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UNE lê o relatório da Comissão Nacional da Verdade

31/03/2015 às 11:27, por Alessandra Beber Castilho.

Entidade faz um balanço do papel da entidade e dos estudantes na resistência à ditadura

O dia 10 de dezembro de 2014 foi um marco na história brasileira. Neste dia, em cerimônia no Palácio do Planalto, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade foi entregue à presidenta Dilma Rousseff. Instalada em 2012, criada pela lei 12.528/2011, a Comissão trabalhou durante dois anos e sete meses apurando e esclarecendo graves violações de direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988, tendo como escopo principal o período que abrange o período da última ditadura civil-militar brasileira (1964 – 1985).

O relatório final, dividido em três tomos, com um total de 4.328 páginas, é um marco na luta pela elaboração da memória política no país, ponto de partida para repensarmos a naturalização do abuso de poder por parte do Estado perante seus cidadãos dentro da sociedade brasileira, naturalização que se manifesta através da violência da polícia, por exemplo, uma das que mais matam no mundo.

A análise do relatório final da CNV está sendo feita pela Comissão da Verdade da UNE, de modo a elencar de forma precisa a repressão dentro do movimento estudantil. Segundo o relatório, 6% dos mortos e 2% dos desaparecidos durante a ditadura são estudantes. Se considerarmos os estudantes que, após os expurgos das universidades, se filiaram a movimentos e partidos de resistência, sendo elencados como membros de outras organizações populares e outras lideranças políticas mortas e desaparecidas que iniciaram sua militância no seio da UNE antes do início da ditadura, este número certamente é maior.

O tomo I, no qual consta o relatório, traz detalhes de casos emblemáticos para história da UNE, como o 30º Congresso da entidade, em Ibiúna (SP), e os casos dos desaparecimentos e mortes de Honestino Guimarães, Fernando Santa Cruz, Alexandre Vannucchi Leme e Helenira Rezende. O tomo II, compostos pelos textos temáticos, traz um artigo intitulado “Violações de Direitos Humanos na Universidade” o qual, embora tenha um aspecto generalista, dá ênfase à atuação e repressão sofrida pela UNE no período, evidenciando o caráter de resistência e de defesa da democracia da entidade. O tomo III apresenta um perfil completo de todos os mortos e desaparecidos políticos.

A Comissão da Verdade da UNE tem-se debruçado sobre a última parte do relatório, fazendo assim um mapeamento completo de todos os estudantes mortos e/ou vítimas de desaparecimento forçado, de modo a compreender melhor a extensão da repressão no meio estudantil.

Desta forma, o relatório lança luz sobre esse período sombrio da história brasileira, ajudando a cicatrizar feridas ainda abertas na sociedade e, indiretamente, levando a uma compreensão maior do papel reservado a União Nacional dos Estudantes na vida política do país e de sua própria história. Porém, a divulgação do trabalho é apenas a ponta do iceberg.

É preciso seguir em frente e completar o processo de transição – com 30 anos de atraso demos o primeiro passo, reconhecendo o direito à verdade; agora, é necessário caminharmos para o segundo passo para uma reconciliação com nossa sociedade: o direito à justiça e o julgamento dos responsáveis pelos crimes de Estado cometidos durante a ditadura civil-militar.

A íntegra do Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade está disponível aqui.

*Alessandra Beber Castilho é mestranda em Relações Internacionais na UERJ e integrante da Comissão Nacional da Verdade da UNE

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