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Em um ano de gestão, UNE se fortalece nas ruas diante da onda conservadora

07/06/2016 às 19:11, por Cristiane Tada.

Em uma conjuntura política de ataque à democracia, juventude mostra que o movimento estudantil está mais vivo que nunca

Há um ano terminava o maior fórum do movimento estudantil brasileiro. Entre os dias 3 e 7 de junho de 2015 aconteceu em Goiânia (GO), o 54º Congresso da UNE (Conune). O encontro realizou 50 debates, com mais de 60 convidados que trocaram experiências com 10 mil estudantes de todos os Estados, representando mais de 98% das universidades do país.

A gestão 2015/2017 começou com maior representatividade da história da UNE e parece que já dizia ao que vinha. Em um ano foram diversas pautas importantíssimas para a juventude e uma conjuntura de disputa política cada vez mais acirrada. Sem medo da luta e reafirmando seu papel ao lado da democracia e dos avanços progressistas a UNE relembra seus principais momentos.

Carina Vitral é eleita nova presidenta da une

Pela primeira vez na história, a entidade teve uma sucessão entre mulheres:  a pernambucana Vic Barros passou o bastão para a estudante de economia paulista Carina Vitral. Carina foi eleita pela chapa “O movimento estudantil unificado contra o retrocesso em defesa da democracia e por mais direitos”, que obteve 2.367 58,14% dos votos válidos.

 

Relatório final da Comissão da Verdade da UNE

Após dois anos de pesquisas, a Comissão Nacional da Verdade da União Nacional dos Estudantes lançou o seu relatório final durante um ato no 54º Congresso da UNE. Os pesquisadores levantaram o nome de 85 universitários assassinados e desaparecidos no regime militar, entre eles Honestino Guimarães, ex-presidente da UNE desaparecido desde 1973, e Helenira Rezende, ex-vice-presidenta da entidade, morta na Guerrilha do Araguaia.

A publicação traz artigos com a história da entidade no período que antecedeu o golpe de 1964 até a campanhas pelas Diretas e a redemocratização do país, nos anos 1980, com foco na resistência estudantil e popular à ditadura militar.

Ocupe Brasília contra cortes, contra redução e por mais educação

A gestão 2015/2017 já iniciou com luta e ocupação. Direto de Goiânia rumo a capital federal uma caravana com mais de 200 estudantes da entidade junto com a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) organizam o movimento “Ocupe Brasília” que começou com um acampamento em frente ao Ministério da Fazenda, e se multiplicou com diversos atos em Brasília durante Junho.

As ações faziam parte da campanha “Nenhum centavo a menos para a educação! Eu quero 10% do PIB”, aprovada no Congresso que rechaçou o corte de R$ 9 bilhões no setor argumentando que a ação estava na contramão da transformação do Brasil. A UNE chegou a se reunir com o então ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, para tratar sobre as mudanças anunciadas no Fies e para rechaçar os cortes.

 

Menos Corte brasilia

Contra a Redução da Maioridade Penal

Além disso, o “Ocupe Brasília” também se posicionou veementemente contra o projeto de redução da maioridade penal de 16 para 18 anos, a PEC 171/93.

Os estudantes chegaram a impedir que a Comissão Especial da Câmara dos Deputados votasse arbitrariamente a proposta da redução e realizaram uma plenária com diversos representantes dos movimentos sociais.

Os estudantes fizeram ainda várias blitzes no Congresso Nacional e escolas da região.

 

Posse da UNE pede Pré-Sal para a Educação

No dia 14 de julho 85 diretores de universidades de todo o Brasil tomaram posse da gestão 2015/2017 da União Nacional dos Estudantes. A posse da nova diretoria da entidade aconteceu em um dia movimentado em Brasília junto a um ato em defesa da Petrobras e contra o projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP) que retirou a estatal como operadora única da camada Pré-Sal no Brasil. A proposta representa uma ameaça a uma das grandes conquistas da juventude nos últimos anos, os investimentos do Fundo Social do Pré-Sal para a educação.

I Fórum das Juventudes do Brics

Nos dias 27, 28 e 29 de julho a UNE participou da primeira reunião do Fórum de Juventude dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e da Organização para Cooperação de Xangai em Ufa, na Rússia.

As delegações brasileiras e sul-africanas fecharam com o presidente da União da Juventude Russa a fim de aprofundar o intercâmbio cultural, científico, tecnológico e educacional entre os países.

Seminário de Gestão

O I Seminário de Gestão (2015- 2017) da UNE realizado dias 01 e 02 de agosto teve o objetivo de planejar e organizar as ações da entidade. Os 85 diretores da UNE, de todas as regiões do País, aprovaram em São Paulo o planejamento da gestão e um calendário para a Jornada de Lutas da Juventude Brasileira.

 

Seminario de gestão 2015 2017

78 anos da UNE e Jornada de Lutas

No dia do seu aniversário de 78 anos, dia 11 de agosto, e início da Semana do Estudante, a UNE e demais entidades estudantis iniciaram a Jornada de Lutas pela Democracia com uma série de mobilizações em Brasília e em todo o Brasil contra os cortes na educação, por uma nova política econômica, contra a redução da maioridade penal e em defesa da Petrobras pelos royalties do petróleo para o setor.

Já no dia 15 de agosto em São Paulo, a juventude ocupou o Capão Redondo, uma das áreas mais criativas e estigmatizadas da capital paulista para realizar mais um Festival Amanhecer contra a Redução.

 

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Um dos principais atos da Jornada aconteceu no dia 20 de agosto com uma grande manifestação em unidade com demais movimentos sociais e centrais sindicais em defesa da democracia, dos direitos sociais e trabalhistas e da Petrobras.

Primavera das Mulheres

Em meio a uma séria crise econômica e política, enquanto o conservadorismo mostrava suas garras e os movimentos sociais enfrentavam batalhas árduas pela garantia de direitos, as mulheres foram às ruas. O movimento teve início no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, e se espalhou por todo o Brasil. Nas redes, milhares delas compartilharam hashtags, sororidade, empoderamento, mudanças de valores, libertação.

A principal motivação foi o Projeto de Lei 5069, de autoria do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB- RJ) aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da casa no dia 21 de outubro.  O texto tirou das mulheres vítimas de violência sexual o direito ao atendimento imediato previsto para uma situação de estupro. Também criminaliza a propaganda, o fornecimento e a indução ao aborto e a métodos abortivos. Isto significa a restrição do uso da pílula do dia seguinte e a burocratização ainda maior do acesso aos equipamentos de saúde, que nestes casos já são pautados pelo constrangimento e pela falta de atendimento especializado.

Outro fato marcante foi a campanha #primeiroassédio, iniciativa de um site voltado às questões de gênero, que viralizou pela internet em pouco tempo, encorajando mulheres de todos os lugares a expressarem suas experiências com a violência sexual.

 

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Ocupações nas escolas de SP

Em Novembro os secundaristas paulistas deram uma verdadeira aula de resistência e mobilização em defesa da educação pública e de qualidade em São Paulo. Foram mais de 220 escolas ocupadas contra a ameaça de fechamento e sucateamento de 94 instituições.

Em todo país, estudantes de diversos estados, artistas, e toda comunidade escolar prestaram solidariedade aos manifestantes. A sede as entidades estudantis na Rua Vergueiro, 2485, Vila Mariana, próximo ao metrô Ana Rosa, na capital, se tornou em ponto doações de comida, materiais de limpeza, bem como ponto de referência para toda sociedade que teve interesse em oferecer ajuda para as escolas. O endereço também abrigou uma grande assembleia com representantes das ocupações.

No dia 27 de novembro os professores da rede pública do Estado de São Paulo, estudantes secundaristas e diversos movimentos sociais tomaram as ruas da capital paulista na tarde em solidariedade às ocupações estudantis contra a (des)organização e em combate à política para a Educação do governo Geraldo Alckmin.

O movimento de ocupação depois ganhou todo o Brasil. Hoje, instituições no Rio Grande Sul, Ceará, Mato Grosso, Pará, Rio de Janeiro e de muitas outras cidades e Estados estão ocupadas em defesa de uma educação de qualidade.

 

Escracho contra Eduardo Cunha

Também em Novembro jovens que acompanhavam a sessão no Plenário da Câmara dos Deputados em Brasília, lançaram no então presidente da casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) milhares de “dólares” fictícios estampados com o rosto do parlamentar. O ato conhecido como “escracho” tinha como objetivo escancarar as acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro contra o deputado peemedebista.

Depois do ato, o secretário-geral da UNE, Thiago Pará, chegou a ser detido pela polícia legislativa, escutados e liberados logo depois. Cunha é acusado de receber US$ 5 milhões, para facilitar o contrato de aluguel de navios-sonda entre a Petrobras a empresa Samsung Heavy Industries.

A entidade lançou oficialmente a campanha Fora Cunha, ciente que o parlamentar desempenhava no Congresso Nacional o papel de fiador de interesses reacionários, retrógrados e conservadores, que vão contra a população brasileira, incluindo a juventude.

 

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 Luta contra o Golpe

Durante o mês de dezembro a luta contra o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff se intensificou nas entidades dos movimentos sociais. Uma grande massa de estudantes, professores, juristas renomados, economistas, artistas, e intelectuais divulgaram manifestos, organizaram atos, nas universidades de todo o Brasil estudantes organizaram Comitês pela Democracia que mobilizavam a população e explicaram os reais motivos para a cruzada contra a presidenta democraticamente eleita.

A UNE foi admitida como “amicus curiae” na ação que decidiu sobre o rito do impeachment pelo STF e argumentou que a forma como foi criada a Comissão Especial na Câmara violou preceitos democráticos.

 

Fora Bolsonaro

Diversos coletivos ligados à causa LGBT, movimentos de mulheres e de defesa dos direitos humanos, realizaram em Janeiro uma manifestação pacífica contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) – que constantemente incita a homofobia e a misoginia, entre outras violências. Durante sua passagem pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul ele foi alvo de uma “chuva” de glitter cor de rosa ao som de gritos de “homofóbico” e “fascista” de integrantes do Levante Popular da Juventude.

 

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UNE retoma participação no Conselhão

No mesmo mês a UNE retomou sua participação no Conselho de Desenvolvimento Econômico, o “Conselhão”. Um encontro em Brasília fez parte da estratégia do governo federal de encontrar alternativas para retomar o crescimento do país. Fundado em 2003 pelo então presidente Lula, o Conselho, tem como função ser um canal de diálogo informal com a sociedade.

Maior EME da história da UNE

De 25, 26 e 27 de março quase 3 mil mulheres estudantes participaram do maior encontro feminista da América Latina, o 7º EME da UNE.  Foram intensos dias de diálogos, discussões, diversidade e sororidade. O principal texto do 7º EME da UNE, a Carta Niterói, trouxe os principais anseios das feministas acumulados no fórum e defendeu “Uma democracia real que não retire os direitos das mulheres” entre outras coisas. Também foi aprovada uma Campanha Nacional de conscientização contra a violência das mulheres estudantes nas universidades.

 

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Marcha da democracia em Brasília

Durante março os estudantes realizaram uma caravana rumo a Brasília, viabilizada a partir de uma campanha de doações, para tentar barrar o golpe institucional que afastou da presidenta Dilma Rousseff. Acampados no Ginásio Nilson Nelson na capital federal, estudantes de vários Estados unidos a diversas entidades do movimento social, organizaram passeatas, intervenções e blitzes no Congresso Nacional.  Organizados eles visitaram gabinete por gabinete, para apresentar aos parlamentares os motivos porque a juventude não apoiou o impeachment sem base legal.

Neste sentido foi entregue ainda ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), uma carta da UNE.

No dia 31 em Brasília uma marcha reuniu milhares de pessoas que pediram por democracia e defenderam o poder soberano das urnas.

 

Debate com o MBL

A presidenta da UNE, Carina Vitral, participou de um debate na TV Folha com o coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri. Apesar dos ataques pessoais e da tentativa de desestabilizar a representante dos estudantes, Carina de um show de argumentos e democracia, e o vídeo viralizou na internet.

 

 

#ParaTudopelaDemocracia

Após a aprovação do pedido de impeachment pela Câmara dos Deputados a UNE protagonizou em Abril o Dia Nacional de Paralisação nas Universidades (28). As ações em universidades de todo o Brasil se desdobraram em marchas, trancaços e intervenções de norte a sul. As ações foram uma resposta dos estudantes que não se sentiram representados pela decisão da casa parlamentar.

Fora Temer

Desde que assumiu ilegitimamente o governo interino, Michel Temer (PMDB) tem deixado claro ao que veio atacando políticas públicas e pondo fim a programas sociais. Nesta próxima sexta-feira (10/6), a UNE volta mais uma vez às ruas num dia de resistência e luta contra este governo golpista. Junto com as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, entidades de representação do movimento sindical e social,  será realizado um grande ato nacional pelo ”Fora Temer”. A União Nacional dos Estudantes não vai aceitar os cortes sofridos pela educação.

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