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UNE 81 anos, com carinha de 21

10/08/2018 às 15:39, por Cristiane Tada e Renata Bars.


Entidade mistura tradição democrática e vigor da juventude na luta por educação de qualidade

A UNE, essa jovem senhora de 81 anos, não à toa, faz aniversário junto com a data em que é comemorada o dia do estudante brasileiro, 11 de Agosto. Para mostrar como a entidade que representa mais de 7 milhões de estudantes em todo o país dedicou sua vida na luta por educação de qualidade e democracia no Brasil, selecionamos 12 momentos da sua história, desde o marco e fundação até os dias de hoje.

Embarque nessa viagem no tempo e confira porque temos orgulho da nossa trajetória!

Fundação da UNE e primeiras lutas

 

No dia 11 de agosto de 1937, na Casa do Estudante do Brasil, no Rio de Janeiro, o então Conselho Nacional de Estudantes conseguiu finalmente consolidar um sonhado projeto de criar a entidade máxima do estudantes constituída por organizações estudantis brasileiras espalhadas pelo país. Desde então, a UNE passou a se organizar em congressos anuais e a buscar articulação com outras forças progressistas da sociedade. As primeiras bandeiras de luta foram pela indústria siderúrgica nacional e claro uma educação gratuita de qualidade. Durante a 2ª Guerra Mundial, os estudantes brasileiros também opuseram-se ao nazi-fascismo e chegaram a entrar em confronto direto com simpatizantes da ideologia.

Campanha Petróleo é Nosso

Após a guerra, a UNE consolidou sua participação e posicionamento frente aos principais assuntos nacionais, fortalecendo o movimento social brasileiro em ações como a defesa do petróleo, que começava a ser mais explorado no país. Após a promulgação da Constituição de 1946, houve um grande debate entre os que admitiam a entrada de empresas estrangeiras para a extração e os que defendiam o monopólio nacional. A UNE foi protagonista nesse momento com a campanha “O Petróleo é Nosso”. A luta prosseguiu até 1953, quando se deu a criação da Petrobras.

Luta contra a ditadura militar

A primeira ação da ditadura militar brasileira ao tomar o poder em 1964 foi metralhar, invadir e incendiar a sede da UNE, na Praia do Flamengo 132, na fatídica noite de 30 de março para 1º de Abril. O regime militar retirou legalmente a representatividade da UNE por meio da Lei Suplicy de Lacerda e a entidade passou a atuar na ilegalidade. As universidades eram vigiadas, intelectuais e artistas reprimidos.

Apesar da repressão, a UNE continuou a existir nas sombras da ditadura, em firme oposição ao regime. Do outro lado, os militares endureciam a repressão em episódios como o assassinato do estudante secundarista Édson Luis e a invasão do Congresso da UNE em Ibiúna (SP), com a prisão de cerca de mil estudantes. Com a proclamação do Ato Institucional número 5 (AI-5) uma violência ainda maior foi instaurada. Nos anos seguintes a ditadura perseguiu, prendeu, torturou e executou centenas de brasileiros, muitos deles estudantes como o presidente da UNE e estudante da UnB, Honestino Guimarães e a vice-presidenta Helenira Rezende, estudante de letras da USP.

 

Diretas Já e Fora Color

Com o fim da ditadura militar, o movimento estudantil voltou às ruas e participou ativamente da Campanha das “Diretas Já”, com manifestações e intervenções importantes nos principais comícios populares em 1984. A entidade também apoiou a candidatura de Tancredo Neves à Presidência da República.

Durante as eleições de 1989, a UNE se posicionou contra o projeto defendido pela candidatura de Fernando Collor de Melo, criticando seu aspecto neoliberal e distante das reformas históricas defendidas pelo movimento social. Quando o presidente envolveu-se em escândalos sucessivos de corrupção, o movimento estudantil teve papel predominante na mobilização dos brasileiros com o movimento dos jovens de caras pintadas na campanha “Fora Collor”. Em 1992, após enormes manifestações estudantis com repercussão em todo o país, o presidente renunciou ao cargo para não sofrer processo de impeachment pelo Congresso Nacional.

Luta contra o imperialismo e privatizações

A partir de 1994 durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, que ganhou duas eleições seguidas, as principais pautas dos estudantes foram a luta contra o neoliberalismo e a privatização do patrimônio nacional. Foi uma época de embate do governo federal com os movimentos sociais, marcando o período de menor diálogo e negociação da UNE com o poder executivo na história, à exceção do regime militar.

A UNE posicionou-se firmemente contra a mercantilização da educação, promovida pela gestão FHC. Durante seu governo, foram privilegiadas as instituições particulares de ensino, com o sucateamento das universidades públicas e atrito constante com professores, funcionários e estudantes das federais de todo o país. Outras bandeiras da UNE foram contra os abusos nas mensalidades do ensino particular e contra o Provão.

Primeira Bienal da UNE

O ano de 1999 marca a retomada do trabalho cultural da entidade com a realização da 1ª Bienal da UNE, na cidade de Salvador (BA). O evento reuniu cerca de 5 mil estudantes, além de diversas personalidades do mundo acadêmico, científico e artístico. A diversidade se deu pelo olhar de artistas como Lenine, Chico César, Jorge Mautner e o grupo Racionais MC’s. Não demorou muito e já em 2001, é lançado o Circuito Universitário de Cultura e Arte (CUCA) da UNE. A Bienal e o Cuca retomam um trabalho que grande importância que foi o Centro Popular de Cultura, o CPC da UNE, criado em 1962 por estudantes e intelectuais da UNE que tinham como propósito a “arte revolucionária”, colocando-se ao lado do povo e priorizando a cultura popular.

UNE de volta pra casa

Em 2007, 43 anos depois da ditadura militar destruir a casa dos estudantes uma grande manifestação estudantil ocupou o terreno na Praia do Flamengo, 132, que estava sendo usada por um estacionamento clandestino. Com a ocupação que se prolongou por meses, a UNE ganhou na Justiça a posse do local e, alguns anos depois, o reconhecimento unânime do Congresso Nacional de que o Estado brasileiro tinha uma dívida com os estudantes pela invasão, incêndio e demolição da sua sede. Em 2010, um dos últimos atos do presidente Lula no cargo foi inaugurar, no local, a pedra fundamental para as obras de reconstrução do prédio da UNE.

Prouni e Reuni

A democratização da educação sempre foi bandeira de luta primordial no movimento estudantil. Por isso, programas como o Prouni e Reuni foram e ainda são defendidos pelos estudantes, mesmo com muitas críticas e ressalvas a condução dos programas.

Em 2004, na gestão do presidente Gustavo Petta, a caravana ”UNE Pelo Brasil”, trouxe para o tema para a pauta. À bordo de um ônibus, a UNE Pelo Brasil somou 18 mil km rodados em 60 dias de viagem.

”Percorrer as universidades brasileiras foi fundamental porque ajudou a entidade a ter uma proposta de reforma universitária que chegou ao Senado Federal. Essa proposta resultou na aprovação de iniciativas como o Prouni e Reuni. Conseguimos influenciar o debate nacional para mudar a composição da universidade”, falou o então presidente.

PNE e 10% do PIB para a educação

Em 2010, a proposta que criava o PNE, previa dentro das 20 metas para os próximos 10 anos o financiamento de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para a área de Educação. A UNE encabeçou esta reivindicação, acreditando que a medida significaria um salto de qualidade importante para a educação pública e gratuita. Em 2012, em meio a greve das federais em todo país, os estudantes se mobilizaram mais uma vez: ocuparam Brasília, tomaram a frente do Ministério da Educação e o Congresso Nacional. Neste dia, 26 de junho de 2012, os 10% do PIB para a educação foram aprovados. Em 2014 o PNE foi promulgado, mas infelizmente até hoje apenas uma das metas foi alcançada. O financiamento que viria dos royalties do Pré Sal também ficou comprometido com o leilão que retirou a Petrobras como única operadora da reserva.

Luta contra o golpe

Durante os oito meses em que tramitou o processo de impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, os estudantes não esmoreceram. Foram milhares de manifestações por todo país, numa luta incansável em defesa da democracia. Entre os destaques está o protesto de 18 de março de 2016, quando um mar de gente formou uma trincheira colorida de resistência e tomou conta da Avenida Paulista em SP com mais de 350 mil pessoas. Em 31 de agosto, quando o golpe foi consolidado, os estudantes bradaram: ”Não nos calaremos. Fora Temer!”

 

Luta contra a EC95

Em outubro de 2016, os estudantes e movimentos sociais se uniram para dizer não ao retrocesso do pacote de maldades imposto pelo governo golpista. Protestos, passeatas e até a ocupação do escritório da presidência, em São Paulo, marcaram o mês.
Em todo o Brasil escolas e universidades foram ocupadas por estudantes que lutavam contra os retrocessos na educação e a ”PEC da maldade”. Aprovada e transformando em Emenda Constitucional 95, hoje é a principal ação a ser combatida pelo movimento estudantil e social em todo país que reinvindica a revogação da emenda.

 

UNE Volante

Em 2018, a terceira edição da caravana UNE Volante percorreu 11 universidades nas 5 regiões brasileiras defendendo a democracia e o ensino público. O projeto promoveu debates e atos sobre temas como eleições, organização das cidades, desigualdade, violência, e, claro, educação. Paralelo à caravana, aconteceu o Festival Inquietações, promovido pelo Cuca da UNE. Nele se apresentaram artistas das universitários e das comunidades.

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