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Estudantes contra o retrocesso e o conservadorismo

10/06/2015 às 15:23, por Bruno Huberman.

O combate à redução da maioridade penal e ao ajuste fiscal mobilizou a juventude no 54o Congresso da UNE

Durante o 54o Congresso da UNE, ocorrido entre os dias 3 e 7 de junho, em Goiânia, o movimento estudantil brasileiro se uniu para barrar a onda conservadora que tomou o país neste início de 2015 nas ruas e no Congresso Nacional.

Não à toa, a chapa vencedora do congresso, liderada pela nova presidenta da entidade, Carina Vitral, chama-se “O movimento estudantil unificado contra o retrocesso em defesa da democracia e por mais direitos”.

A redução da maioridade penal para 16 anos, o ajuste fiscal com o corte de R$ 9 bilhões para a Educação, a ampliação da terceirização dos trabalhadores e a contrarreforma eleitoral com a constitucionalização do financiamento empresarial de campanha são algumas das pautas que tem ameaçado direitos básicos e conquistas da juventude e dos trabalhadores na última década.

Em resposta, estudantes da UNE e da UBES ocupam o Ministério da Fazenda, em Brasília, contra a tesourada do ministro Joaquim Levy e acompanham de perto os trabalhos da Comissão Especial sobre a redução da idade penal instalada na Câmara dos Deputados. A proposta deve ser votada no plenário da Casa ainda em junho.

REDUÇÃO NÃO É SOLUÇÃO

A união do movimento estudantil em torno do combate à redução da idade penal levou emoção para aqueles que participaram da plenária final do Conune. Na manhã do último dia do encontro, um “pipaço” coloriu o céu azul de Goiânia em homenagem aos jovens vítimas da violência.

Já dentro da Goiânia Arena, aos gritos de “Não à redução”, um bandeirão com o enunciado “Redução É Roubada” sambou pelas mãos dos estudantes por toda a arquibancada do ginásio. O bandeirão foi levado ao Congresso da UNE pelo artista Fernando Sato, da casadalapa e dos Jornalista Livres, que participou ainda de um debate sobre o assunto durante o evento.

A redução da idade penal foi o ainda o tema da mesa de abertura do congresso, na noite da quarta-feira 3. O professor e ativista Douglas Belchior defendeu que os movimentos sociais se engajem diretamente nessa luta.

“Devemos demonstrar que não é verdade que exista uma opinião pública massivamente a favor da redução da maioridade penal. Na verdade existe uma desinformação muito grande e uma opinião não qualificada. Na medida em que a gente qualifica a opinião, essa opinião pode mudar. Eu acredito nessa conscientização popular”, afirmou Belchior.

CONTRA OS CORTES NA EDUCAÇÃO

Na noite do terceiro dia de congresso, na sexta 5, os estudantes tomaram as ruas de Goiânia em uma passeata contra o corte de R$ 9 bilhões de reais na Educação realizado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Com o tema “Que os ricos paguem pela crise: nenhum centavo a menos para a educação”, o ato reuniu forças do movimento estudantil numa reivindicação pela implementação dos 10% do PIB para o setor e em repúdio à redução de verbas motivada pelo ajuste fiscal.

O assunto foi ainda debatido em uma mesa na manhã do segundo dia do Conune. Foi consenso entre os debatedores que os movimentos populares devem valorizar a unidade para lutar contra o avanço de medidas que prejudiquem o trabalhador.

“Essa crise que se arrasta há oito anos no mundo teve início nos Estados Unidos, revelando uma fase do capitalismo em que a resposta para as dificuldades se resume a políticas de austeridade que só aumentam o desemprego no mundo”, declarou o deputado federal pelo PCdoB-SP Orlando Silva.

Participante do ato político do Congresso da UNE, na noite do sábado 6, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, defendeu a criação de uma frente de luta dos movimentos sociais contra o retrocesso conservador.

“Hoje a unidade da esquerda é uma necessidade. Nós temos sofrido uma ofensiva da direita no Congresso Nacional e do ódio fascista nas ruas. Isso deve ser enfrentado com unidade”, afirmou Boulos.

 

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