Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

Últimas Notícias

UNE Volante debate Golpe 2016 e soberania, em Brasília

03/05/2018 às 14:48, por Alexandre de Melo.


Debate na UnB apresenta ideias para a defesa da democracia e do ensino gratuito de qualidade no Brasil.

Nesta quinta-feira (03), a UNE Volante realizou na Universidade de Brasília (UnB) mais um debate da série de encontros nas universidades brasileiras. O tema em Brasília foi “O papel estratégico da Universidade e a Soberania Nacional” com mediação da Presidenta da UNE, Marianna Dias.

Participaram do debate Olgamir Amâncio, Decana de Extensão da UnB, Ricardo Gebrim, Direção nacional da Consulta Popular – CP, Tamara Naiz, Presidenta da ANPG, Murilo Camargo, Professor de Políticas Públicas para Educação Superior e Estudos Interdisciplinares da UnB, Fabio Felix, Professor da UnB e Jessy Dayane, Vice-presidenta da UNE. Abaixo, leia os principais pontos debatidos.

Mariana Dias e Jessy Dayane no debate sobre Soberania na UnB. Crédito: Bárbara Marreiros

Olgamir Amâncio falou sobre a crise na UnB e a defesa da democracia da instituição. “A UnB vive um período de turbulência. No entanto, a presença de contingente historicamente alijado na Universidade é significativa. É oportuno que a UNE e a Universidade conversem com essas pessoas e que tenhamos uma leitura mais afinada, mais apurada da realidade brasileira. É preciso ter uma postura mais consequente para superar os desafios, pensar a questão orçamentária e comunicar os impactos dos cortes de verba nos três pilares fundamentais: ensino, pesquisa e extensão. A crise financeira não é na UnB, a crise está colocada em todas as Universidades. A nossa obrigação é pensarmos ações para contribuir nas lutas das Universidades brasileiras”, disse.

Ricardo Gebrim falou sobre os pontos em comum das ofensivas golpistas no Brasil. “O golpe frustado de 54, os efetivados em 64 e 2016 tiveram participação americana e da burguesia nacional. Em todos esses períodos, a classe média alta foi mobilizada em nome do combate à corrupção. O golpe 2016 não é militar porque não se permite mais deixar explícito e os militares brasileiros, extremamente reacionários, não iriam colaborar com os interesses do golpe. O golpe 2016 é apoiado pelo judiciário, grande mídia e polícia Federal. Há um novo aspecto repressivo que é criminalizar a luta social. Se ele se legitima eleitoralmente, ele continuará desmontando a resistência. Esse golpe é a maior chance de desmonte do progresso brasileiro”.

Fabio Felix apontou aspectos que colaboram com a ameaça de soberania e contribuíram para o golpe. “O fundamentalismo religioso tem se organizado e disputado a mídia e os espaços de poder. Assim, gradativamente vem emburrecendo o debate político. A Emenda Constitucional (EC) 99 é brutal e deixa sem condições de governabilidade. E a esquerda? A esquerda progressista precisa fazer uma autocrítica urgente. Esse modelo de conciliação morna com o PMDB está falido e mostra porque chegamos onde chegamos. Ocupar as ruas precisa ser colocado como prioridade”, disse.

Tamara Naiz comentou porque a defesa do ensino gratuito é fundamental para a soberania.“A gente tem diversas propostas de cobranças nas Universidade públicas, o que é ineficaz. A Universidade foi popularizada e é agora que devemos lutar para que ela não seja privatizada. Não podemos aceitar a falácia que a Universidade não devolve para a sociedade. Isso é uma fala de desmonte e cada vez mais precisamos lutar pela Universidade pública, gratuita e de qualidade. Sem pesquisa e incentivos, não podemos garantir a soberania e o progresso brasileiro. Por isso, a defesa da soberania passa pela defesa da Universidade”, afirma.

Murilo Camargo deu uma pequena aula sobre processos históricos mobilizados por estudantes que foram vitais em diversas conquistas políticas na América Latina. “A Universidade que temos hoje é fruto das lutas dos estudantes lá atrás. Estamos completando 100 anos da Reforma Universitária de Córdoba, nada mais do que uma rebelião contra uma universidade obsoleta. Os estudantes fizeram um manifesto que serve de parâmetro para os estudantes de toda a America Latina até hoje. Esse exemplo não pode ser esquecido. A Universidade pública e gratuita está sob ataque para que se tenha espaço para a Educação Superior pensada como negócio. Não podemos permitir”.

Jessy Dayane abriu o debate para os estudantes. O estudante de publicidade, Vinicius Paranaguá, lembrou a importância da história da UnB na mobilização democrática. “Na UnB, Darcy Ribeiro previu que uma parte das aulas fosse assistida por estudantes de fora da Universidade de Brasília para que eles completassem os seus conhecimentos. E é aqui que estamos tentando ter unidade para lutar por condições de ensino. Agradecemos a passagem da UNE Volante em Brasília e vamos continuar lutando por soberania, democracia e ensino gratuito. Os nossos inimigos são os golpistas e contra eles precisamos de unidade”.

Marianna Dias agradeceu a participação e lembrou que a UNE Volante segue na série de debates no Brasil para levantar propostas de defesa da democracia e do ensino gratuito.

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo