Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

Últimas Notícias

Xô, entreguismo! UNE Volante debate Projeto Nacional de Desenvolvimento na UFU

08/05/2018 às 23:31, por Alexandre de Melo.


Combate as privatizações em tempos de golpe e o papel da Universidade pública no desenvolvimento científico do País foram defendidos pelos convidados 

Nessa terça-feira (08), a UNE Volante promoveu o debate “O Papel da Engenharia na Construção de um Projeto Nacional de Desenvolvimento” na Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Participaram do encontro Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras e Professor da UFRJ, Alexandre Cardoso, representante da reitoria e coordenador do projeto de Pós-graduação de Engenharia Elétrica na UFU, Cibele Vieira, Engenheira, dirigente da Federal Única dos Petroleiros – FUP, Leonardo Guimarães, coordenador da UNE Volante e Jessy Dayane, Vice-Presidente da UNE,

Os palestrantes defenderam a autonomia nacional e o papel da Universidade pública no desenvolvimento científico do País, além de apontar os desafios da revolução industrial 4.0 e o combate ao entreguismo das privatizações em tempos de golpe. Confira as principais falas do encontro

Luiz Pinguelli

– Existe no Brasil o mito da incompetência nacional para a produção de alta tecnologia e da falta de eficiência das empresas estatais. Isso não é verdade. Com relação à tecnologia eu posso citar rapidamente trabalhos maravilhosos desenvolvidos no País: o ônibus movido a hidrogênio (veículo elétrico) desenvolvido na URFJ, o trem de levitação magnética, o protótipo gerador de eletricidade por meio de ondas no Ceará e o Parque tecnológico da UFRJ. Com relação às estatais precisamos lembrar que vivemos um golpe e que está acontecendo um desmonte. O mesmo grupo entreguista que governou com FHC sustenta os movimentos do Temer que não passa de um fantoche. O nosso maior problema não é o Temer. O nosso problema é esse grupo que não tem o menor interesse no Brasil. O número de pesquisadores no Brasil é muito pequeno e as verbas destinadas ao avanço cientifico estão diminuindo drasticamente. A burocracia impede o avanço científico no País. Foram 75 mil leis federais e estaduais criadas entre 2000 e 2010. Isso é um pesadelo para quem luta pelos avanços no Brasil

Cibele Vieira

– Se a gente não é capaz de produzir tecnologia, por que os americanos nos espionaram? Por que estão perseguindo as grandes empresas nacionais? Veja o que está acontecendo: nos obrigam a diminuir as cargas de petróleo nas refinarias do Brasil para trazer de fora e aumentar o preço da gasolina. Esse grupo golpista quer trazer investimento de fora para que esse capital estrangeiro consiga competir com a Petrobras e depois eles compram nossas refinarias. O Brasil teve uma política de Estado para permitir o desenvolvimento das empresas estatais no governo Lula. Aí quando ele foi lá ajudar as negociações das empresas estatais ou privadas que ajudariam o desenvolvimento do Brasil, muitos falaram: “Ó lá, tá vendo, ele foi lá falar em nome da Odebrecht”. No entanto, nas reuniões da Petrobras o que não falta são empresários de empresas privadas que batem na mesa e dizem “Eu falo em nome do Governo dos Estados Unidos”. O principal papel do Estado americano é ser lobista dos EUA. Ou seja não há novidade nisso. Ou vocês acham que só há corrupção no Brasil. A diferença no Brasil é o nível de desemprego. O cara lá da ponta da produção é que paga a conta. Nós tínhamos 86 mil funcionários na Petrobras, agora são 65 mil. Esse é o ponto que estamos debatendo sobre desenvolvimento nacional. Imagine o impacto na economia disso tudo. Os royalties do Petróleo iriam para a Educação e Saúde e além disso, os lucros do Petróleo iriam para um fundo social para completar a meta dos 10% do PIB destinado à Educação. Não existe isso que não existe dinheiro. Agora, se você começa a entregar a riqueza nacional, aí realmente vai faltar dinheiro. O chiclete que vocês estão mastigando já tem pré-sal. Já é uma realidade. Após o golpe, mudou totalmente o plano desenvolvimento, mas a gente continua na luta.

Alexandre Cardoso

– Do ponto de vista das Engenharias, precisamos dizer que, sim, produzimos alta tecnologia no Brasil. Nós não somos inferiores. Lembrando que a última etapa da revolução da indústria 4.0 permite que todos nós tenhamos condições de sermos agentes de modificações. Sem contar que o processo de produção mudou totalmente com o advento da realidade virtual, de realidade aumentada e a tecnologia 3D. Investir nesse tipo de demanda científica com responsabilidade é essencial. Se nos EUA não há a mínima preocupação de sustentabilidade na geração de energia, no Brasil nós temos essa preocupação e trabalhamos nesse sentindo. Por isso que desmantelar a Universidade Pública pode tirar nossa competitividade. A Universidade modifica as castas do País e aumenta a capacidade de competição. Que se tire investimento de onde for, mas jamais podemos tirar os investimentos na Educação.

Leonardo Guimarães

– Há um projeto de desmonte em várias frentes de desenvolvimento no Brasil e a UNE está percorrendo o Brasil defendendo a Universidade pública. Dizem que não criamos tecnologia qualificada, dizem que a Universidade é elitista. Assim como não é verdade que não produzimos tecnologia, o perfil da Universidade vem mudando. Muitos aqui, como eu, fazem parte da primeira geração da família dentro da Universidade. Esse nosso debate é qualificado e alerta que os avanços dos últimos anos estão ameaçados. E trata-se também de uma problema histórico. O Brasil foi colonizado e teve sua riqueza à venda. Combatemos esse modelo e é por isso que a UNE Volante está passando pelas Universidades brasileiras para debater temas fundamentais do Brasil que queremos construir.

Os estudantes participaram do debate perguntando sobre como a revolução 4.0 afeta as relações de trabalho e como combater a corrupção sem desmontar a industria nacional.

A estudante colombiana Carolina Serna Morales deu um depoimento sobre o sentimento frente ao golpe no Brasil.

– Muitos estudantes estão nas nuvens e acham que não há um golpe. Quando cheguei no Brasil, cheguei com o sonho de me formar. Aqui há bolsa de alimentação, transporte e muitas coisas que fazem diferença na vida do estudante e não há na Colômbia. Estou muito triste qual a situação brasileira. Fazemos parte deste sistema econômico, mas ainda não sabemos como intervir. Eu fico me perguntando sobre possíveis soluções e como podemos unir o Brasil para retornar o caminho do desenvolvimento.

Jessy Dayanne encerrou o debate

– A UNE Volante propõe diálogo com os estudantes e continuaremos defendendo a Universidade Pública, vital para o desenvolvimento do Brasil. Não podemos esquecer que nos tempos mais difíceis da soberania nacional, os estudantes brasileiros sempre se mobilizaram e lutaram bravamente por um projeto de País que não é esse que estão tentando nos empurrar. Nosso debate foi qualificado e em muitas falas foi lembrado de como o Brasil, mesmo com todas as dificuldades e falta de investimentos, segue produzindo tecnologias avançadas. Nossa Engenharia é vital nesse processo e esse debate acrescentou e muito para o ciclo de debates que estamos desenvolvendo no País.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo