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Uma educação fora do armário; Painel discute ensino sem LGBTfobia

12/06/2016 às 13:06, por Cristiane Tada.

Renovar currículos, ampliar a discussão, construir uma nova escola e a universidade são alguns dos pontos levantados pelos convidados

A principal discussão da tarde de sábado (11), do 2º Encontro LGBT da UNE que termina neste domingo (12), na Faculdade Zumbi dos Palmares em São Paulo foi sobre educação.

A estudante de pedagogia da Unesp, Rita Pereira, lembrou que a educação é um direito que está na Constituição , mas não são todas as pessoas que tem esse direito respeitado.

Ela lembrou da cruzada dos secundaristas paulistas no fim do ano passado, e em diversos países, onde os estudantes estão lutando contra a precarização do ensino.
E afirmou que em reflexo à luta secundarista nos últimos tempos a educação superior e educação básica estão começando a se organizar por melhorias e qualidade.

Rita alertou que ainda sobre a necessidade de um novo currículo na educação num modo geral, inclusive a universitária. Para ela apesar da exclusão da discussão de gênero nos Planos municipais e estaduais, ela já está acontecendo mas no padrão “deles”.
” A educação que temos não é pensada para nós LGBT, principalmente as periferias, a educação que recebemos é fragmentada, não formar um indivíduo e é muito importante a gente reivindicar uma educação libertadora”, ressaltou.

A pedagoga, ex-diretora LGBT da UNE, Larissa Passos, atua na educação infantil há 8 anos.
Ela contou sua luta pessoal contra o preconceito por ser lésbica e negra no seu meio profissional na região do Recôncavo da Bahia. E afirmou: “eu preciso afirmar minha competência toda a hora”.

“A população LGBT não está inserida no mundo do trabalho, é muito complicado sair da universidade e entrar nesse mundo”, afirmou.

Sobre a formação escolar Larissa questionou até que ponto a comunidade é ouvida durante a confecção dos planos de ensino. “É importante que a família faça parte, essa escola tem que ser reinventada. Volta e meia eu escuto que rosa é pra menina na minha sala de aula de alunos de 5 anos. Como a gente consegue dialogar com esse discurso que ela ouve em casa?”.

Para a pedagoga ainda é preciso questionar o formato para além do currículo. “Eu preciso existir e eu não existo nessa a formação. A gente precisa existir no Brasil. As políticas são feitas por números e os LGBT precisam aparecer, nas pesquisas, para o IBGE”.
Julian Rodrigues, militante LGBT e pesquisador nessa área, ex-vice presidente da UNE, falou sobre a política nacional e alertou que o golpe de Temer veio desmontar todas as políticas sociais, privatizar o que sobrou de público, atentar contra os direitos humanos, contra as mulheres e os LGBTs. Para ele “temos a responsabilidade de construir uma estratégia de luta”.

E completou: “nós não temos a diversidade na pesquisa, a universidade ainda precisa sair do armário, e é nossa tarefa, do movimento estudantil, dos professores e pesquisadores para construirmos uma educação diversa que respeite cada um “, afirmou.

Nada sobre nós sem nós: temos que existir

O sociólogo Leonardo Nogueira, ressaltou o papel da educação no combate ao preconceito como instrumento de combate ao sistema vigente racista e machista.
” A persistência da LGTBfobia na universidade não está desvinculada com os preconceitos de relação de classe e etnia. O patriarcado organiza nossa sexualidade e a nossa identidade de gênero como se fosse um destino biológico, e ser LGBT é uma afronta. Se estamos aqui hoje falando isso num encontro LGBT da UNE é porque há anos atrás tiveram lutadores e lutadoras do nosso povo que mesmo diante de um regime militar resistiram”, afirmou.

Leonardo destacou que a escola é um palco de hostilidades e citou pesquisa da Fundação Abramo que revela que 27% dos estudantes não queriam ter colegas de sala LGBT. “Precisamos lutar barrando o avanço do conservadorismo na sociedade que tem ido para as Câmaras ir contra os projetos de debate de gênero, precisamos do protagonismo no movimento estudantil, do movimento LGBT, dos jovens, ampla unidade dos setores de esquerda para construir a educação que tanto queremos”.

Já a professora Adriana Sales, a segunda travesti brasileira e concluir o mestrado na Unesp e agora doutoranda na mesma instituição contou que são espaços como o Encontro LGBT da UNE que contribuíram para que ela avançasse na academia.
Adriana afirmou “que essa universidade que eu vivo hoje, ela não me contempla, ela não contempla a minha população. Essa escola precisa ser implodida, eu não sou só gênero e sexualidade, existe muita mais questões que me perpassam”.

A professora explica que é necessário pensar um diálogo com vivências, que o movimento LGBT tem avançado e já conseguiu invadir a escola e a academia, seguindo o espaço do movimento das mulheres. ” Hoje temos a consciência que as pessoas não vão mais falar pela gente. Isso vem incomodando porque essas vozes ecoam cada vez mais alto. Saímos dos espaços marginais e temos que pensar políticas nos espaços de governo, mas temos marcas nos nossos corpos, carregamos essas marginalidades”, finalizou.

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