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Sem mulheres diversas no poder não há democracia

31/03/2018 às 19:53, por Cristiane Tada.

Arena repleta na tarde de sábado na Faculdade de Engenharia da UFJF
Fotos: Isadora Mendes e Juliana Mastrascusa/ Cuca da UNE

Principal debate do 8º EME debateu desafios para uma política feminina e feminista em tempos de retrocessos

O principal debate do 8º EME da UNE aconteceu nesta tarde de sábado (31) na UFJF em uma roda viva que reuniu gerações de feministas e falou sobre a resistência feminista frente ao golpe e ao avanço neoliberal conservador.

A pré-candidata a presidência da República, deputada estadual licenciada e ex- diretora da UNE Manuela D’ávila (PCdoB) foi categórica em afirmar que não existirá desenvolvimento nacional se as mulheres não forem protagonistas da construção dele.

Para mim gênero não é uma pauta identitária. Para mim debater mulher é debater o desenvolvimento do Brasil. Como vamos debater indústria se a cada mil brasileiros que entram na graduação só um é uma mulher numa área de tecnologia dura, nas engenharias, na informática. Como é que vai desenvolver a indústria se 52% do povo somos nós mulheres dentro daquilo que há necessidade para que sejamos uma nação desenvolvida?”, questionou.

Manuela D’avila pré-candidata a presidência da República pelo PCdoB

Ela defendeu que é necessário estar ciente que as desigualdades que existem entre negros e brancos, entre mulheres e homens e a força de opressão a população LGBT com o um todo, são centrais para estruturar a desigualdade econômica que são a base da desigualdade brasileira.

O grande grito que nós temos a obrigação dar é que queremos construir um caminho que seja radicalmente democrático e não existe democracia enquanto nós somos invisibilizadas. Não existe democracia enquanto a única candidata mulher de esquerda sou eu, se fomos sobretudo nós mulheres de esquerda que resistimos ao golpe e ao desmonte de Estado isso para mim diz muito. Porque isso demostra que na hora H a democracia não nos envolve diretamente”, reforçou.

Revolução feminista e preta

A vereadora de Niterói, Talíria Petrone (PSOL) afirmou que revolução precisa ser feminista, mas precisa ser preta também e que isso é fundamental.

Que representatividade queremos quando falamos em mulheres no poder? Queremos ocupar o poder para quê? É para subverter, é para romper. É para imprimir um programa de feminismo radical, isso é necessário. A conjuntura está assustadora. O Brasil amarga índices de ser o país que mais assassina transexuais no mundo, o Brasil mata 30 mil jovens por ano e a cada 100 jovens, 71 são negros, isso é real e temos que encerrar agora esse genocídio do povo negro. São filhos de mulheres negras como muitas de nós, isso precisa acabar”.

Vereadora Talíria Petrone (Psol-Niterói)

Talíria defendeu também que é preciso regulamentar o modelo de segurança pública, legalizar e regulamentar as drogas e defender o povo preto. “Isso significa analisar a conjuntura de golpe, mas sem esquecer a realidade brasileira e sem colocar a questão racial como penduricalho como na esquerda. E eu falo nós porque temos que dar a cara ao feminismo que queremos construir”.

A companheira de partido da vereadora carioca assassinada ressaltou também que o assassinato da Marielle foi um ataque ao resto de democracia que existia no Brasil, uma democracia que nunca se consolidou para o povo que vive na favela, uma democracia que nunca existiu mesmo nos anos anteriores, como na Maré, por exemplo, ocupada pelo Exército há muito tempo.

Conservadorismo

A deputada federal, Margarida Salomão (PT-MG) denunciou a aliança entre os ultraliberais e os conservadores atual.

Foi aprovado recentemente a Base Nacional Curricular Comum que reintroduz o ensino religioso e elimina a possibilidade de ter nos currículos escolares a discussão de gênero. Ao mesmo tempo se abriu campo para que conteúdos curriculares sejam vendidos para empresas privadas que virão, por exemplo, a dar aula de inglês na escola pública. Essa aliança espúria agride as mulheres e todas as pessoas que tem uma visão de família como a Marielle que era casada com outra mulher”, destacou.

Margarida também destacou a grande ofensiva neoliberal no mundo todo que ao desmontar o Estado de bem estar social – extinguindo políticas de proteção social- exige que as mulheres voltem para a casa para cuidar dos filhos de dos velhos.

Deputada Federal Margarida Salomão (PT-MG)


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