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UNE Volante inicia jornada celebrando o aumento do acesso indígena na UFPA

19/04/2018 às 14:47, por De Belém, Alexandre de Melo e Camila Ribeiro Fotos: Bárbara Marreiros.


Ato de Fortalecimento Cultural reuniu representantes das comunidades que estudam na UFPA

A UNE Volante começa a sua jornada de debates e atividades culturais  na Universidade Federal do Pará (UFPA) justamente no dia 19 de Abril, data celebrada no calendário oficial do Brasil como o Dia do Índio.

A população indígena está presente na Universidade, na cidade e nas aldeias de Belém. Crédito: Bábara Marreiros

O Ato de Fortalecimento Cultural aconteceu na capela ecumênica da universidade com a presença do reitor Emmanuel Tourinho e representantes das comunidades indígenas que estudam  na UFPA. Além das palestras, a organização apresentou um pouco da cultura de 185 índios de 34 etnias que estudam na universidade por meio de artesanato, gastronomia típica e exibição de filmes como o Rio de Leite que fala sobre a comunidade do Rio Negro.

 

O encontro que debateu o pertencimento e o acesso às universidades dos povos indígenas em si, é um sinal evidente da mudança ocorrida nas universidades brasileiras.  

Em 1960, na primeira edição da UNE Volante, a pauta reivindicatória central da entidade era a defesa da democracia e a implementação das reformas de base propostas por João Goulart. A reforma universitária e a ampliação do acesso à universidade eram  bandeiras centrais naquele momento.

Hoje, a UNE reedita a caravana da UNE Volante para debater os rumos da universidade  que teve sua base social transformada pela luta do movimento estudantil e pelos 13 anos de governos populares que colocaram no centro da política educacional a expansão das universidades públicas, aumento do número de vagas e criação de programas de acesso, tais como as cotas raciais, sociais e para os povos originários e quilombolas.

VAI TER ÍNDIO NA UNIVERSIDADE SIM!

O primeiro indígena formado na UFPA, Ijyraru Karajá, 27 anos, lembra as dificuldades que superou para se tornar farmacêutico quando saiu de sua aldeia no Tocantins para estudar na universidade em Belém do Pará. “Minha aldeia é muito ligada com algumas aldeias de Marabá. Em 2007, alguns amigos daqui me avisaram que iria ter o vestibular. Confesso que quando cheguei aqui, eu me achei seguro, mas naquele momento achei que a organização que estava me acolhendo é que estava  perdida no sentido de facilidade de matrícula, acolhimento.Essa situação não permaneceu e foi superada. O único episódio ruim foi quando colegas me contaram que um professor estava dizendo para todos que não aprovaria um índio apenas por ser índio. Desnecessário. Passei por méritos e dei a melhor resposta a ele”, relembra o índio Karajá.

Hoje a comunidade indígena da universidade se reúne para falar dos desafios e vitórias dos povos indígenas na universidade. Acabar com o preconceito, defender a universidade pública do desmonte que um governo ilegítimo quer impor, manter as portas da universidade abertas para os povos originários são as lutas centrais dos mais de 80 estudantes indígenas da UFPA.

Virgínia Arapaçu,natural do Amazonas, estudantes de administração da UFPA ressalta que os povos indígenas não deixam sua tradição para entrar na universidade. “ A gente ainda sofre racismo, mas fazemos valer nossa resistência, nossa história. Nossa luta conquistou o acesso da Universidade e nós vamos permanecer aqui. Ninguém deixa de ser indígena, isso está na nossa alma. E vamos voltar para nossa aldeia com o conhecimento que ajudamos a construir na universidade”, conta.

Indígena celebra sua cultura e o acesso à universidade

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