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“Tubarões do ensino” são caçados durante CONEG da UNE

17/07/2016 às 12:09, por Cristiane Tada.

Mesa discutir a mercantilização, fusões e monopólio no ensino privado

A aquisição do grupo Estácio pela gigante Kroton, o que vai gerar o maior conglomerado educacional do planeta, foi ponto principal no debate sobre a mercantilização da educação, as fusões e a monopolização do ensino privado.

A mesa foi realizada durante o 64º CONEG da UNE, em São Paulo, neste sábado (16/7), e contou com a participação de um grupo de estudantes da Estácio (do Rio, Goiás e outros Estados).

Participou também Conceição Fornasari, da Federação dos Professores do Estado do São Paulo (Fepesp), entidade que reúne 26 sindicatos que representam professores e técnicos administrativos do setor privado da Educação infantil, básico e superior.

O golpe na educação

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Conceição Fornasari, da Federação dos Professores do Estado do São Paulo (Fepesp)

Defensora de uma urgente regulamentação do ensino privado e uma melhor educação pública, gratuita e de qualidade, Fornasari disse que “o golpe não é de governo, mas é de projeto e prega a destruição do patrimônio público.”

“Um projeto de nação pode ser entendido pelo projeto de educação. Esse golpe é também para não atingir as metas do PNE”, afirmou.

Para ela, este cenário da educação superior de fusões, monopólio, financeirização e desregulamentação logo chegará na educação básica também. “Centenas de municípios já privatizaram sua educação básica”, denunciou.

Fornasari destacou ainda o ataque aos professores com a redução dos salários. Uma pesquisa encomendada pela Fepesp, de análise econômico-financeira anual de empresas do setor da educação, indicou crescimento de 328%, de 2014 a 2015, da receita operacional bruta da Kroton, Estácio, Anima e Ser Educacional, os maiores grupos do país.

Inversamente proporcional, ela mostrou que a porcentagem gasta com pagamento de salários de professores e funcionários era 40% em 2011 e caiu para 37% em 2015.

Acorto Tisa e a privatização da educação

mesa_privadas_coneg_interna2Mesa debate a mercantilização da educação durante 64º CONEG

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) também foi convidada para contribuir com o debate. A secretária de Assuntos Internacionais da entidade, Maria Clotilde Lemos Petta, disse que no Brasil a elite dominante nunca priorizou a educação, e a defasagem é histórica, inclusive comparada ao restante da América Latina.

“Até hoje não conseguimos efetivar um sistema nacional de educação e não foi por falta de luta, mas por uma elite atrasada. A cada momento que podemos dar um salto, sofremos um retrocesso, que tem sempre a ver com a democracia”, afirmou.

De acordo com a professora, Temer já deu sinal verde para o ministro José Serra comunicar que o Brasil pretende entrar no Tisa, o Acordo sobre o Comércio de Serviços que, na prática, significa a privatização de recursos públicos como saúde e educação.

“Se assinarmos esse acordo, significa que essas grandes corporações de capital estrangeiro que entram no Brasil não serão obrigadas a atender nenhuma legislação nacional. O que está em perigo hoje, internacionalmente, é a escola pública”, afirmou.

Maria Clotilde ressaltou que a financeirização da educação superior atinge os profissionais da educação com redução de salários e, sobretudo, com a questão democrática dentro da instituição.

“Hoje, na maioria dessas faculdades privadas, o sindicato não entra. E o conteúdo do que é debatido dentro das instituições que tem capital estrangeiro também é prejudicado. Os professores beneficiados são os que se aliam aos conservadores e neoliberais”, afirmou.

Para ela, a única saída é que os setores progressistas, as mulheres, os estudantes, advogados independentes, deixem de lado as diferenças e divergências, e lutem pela questão central hoje que é a democracia em todos os setores.

Estudantes querem contrapartidas

A estudante Tássia Lopes, da PUC-RS, destacou a mudança de perfil na universidade nos últimos anos com muitos bolsistas sendo os primeiros da família a conseguir ingressar em curso superior.

“Temos que defender essas iniciativas, como o ProUni e o Fies, mas questionar a lógica de lucro dos tubarões de ensino. Qual é a contrapartida? Uma parte desse lucro precisa ir para a assistência estudantil”, afirmou.

Ela enumerou que esses conglomerados têm grande isenção de impostos e que os estudantes do Fies, por exemplo, paguem juros baixos, o governo paga às instituições com títulos do tesouro que ele recompra na taxa selic. Ou seja, “o estudante paga juros baixos e as universidades recebem a juros altos engordando os bolsos dos tubarões do ensino”, protestou.

Já Guilherme Bianco, da UEE-SP, estudantes de Ciências Sociais da Unesp, criticou que nos últimos anos o orçamento do Fies foi de 1 bi para 13 bilhões, enquanto que nas universidades públicas houve um corte de 50%, afirmou.

“O que precisamos mais do que ser combativos e sermos críticos, é fazer proposições. Entendemos que o ProUni e o Fies são medidas paliativas e que só devem existir com algumas prerrogativas como serem admitidas apenas em universidades com capital 100% nacional, um mínimo de qualidade, pesquisa e extensão, bem como sem aumento abusivo de mensalidade”, disse.

 

Fotos – Rebeca Belchior – CUCA da UNE

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