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UNE discute desmilitarização policial e nova política de drogas

16/06/2017 às 21:42, por Cristiane Tada / Foto: Agatha Azevedo.

Debate sobre guerras às drogas e desmilitarização da PM agitou 55º Conune
Foto: Agatha Azevedo

Congresso da entidade, em BH, abordou os temas da segurança e saúde públicas

Enfrentar o fracasso da chamada guerra às drogas e o perfil militarizado da força policial no Brasil é uma necessidade que já foi apontada até pela Organização das Nações Unidas, ao comentar o cenário de violência no país. Porém, infelizmente, ainda é necessário debater e ampliar esse tema rompendo tabus e interesses econômicos.

O 55º Congresso da UNE levantou o assunto nesta sexta (16) em um encontro na Universidade Federal de Minas Gerais. Orlando Zaconne, delegado do Rio de Janeiro, e integrante do grupo Policiais Antifascismo afirmou: “Sou contra a militarização da segurança pública como um todo, porque às vezes uma Polícia Civil é até mais militarizada que a PM”.

Estudantes lotaram auditório da UFMG para participar do debate

Para os convidados do debate, o modelo de polícia do país elegeu um inimigo: o traficante de drogas. Porém, o que distingue usuário e traficante é apenas uma construção política. “Essa construção de que existe um inimigo permite ao estado brasileiro exterminar grupos pela sua construção social. O nome disse é fascismo. O inimigo é desumanizado e isso tem sido feito com o traficante de drogas. Se um garoto pobre do RJ é pego com droga no Morro onde ele mora. Ele vai ser usuário ou traficante?”, provocou Zaconne.

Bandido bom é bandido morto

O advogado e militante dos direitos humanos Rodrigo Mondego ressaltou a lógica perversa de manutenção da guerra contra  as drogas: a de que bandido bom é bandido morto. Para ele é a responsabilidade dessa mentalidade não é só da PM e é preciso lembrar que juízes, promotores e a sociedade como um todo corroboram. Também lembrou dos interesses econômicos envolvidos.

“O principal instrumento é a PM, a desculpa é a questão das drogas, mas a questão principal é que essa guerra gera muito lucro. Das drogas em si e das armas. O motivo é o lucro, mas como essa lógica se sustenta? A partir dessa ideia negativa dos direitos humanos no Brasil”, acredita.

Para os estudantes presentes no debate, a estrutura racista do Brasil interfere na construção desse bandido. Como lembraram nas intervenções e falas, os jovens que estão sendo mortos têm uma cor e uma classe claríssimos.

Outro ponto da conversa foi a crise no sistema prisional brasileiro. De acordo com o delegado Zaconne, o envolvimento com as drogas é responsável por 1/3 dos presos, bem como é motivo maior do encarceramento de mulheres na federação.

Ele foi taxativo na defesa da mudança na legislação: “só existe um jeito de acabar com o tráfico no Brasil, legalizando a produção, o comércio e o consumo de todas as drogas. Não estamos debatendo em causa própria, estamos lutando contra um dos maiores genocídios da história do Brasil que é a proibição. O nosso medo deveria ser a proibição e não a legalização”, provocou.

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