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Unidade na luta e grande manifestação marcam encerramento do 5º Enune

07/08/2016 às 19:36, por Renata Bars Fotos: Yuri Salvador.

Evento se encerrou neste domingo (7) como um dos maiores fóruns da juventude negra do país

Três dias intensos de debates, efervescência de ideias, afeto, luta e unidade. Este foi o saldo da 5ª edição do Encontro de Estudantes Negros, Negras e Cotistas da UNE (Enune), que terminou neste domingo (7), após extrapolar os muros da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e tomar as ruas de Salvador.

Ao iniciar os trabalhos finais, o diretor de combate ao racismo da UNE, Rodger Richer, pediu uma salva de palmas a todos e todas da plateia. ”Organizar um evento como esse foi muito desafiador, por isso temos que valorizá-lo. São quase 2 mil jovens negros de todas as regiões do país, um exemplo nítido de que a pauta racial tem avançado no movimento estudantil”, destacou.

Rodger discorreu sobre a atual conjuntura política e reafirmou a necessidade da união entre os jovens negros e negras.

”Este golpe em curso liderado por Michel Temer é na realidade uma ponte para o passado e não ponte para o futuro. Querem que os negro e negras não acessem a universidade, não adentrem a política, não tenham condição de consumo e lazer, mas nós estamos aqui organizados e unidos. Se a casa grande surta quando a senzala aprende a ler, imaginem quando ela começa a se organizar”, ponderou.

A vice-presidenta da UNE, Moara Sabóia, e a primeira diretora de combate ao racismo, Marcela Lisboa também saudaram a construção do evento.

”Esse encontro foi uma riqueza de diversidade e de conhecimento. Somos frutos da lei de cotas, frutos da luta de Dandara e de muitos passos ancestrais que nos trouxeram até aqui para lutarmos por nossas vidas e dar um basta ao extermínio da nossa juventude. Não podemos cair em disputas enquanto tem jovem negro morrendo. Não estamos aqui à toa, vidas negras importam”, disse Marcela.

Moara salientou que esta edição é a maior já construída pela UNE e talvez o maior fórum de juventude negra do Brasil.

”Foram 3 grandes debates, 11 grupos de discussão simultâneos em que a gente se informou, riu e chorou junto. Assim como eu, acredito que todos saem daqui renovados e prontos para enfrentar o racismo, para dizer à essa elite golpista que eles podem ousar tentar tirar nossos direitos, mas que não esperem que fiquemos calados. A juventude negra vai estar nas ruas, nas redes e na universidade para dizer que não admitimos nenhum retrocesso”, falou.

A LUTA É AGORA!

Assim que foram encerradas as falas da planária final, os quase 2 mil estudantes presentes tomaram a Avenida Oceânica, em Salvador, rumo à orla da praia.

Com bandeiras, faixas, cartazes e estandartes, eles bradaram pelo fim do racismo e contra o governo golpista.

Para a estudante secundarista Mirela Sena, a manifestação e toda programação do 5º Enune representaram empoderamento e união.

”Senti que somos irmãos e temos que nos incentivar e nos abraçar nessa luta. Tudo foi muito caloroso e agora mostramos nas ruas toda a beleza e força do que vivemos nesses dias dentro dos muros da UFBA”, disse.

A 5ª edição do Enune também aprovou documentos importantes como a Carta de Salvador, com o balanço do evento, moções contra a lei antiterrorismo, pela implementação efetiva do ensino de história afro e indígena nas escolas, em memória de Luana Barbosa, mulher negra covardemente assassinada pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, e em favor do poder negro da UNE.

Em breve todos os documentos estarão disponíveis no site e nas redes da entidade.

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