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Tarso Genro lembra Congresso da UNE de 66, realizado no porão de uma igreja

25/05/2017 às 18:21, por Cristiane Tada.


Dando início a uma série de reportagens multimídias especiais sobre a relação do movimento estudantil com Belo Horizonte, cidade que sediará o próximo congresso, site da UNE conta a história do encontro clandestino realizado em 1966 dentro de uma Igreja da capital mineira e que venceu a vigilância de cinco mil militares; confira ao final da entrevista link para matéria completa

Descrito como agitador e poeta pelo Departamento de Ordem Política e Social, o futuro governador do Rio Grande do Sul era então um estudante da Faculdade de direito de Santa Maria (RS). Filho do ex-vice-prefeito de Santa Maria, Adelmo Simas Genro, que teve seu mandato cassado pelo golpe de 1964, Tarso era orador oficial de sua turma e foi membro da União Santamariense de Estudantes (USE), acusada de apoiar Miguel Arraes, Leonel Brizola e João Goulart. Posteriormente ele ocuparia os cargos de: prefeito de Porto Alegre; deputado federal; ministro da Educação, das Relações Institucionais e da Justiça de Luiz Inácio Lula da Silva; e governador do Rio Grande do Sul.

Entre as pessoas que se tornariam conhecidas posteriormente envolvidas na história do XXVIII da União Nacional dos Estudantes, estavam também os jovens estudantes: Eleonora Menecucci, de Lavras (MG), que foi ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres de Dilma Rousseff; e Waly Dias Salomão, de Jequié (BA), um dos mais importantes poetas da Tropicália. Ele e Tarso foram presos pela polícia militar após o Congresso. Leia mais abaixo:

O senhor chegou a participar do Congresso dentro da Igreja de São Francisco, em Belo Horizonte? Qual é a sua memória desse Congresso?

Minha memória é nítida. Lembro-me do (José Luís) Guedes comandando uma boa parte das discussões, do Flávio Koutzii reunindo e comandando discussões, ali em nome do Partidão e as movimentações do PCdoB e da AP. Eu estava num grupo de “independentes” que defendia, se não me equivoco, a tese de que o movimento estudantil poderia colocar em cheque e derrubar a ditadura. O MCD (Movimento Contra a Ditadura).

Como foi sua experiência no movimento estudantil universitário? O sr. foi descrito como poeta e agitador. Era um romântico?

Trecho da ficha de Tarso Genro registrada em órgãos de repressão da ditadura militar

Militei até 67 no movimento estudantil. Depois fui destacado para tentar reorganizar o movimento operário ferroviário em Santa Maria, que estava decomposto em fusão de dezenas de prisões feitas contra o PCB, que ali era muito forte. Saí, por isso, das frentes de “agitação” no Movimento Estudantil e participava, a partir dali até 69, de reuniões fechadas e da frente “cultural” do ME. Sim, publicava poesias, à época.

Já havia sido preso? Como foi tratado pela polícia?

Foi a minha primeira prisão. Como o Congresso ainda estava aberto foi armado um cinturão de proteção por parlamentares, o que evitou maiores violências. Fomos tratados com dureza, mas não fomos torturados. Eu, depois que saí da prisão e após o exame médico, fui sequestrado na saída do Dops e fiquei mais alguns dias numa remota delegacia de polícia de Belo Horizonte, sem as mínimas condições de higiene e alimentação. Fomos todos absolvidos na Auditoria Militar de Juiz de Fora, creio que em 1967.

Qual foi o saldo da realização desse Congresso?

A afirmação da UNE como importante centro de resistência à ditadura.

Quais são as principais semelhanças e diferenças da conjuntura desse Congresso de 1966 e do que será realizado em 2017, também em Belo Horizonte?

As diferenças são difíceis de apontar, pois ambos se realizam num ambiente de declínio democrático e de ascenso autoritário. Hoje, a situação estrutural talvez seja mais grave e difícil de enfrentar, pois é a época de controle total do capitalismo financeiro sobre o Estado e do controle fascista da informação pela mídia oligopólica, o que dificulta a formação de uma ampla frente política e social contra o governo.

> Confira aqui reportagem completa sobre o Congresso da UNE de 1996, em Belo Horizonte, realizado clandestinamente dentro do porão de uma igreja.

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