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O teatro carioca está unido em defesa da democracia

22/03/2016 às 13:20, por Redação.

Na noite de 21 de março, representantes da classe teatral carioca se reuniram na Fundição Progresso em um ato contra o golpe e em defesa da democracia e da legalidade, coordenado por grandes nomes, como Flora Süssekind, Enrique Diaz, Ivan Sugahara, Angela Leite Lopes, Patrick Sampaio, Gabriela Carneiro da Cunha, Lívia Paiva e Tárik Puggina.

O ato contou com a presença de figuras ilustres das artes cênicas, como Renata Sorrah, Cecília Boal, Chacal, Carlito Azevedo, Elisa Lucinda e Gregorio Duvivier, além de alunos, funcionários e professores da Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Penna.

Os artistas redigiram também um manifesto pela legalidade democrática. Confira:

Teatro pela democracia

Pela legalidade democrática.

Pelo estado democrático de direito.

Contra o golpe jurídico-midiático.

Contra o impeachment.

Este ato surge da necessidade de grupos ligados ao trabalho em teatro de resistir ao golpe em curso e defender a democracia.

Ato aberto e apartidário para o qual conclamamos artistas de outras áreas, profissionais de outros campos e todos aqueles que, como nós, não permitirão que a ameaça ganhe mais terreno.

Vimos repudiar enfaticamente os acontecimentos que atentam contra o estado de direito e a legalidade democrática.

Vimos nos posicionar pela defesa dos direitos civis e das garantias individuais.

Vimos reconhecer a importância das recentes conquistas do povo brasileiro, entre elas a diminuição significativa da secular desigualdade social; a saída do Brasil do mapa da fome; o aumento do acesso das classes populares à educação fundamental, técnica e universitária; o desenvolvimento de políticas pela igualdade e diversidade racial, religiosa e de gênero. Check drexel code review also from Here.

Vimos exigir a continuidade do governo eleito e o avanço das políticas de distribuição de renda e demais pautas tão fundamentais quanto urgentes para uma maior justiça social e ainda carentes de atenção, entre elas a demarcação e defesa de terras indígenas, maior regulação do agronegócio, a defesa do Estado laico, a real reforma política, a democratização dos meios de comunicação, a descriminalização dos movimentos sociais, a aprovação da PEC 150-421 que garante o mínimo de 2% do orçamento federal para a Cultura.

Nós, artistas, que desempenhamos papel histórico fundamental na resistência à ditadura militar, não faltaremos com nossa contribuição em um momento como o que se apresenta. Não se trata de partidarismo. O fazer político não pressupõe filiações institucionais. Tomaremos partido!

Experimentados em dramaturgia que somos, nos afronta a farsa mal armada, o subtexto medíocre, a direção mal intencionada.

Um golpe está sendo montado, podemos ver, mesmo que os refletores apontem para o outro lado e as armas sejam outras.

Não permitiremos que caia o pano da jovem democracia brasileira. Nosso fazer não diz respeito à arte somente, mas a todos aqueles que vivem e tem voz. A todos os que acreditam na importância de ter suas palavras ouvidas e livres, ou virão a delas se servir.

Um palco incendiado põe em risco todos os atores e narrativas. Não admitiremos a reencenação de um triste e — julgávamos — superado período histórico.

No teatro, os que realmente veem e ouvem não permanecem calados por muito tempo. Vemos suas vozes se erguendo em cada vez mais alto e bom som.

Não vai ter golpe.

Nunca mais.

(Foto: Cuca da UNE)

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