. Os áudios em o professor Alípio de Souza Filho vocifera e até mesmo ameaça uma mulher estudante e uma criança diante de toda a classe foram divulgados pelo Buzzfeed.

“Eu acredito que além de ter sido machismo, de ter sido uma forma dele de mostrar autoridade – não é o primeiro caso, eu não sou a primeira aluna que ele constrange em público, então essa é forma dele de mostrar que ele pode, que ele é uma pessoa influente – ele foi escroto e muito é misógino. Ele me humilhou o quanto ele pode, até quando eu nem estava mais na sala, ele continuou esbravejando e falando o que achava que deveria dizer”.

A UFRN instalou uma comissão de sindicância que vai decidir se cabe ou não um processo de administrativo contra o professor.

Na segunda-feira (12/3) Walesca foi a delegacia da Mulher e fez um BO para acrescentar no processo interno aberto pela UFRN e também para que ela possa abrir um processo por danos morais.

“Sei que existe muito corporativismo dentro da universidade. Eu tenho um pouco de receio porque isso impedir que as coisas andem”, confidenciou.

Na terça-feira (13/3) estudantes protestaram contra o professor Alípio quando ele participava de uma banca. O docente discutiu com estudantes e discutiu com outra professora do curso. Assista o vídeo:

“Ele não me tratou com humanidade”

Walesca assim como milhares de outras mães estudantes brasileiras, desempenha várias tarefas domésticas ao mesmo tempo em sua casa, e nos deu entrevista enquanto lavava louça e atendia volta e meia a filha que queria ver desenho.

Ela contou que vai abrir uma solicitação de ensino individualizado para receber aulas da mesma disciplina com outro professor. A estudante também pediu demissão do trabalho com carteira assinada para poder pleitear a bolsa creche da UFRN. “Depois de toda essa confusão e da repercussão para evitar mais problemas eu pedi demissão do meu trabalho, estou pagando o aviso prévio vou trabalhar mais um mês, e vou tentar tanto esse auxílio dentro da UF quanto uma bolsa de Extensão alguma coisa para que eu possa custear a minha vida e a dela”.

Sobre o dia do incidente ela afirma que ainda que não veja motivo da raiva do professor ele poderia ter conversado com ela se tivesse se sentido incomodado.

“Na universidade claro que existe uma hierarquia, que o professor tem os seus poderes dentro da faculdade, só que a gente é aluno, é ser humano, merecemos ser tratados pelo menos com humanidade que foi o que ele não fez comigo”, afirmou.

E continuou: “meus próprios colegas de curso dizem que não se importam e nem percebem que tem uma criança em sala de aula. A minha filha é uma criança muito tranquila, que se eu falar uma coisa para ela, ela entende e me respeita. Ela passa a aula todinha desenhando, fazendo as coisinhas delas e não perturba. Ela não tinha feito nada na aula para despertar essa raiva toda dele”, explica.

Contra a misoginia e o machismo na universidade

A UNE vai entrar com uma representação no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFRN. Apesar de não haver lei específica que autorize um estudante a levar um filho para a sala aula, o regimento da UFRN também não proíbe esta prática.

No entendimento da entidade a conduta do professor foi abusiva, violenta e enseja a indenização por dano moral da estudante, de acordo com a Constituição Federal e o Código Civil Brasileiro.

Além da aluna diretamente atingida, o discurso segregador do professor ofende a honra de todos os estudantes brasileiros, uma vez que essa situação atinge milhares de mulheres estudantes de Norte a Sul do país e excluir essas mulheres da sala de aula só corrobora com uma visão excludente e elitista do ensino publico.

“Eu quero que as outras mães estudantes, não só as outras mães, mas outras mulheres pobres, alunas que a gente sabe que tem mais dificuldade de se manter na universidade e que passam por esse tipo de humilhação e qualquer segregação dentro da universidade que elas coloquem a boca no trombone mesmo, temos que falar, ir atrás do que a gente tem direito porque a universidade é nossa”, ressaltou Walesca.

Na mesma segunda-feira enquanto Walesca fazia um BO em Natal, uma estudante de 16 anos do curso de Engenharia Agrônoma da Universidade Federal do Ceará (UFC), foi agredida e humilhada por um professor durante a aula de Física. Chamada para fazer uma demonstração prática força, a estudante foi empurrada três vezes e ouviu frases pejorativas como ”porrada por trás é sempre mais gostoso” e ”ela gosta”.

A UNE divulgou uma nota ao ocorrido em que repudia as atitudes machistas e misóginas vindas de professores que humilham estudantes apenas por serem mulheres.  “A União Nacional dos Estudantes luta para combater o machismo na sociedade e acredita que o papel da Universidade nessa luta é de não reproduzir os valores opressores, além de combatê-los com veemência”. A entidade também está oferecendo providências jurídicas sobre esse assunto.

O combate a violência e ao machismo também será a pauta principal do próximo fórum da entidade, o 8 º Encontro de Mulheres Estudantes da UNE que acontece nos dias 30,31/03 e 1/4 na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em Minas Gerais. Saiba mais.

Estudantes da UFRN deixaram um recado na sala de Ciências Sociais 

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