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‘Universidade não se vende’, defende UNE Volante na UFBA

17/05/2018 às 19:46, por Alexandre de Melo.


Debate reafirmou necessidade das instituições de ensino e comunidade acadêmica formarem ‘barricada’ contra retrocessos

Nesta quinta-feira (17) a UNE Volante promoveu o debate “O papel estratégico da universidade no desenvolvimento da pesquisa da ciência da tecnologia e da inovação” no Auditório de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Mediado por Marianna Dias, presidente da UNE e Jessy Dayane, Vice-presidente da UNE, o debate teve a participação de Alice Portugal, Deputada Federal (PC do B) e membro titular da Comissão de Educação, João Moraes, Presidente da FUP – coordenador da Plataforma Operária e Camponesa para a Energia, Maíra Kubik Mano, Coordenadora do NEIM – Núcleo de Estudos Interdisciplinar da Mulher, professora do departamento de estudos em gênero e feminismos da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas -FFCH UFBA e colunista da Carta Capital, Mario Magno, Secretário Geral da UNE, Pedro Gorki, presidente da UBES e Natan Ferreira, Presidente da União Estadual dos Estudantes da Bahia – UEB.

Os participantes falaram para um auditório lotado sobre o desmonte que as áreas de pesquisas vem sofrendo no Brasil e as consequências dramáticas da EC 95 que corta drasticamente os recursos para a Educação. Na opinião da maioria dos palestrantes, o objetivo do governo ilegítimo é instaurar políticas neoliberais que obrigam a mercantilização do ensino e das pesquisas.

Confira alguns destaques do debate:

Maíra Kubik Mano

– Eu fico feliz de estar em um debate que temos duas mulheres no comando da UNE, a presidenta e a vice-presidenta. Começo minha fala dizendo que há um argumento sórdido sobre Educação hoje. Dizem que qualquer problema de verba decorre de má administração. Isso nos dá um sinal muito claro de como a elite que administra nosso país pensa e age. Eles enxergam a Universidade como negócio. Na pós-graduação essa ideia está tomando conta, especialmente na saúde. Se não há recursos públicos, eles arrecadam no mercado. No entanto, como lidar com o conflito ético científico quando o pesquisador diz que o remédio é bom porque há pressão de um financiador? Esse financiador obriga que o pesquisador afirme que o tal remédio é viável para a venda. Com a PEC do fim do mundo (EC 95) cada vez mais a pesquisa vai atender os interesses de quem paga. E as humanidades? Para quem vai vender? Eu pesquiso gênero e sexualidade e sempre defendi que a vida dos LGBT e das mulheres importam. Mas será que importa para o mercado? Temos o mito da neutralidade das pesquisas e que não há interesses nelas.

“É papel de cada dos estudantes questionar a lógica das pesquisas voltadas para o mercado. Crédito: Bárbara Marreiros

– As teorias feministas dizem que somos sujeitas quando pesquisamos e que não há neutralidade porque carregamos nossas marcas nessas pesquisas. O tecnicismo nega a subjetividade e nossa humanidade. Assim, não atendemos as necessidades reais da sociedade. Por outro lado, pensando de uma forma mais otimista, as Universidades foram ocupadas por pessoas que são as primeiras pessoas de suas famílias a terem um diploma. Há uma diversidade muito maior dentro da Universidade e é papel de cada dos estudantes questionar a lógica das pesquisas voltadas para o mercado. Vocês mudam totalmente o cenário quando dizem que a antropologia não pode mais fazer a pesquisa como antes, ou seja, estudando e dando as costas para a comunidade logo em seguida. Hoje é o Dia Internacional do Combate a LGTBfobia e precisamos dizer que não voltaremos para o armário. E também vamos continuar tensionando a Universidade para que ela sirva a todos.

Alice Portugal

– A UNE Volante chama para a luta da defesa dessa Universidade chamada Brasil. A nossa obrigação é ser uma barricada para essa ditadura sem baionetas que está colocada há dois anos. Não se enganem, esse ano não temos eleições garantidas porque o “olho da serpente” está à solta. Esse Bolsonaro precisa ser exorcizado na vida brasileira. Queremos mais para o Brasil e não podemos permitir que a extrema-direita tome conta do país. O golpe jurídico e parlamentar atingiu em cheio a soberania nacional e a capacidade de inovação e geração de tecnologia. Acabou a Farmácia Popular, acabou o Ciência sem Fronteira. As mudanças do Ensino Médio tiraram disciplinas fundamentais.

Crédito: Bárbara Marreiros

Há sete projetos tramitando sobre Escola sem Partido. Na verdade, é escola apenas com o partido fundamentalista, né? O golpe atinge de morte os avanços e as pesquisas no Brasil. Isso é a política neoliberal. Precisamos a entender nossos erros, mas a hora é de nos rebelarmos para retomarmos o caminho do desenvolvimento.

Pedro Gorki

– Um dos principais objetivos da UNE Volante é dizer e reafirmar para cada um e para cada uma o papel da Universidade no desenvolvimento e na ascensão do nosso povo. Ainda lutamos pelo FIES e pelas disciplinas do Ensino Médio porque a UNE, a UBES são e sempre serão uma forte barricada contra os retrocessos.

Pedro Gorki: ” A UNE é sempre será barricada contra os retrocessos”. Crédito: Bárbara Marreiros

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