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Uma UNE cada vez mais negra mostra a sua cara no CONEG

16/07/2016 às 19:02, por Renata Bars.

 

Debate destacou empoderamento do povo negro e combate ao genocídio da juventude negra no país

A mesa destinada ao debate sobre o extermínio da juventude negra no Brasil que foi realizada durante o segundo dia do 64º Coneg ultrapassou o tema proposto e mostrou a transversalidade da luta contra o racismo.

Clédisson Junior, ex-secretário do Conselho Nacional de Direitos Humanos, e Edson França, ex-presidente da União dos Negros Pela Igualdade (Unegro), debateram com os estudantes temas como educação, estética, luta, direitos lgbt e violência.

”É impossível discutir o racismo dentro de um único tópico. Essa questão perpassa diversos aspectos e por isso o debate não se restringe somente na violência sofrida pela juventude negra”, falou Edson.

A importância do empoderamento negro e a ocupação de cada vez mais espaços na sociedade foi consenso entre os debatedores e o público formado por lideranças estudantis de todo o Brasil.

”As mulheres negra sofrem inferiorização social. Somos constantemente sexualizadas, somos as que mais morrem e a maioria na população carcerária. Sabemos que nossa presença incomoda, mas não podemos nos intimidar. Vamos ocupar as universidades cada vez mais, sem medo”, interviu uma estudante.

Luta para além da política

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Cledisson chamou atenção para a necessidade de ampliação do debate do racismo além de uma concepção fechada na política.

”Muitos jovens estão alheios às organizações políticas e fazem o debate do racismo através de temas como a estética, por exemplo. É importante dialogar também com essa turma, que não é pequena e faz um debate importante sobre a negritude e o orgulho de ser quem somos”, pontuou.

A produção cultural por meio da música, da religião também foi apontado pelos debatedores como uma forma de resistência do povo negro.

5º ENUNE

O debate sobre racismo no 64º CONEG ocorre às vésperas do 5º Encontro de Estudantes Negros, Negras e Cotistas da UNE (Enune), que acontece de 5 a 7 de agosto em Salvador.

Sob o tema ”Minha presença te incomoda? Conquistar direitos e afrontar o racismo”, o evento foi lembrado como um importante espaço para a construção da luta no combate ao preconceito enraizado na sociedade.

”Organizar esses debates e construir o Enune tem sido uma vitória política até mesmo dentro da UNE. Nunca tivemos uma UNE tão negra. Nossa tarefa é colocar cada vez mais o racismo no centro do debate num processo de empoderamento racial. Nesse sentido, o 5º Enune com certeza está se encaminhando para ser o maior da história”, falou o diretor de Combate ao Racismo da entidade, Rodger Richer.

O extermínio da juventude negra também foi tema durante o 4º Enune, em abril de 2015. Na ocasião uma chacina no bairro do Cabula, em Salvador, ceifou a vida de 12 jovens negros.

Para Cledisson, o debate sobre o extermínio da juventude negra perpassa pelo debate da segurança pública. ”A violência contra a população negra é uma violência de Estado. Do ano passado pra cá, não houve uma melhoria nessa questão, há sim uma maior reflexão acerca do tema, mas na prática a juventude negra continua sendo morta nas ruas. Com certeza esse deve ser um ponto bem debatido neste Enune e em toda base do movimento estudantil”, disse.

→ As incrições para o 5º Enune estão abertas e você pode fazer sua neste link: http://fenead.credencialeventos.com.br/5-enune-encontro-de-negros-negras-e-cotistas-da-une#registration

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