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UNE em defesa do Fies, contra o aumento de juros

29/07/2015 às 13:47, por Cristiane Tada.

Diretor de Universidades Privadas da UNE comenta o que mudou para concorrer às vagas do segundo semestre 2015

O prazo de inscrições para concorrer as 61,5 mil vagas do segundo semestre do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) 2015 começa na próxima segunda-feira (3) e se estende até o dia 6 de agosto.

O edital e as orientações para cadastro de estudantes interessados foram publicados no último dia 27/7 no Diário Oficial da União.

Para explicar as mudanças, o site da UNE entrevistou o novo diretor de Universidades Privadas da entidade Josiel Rodrigues.

O estudante de Relações Públicas na Universidade de Caxias do Sul (UCS)  tem 22 anos e começou sua militância há três no Diretório Acadêmico de RP e logo depois no  DCE da instituição. Para ele o aumento dos juros e o corte de vagas são um retrocesso para a educação brasileira. Confira a entrevista:

Qual a opinião da UNE sobre o aumento de 3,4% ao ano para 6,5% para novos contratos do Fies?

​A UNE é, e vem sendo no último período, contra este aumento – mesmo que continue com subsídio do governo e seja abaixo da meta da inflação. É preciso que o Ensino Superior seja cada vez mais democratizado. Para isso, é fundamental que programas como o Fies sejam cada vez mais aperfeiçoados e que não haja nenhum retrocesso como aumentar os juros.

E sobre o novo limite de renda de até 2,5 salários mínimos por pessoa? 

​O novo limite de renda garantirá que as oportunidades de financiamento sejam concedidas aqueles e àquelas que realmente têm dificuldade de ingressar no Ensino Superior. Agora, é importante frisar que é uma medida contraditória, uma vez que sua renda para contratar o Fies deverá ser mais baixa e os juros ao ano serão mais altos.

O novo Fies também está priorizando cursos de saúde, formação de professores e engenharias, bem como vai privilegiar as Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste​. Como você avalia essas medidas?

​A priorização de vagas demonstra um importante empenho do Ministério da Educação de formar profissionais de áreas deficitárias e em regiões mais pobres do nosso país. No entanto, defendemos que essa priorização não seja uma restrição, isto é, as vagas até podem ser priorizadas por região do país e área do conhecimento, mas é importante que todas as áreas sejam contempladas. É importante entendermos que quem ingressa na universidade pelo FIES (ou até mesmo pelo ProUni) tem o sonho de se formar, e essa formação pode ser em qualquer área de atuação.

Foram cortadas vagas do Fies para o segundo Semestre de 2015?

​Com o anúncio de​stes 61.500 novos contratos, chegaremos a um número de aproximadamente 314 mil vagas novas abertas apenas no ano de 2015. Entretanto, no ano de 2014 foram mais de 730 mil novos contratos, ou seja, tivemos uma redução de quase 50% no número de contratos firmados neste ano. O programa, desde 2010 vinha de um constante crescimento contou com esta redução, o que vem na contramão da democratização do Ensino Superior e com as metas do Plano Nacional da Educação.

Qual o posicionamento que a diretoria de Universidades Privadas vai defender para o Fies no próximo período? 

​Os problemas ocorridos com o FIES no início deste ano demonstraram o quão urgente é a regulamentação do ensino superior, com o fim do capital estrangeiro [dinheiro de grupos econômicos internacionais que investem em conglomerados de educação visando o lucro] nas universidades. Por mais que o Fies seja um importante instrumento para o acesso ao ensino superior, é inadmissível que essas instituições se aproveitem dele para que obtenham mais lucros. Não podemos aceitar ​que uma universidade como essas ofereçam um ensino sem qualidade e que seu orçamento seja quase totalmente oriundo do Fies! Defenderemos, também, o fortalecimento destes programas, como um importante instrumento de acesso ao ensino superior.

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