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UNE, 79 anos, parabéns! O plebiscito é a resistência!

16/08/2016 às 18:54, por Renata Bars.

Em novo artigo,  presidenta da UNE fala sobre o desafio de impedir o desmanche da educação pública no país 
A presidenta da UNE, Carina Vitral, continua sua coluna no site Conversa Afiada. O site do jornalista Paulo Henrique Amorim é desde que foi criado em 2006 uma referência para a imprensa livre e espaço de questionamento político e contraponto à imprensa formal no Brasil. Neste novo post ‘UNE, 79 anos, parabéns! O plebiscito é a resistência!’, Carina fala sobre o aniversário da entidade, comemorado no último dia 11 de agosto, plebiscito por novas eleições e os desafios colocados para impedir o desmanche da educação pública no país.

Confira na íntegra:

Nós estamos apenas começando

Se o movimento estudantil fosse um organismo físico, um corpo como o dos seres humanos por exemplo, ele já estaria sentindo os sinais do tempo: articulações com mais dificuldade, músculos com menos força, um pouco de dificuldade na memória ou formulação dos pensamentos. Mas um organismo como a União Nacional dos Estudantes, que completou no dia 11 de agosto os seus 79 anos de idade, não vive apenas do mundo físico. Esse é um corpo formado de sonhos, um esqueleto de coragem reunida, um tecido de amor e de ousadia, uma pele mutante colorida pelas ideias de cada geração.

Não que este seja um corpo sem história. Muito pelo contrário. Nessas quase oito décadas, o movimento estudantil brasileiro participou de absolutamente todos os momentos mais importantes do país, com papel protagonista, o enfrentamento de golpes e ditaduras, a luta pela educação pública de qualidade, a afirmação da soberania nacional.

É uma trajetória que inclui o esforço dos estudantes para a consolidação da democracia e a emancipação do nosso povo, para a promoção da cultura, para o combate aos preconceitos e as injustiças. A vida da UNE até aqui custou, em alguns casos, a vida daqueles que lutaram em seu nome. Heróis como Helenira Resende, Honestino Guimarães, Alexandre Vanucchi Leme, tantas e tantos que inspiram os que vieram depois e estão aqui lutando.

O caminho percorrido até aqui já foi intenso, porém, a conjuntura dos acontecimentos desse doloroso 2016 mostra que a jovialidade da UNE e dos movimentos de juventude brasileiros nunca foi tão necessária como neste momento. Nossa entidade caminha para os seus 80 anos presenciando, mais uma vez, um golpe contra a ordem democrática e a tentativa de desmonte das bases sociais do nosso país.

A brutalidade institucional do falso processo de impeachmente da presidenta Dilma – que ocorre no mesmo agosto do nosso aniversário – coloca à nossa frente um desafio complexo, uma trincheira inédita que requer muita unidade e inteligência.

A UNE coloca a sua história e sua experiência, neste momento, como fiadoras da proposta cada vez mais consolidada nos movimentos sociais pelo plebiscito popular para novas eleições. Os estudantes sabem que os golpistas que tomaram de assalto o Palácio do Planalto não têm a simpatia da maioria da população, não representam os reais interesses do povo brasileiro, não seriam aprovados nas urnas, com seu programa excludente, pela massa de mulheres, negros, indígenas, jovens, pela população LGBT, por quem realmente compõe o nosso povo.

Essa é a forma de resistirmos e vencermos um governo ilegítimo que já ameaça o desmonte das leis trabalhistas, o massacre sobre os aposentados e pensionistas, o sucateamento dos serviços públicos em nome dos interesses financeiros de quem estava querendo lucrar com a crise. É a forma de impedirmos o desmanche da educação pública com o fim do Plano Nacional de Educação, a perda dos recursos do petróleo e do pré-sal que iriam para as universidades, o ataque à assistência estudantil e as cotas. É a forma de fazermos frente ao projeto fascista da Escola Sem Partido que já traz considerável ameaça.

A UNE, aos 79 anos, convida o Brasil para começar de novo, de peito aberto e sem medo, em um processo que seja liderado pelas cidadãs e cidadãos brasileiros de forma popular, democrática e legítima. Ainda somos uma nação jovem, com uma democracia mais jovem ainda, que pode e deve aprender com os obstáculos para prosseguir em sua trilha. Precisamos enfrentar os que querem colocar um ponto final na história de conquistas sociais dos últimos anos, que só foram possíveis por causa das nossas lutas. Não há nada que possa encerrar a esperança no nosso país. Deixemos, no lugar do ponto, as reticências. Nós, a UNE e o Brasil, estamos apenas começando….

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