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“Seguimos aperfeiçoando o socialismo em Cuba”, explica presidente da Oclae

20/07/2015 às 15:14, por Cristiane Tada e Renata Bars com informações EBC.

Presidente da OCLAE, Ricardo Guardia Lugo, fala sobre restabelecimento das relações comerciais de Cuba e EUA

Os Estados Unidos e Cuba reabriram hoje (20/07/2015) embaixadas em suas capitais Washington e Havana, respectivamente, reatando relações diplomáticas oito meses após o início do processo de reaproximação, anunciado em 17 dezembro de 2014. Os países ficaram 54 anos com as relações rompidas, desde 1961.

O presidente cubano, Raúl Castro, afirmou, entretanto, que as relações só estarão “normalizadas” com o fim ao embargo imposto à ilha em 1962. Só o Congresso americano pode acabar com o bloqueio econômico a Cuba, contudo a maioria dos parlamentares tem se mostrado contrários ao fim do embargo.

Castro exige ainda que os Estados Unidos devolvam o território ilegalmente ocupado da base naval de Guantánamo.

Em janeiro deste ano, o presidente da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE), o estudante cubano Ricardo Guardia Lugo, esteve no Brasil para 9ª Bienal da UNE, que ocorreu no Rio de Janeiro.

A OCLAE representa 36 Federações Estudantis do continente, inclusive organizações do movimento estudantil secundarista, universitário e de pós-graduandos de 23 países do Continente Americano com mais de 150 milhões de membros.

Na entrevista abaixo, Lugo explica como estava a situação no seu país em meio as negociações para o restabelecimento das relações entre os dois países. Confira:

Como está Cuba hoje na visão dos jovens?

Cuba está hoje em um processo de atualização do modelo econômico e seu modelo social com o propósito de construir um um socialismo próspero e sustentável. Transformação em nossa economia e mudanças em vários modelos e várias concepções por um propósito final de transformar o país para seguir construindo o socialismo, aperfeiçoando o socialismo. A imprensa de direita a imprensa internacional quer manipular as transformações que estão ocorrendo. O propósito é continuar o estado de bem estar, os logros que a revolução trouxe sobretudo em matéria de educação, cultura, esporte, saúde e essa tarefa é de todo povo cubano e a juventude como parte dela.

Os jovens participaram ativamente e de maneira direta quando se realizou a discussão das propostas que levaram ao 7º Congresso do Partido Comunista de Cuba, que foi onde se aprovou todo esse processo [de transformação em Cuba], os jovens foram parte dessa construção. Os universitários, os secundaristas foram parte dos ciclos de estudos e debates e levaram propostas para essa transformação. Ou seja, a participação é ativa, é permanente e é um processo muito dialético, uma transformação de todos os dias onde os jovens tem um papel fundamental.

E no caso do Movimento Estudantil qual é a participação?

A FEU (Federação Estudantil Universitária) e a FEEM (Federação de Estudantes do Ensino Médio) estiveram muito envolvidos muito particularmente no processo. A FEU em um processo posterior a realização do seu 8º Congresso chegaram a um conjunto de acordos que estamos implementando. Hoje, a FEU está desenvolvendo um projeto que se chama “Projeto Pensamento” que tem a intenção de renovar todas essas questões que a organização permanentemente vem fazendo. A FEU está na primeira linha de combate de todo esse processo da revolução das transformações. Todo dia 27 de janeiro saímos em passeata partindo da escadaria da Universidade de Havana até o lugar que homenageia a figura de José Martí porque se completa o aniversário do seu nascimento e 70 anos da entrada de Fidel na Univerisdade. E, nesse ano o movimento estudantil e sobretudo a FEU com a motivação adicional da mensagem enviada por Fidel à Federação Estudantil Universitária. Uma mensagem que chama todos os jovens a seguir lutando, a seguir mudando, a seguir transformando.

A OCLAE celebrou em 2014 o seu 17º Congresso Latino Americano e Caribenho de Estudantes (CLAE)no qual a UNE participou. Quais foram as principais diretrizes para os estudantes do continente?

Foi um congresso que não somente envolveu a OCLAE e suas organizações membros, mas um grupo maior, mais de 70 organizações de todo o continente e América do Norte de quase 30 países. E as principais diretrizes para o próximo período é dar continuidade as lutas que temos avançado desde 2011 e que ainda não se concretizaram muitos dos sonhos do movimento estudantil. Como desde a Reforma de Córdoba que é o princípio histórico de autonomia universitária a luta por seguir construindo uma extensão universitária que sirva realmente para transformar a sociedade a partir da universidade, que ela rompa os seus muros e uma série de elementos que vem desde Córdoba, que apesar as importantes avanços que tivemos nos dias de hoje o movimento estudantil não teve. A luta por educação pública, por educação gratuita e de educação de qualidade são outras que seguimos lutando. Para este ano e para o seguinte em que a OCLAE faz 50 anos temos defendido trabalhar em duas linhas fundamentais: de manter por todos os meios possíveis o combate nas ruas, a pressão e da mobilização social como a principal ferramenta do movimento estudantil para assegurar mudanças desde a discussão e a construção de propostas, como por exemplo o movimento estudantil brasileiro e colombiano e outros tem mostrado que é possível.

Construir e discutir propostas e em outro sentido também temos que ter claro que hoje o movimento estudantil tem um desafio que é não ver-se somente como movimento estudantil, mas entender-se como cidadão da América Latina e do Caribe um continente que está vivendo um importante processo de mudanças e transformações que não podemos perder. Ai segue o embate com o imperialismo e com as forças de direita. Por isso o movimento estudantil deve entender que o centro do nosso combate devem ser a unidade e a construção da Pátria Grande e a verdadeira e definitiva independência da América Latina e Caribe e nesse rumo vai a OCLAE e o movimento estudantil.

Qual a importância da cultura para a integração da América Latina e do Caribe?

A cultura sem dúvida alguma é um dos principais elementos para a integração de nossos povos. Eventos como esse promovem muito a unidade do movimento estudantil em nível de Brasil, em nível de América Latina e da arte, da cultura também e da tecnologia com este elemento unificador. Sobretudo uma cultura e uma arte que traga a memória e reforce a nossa identidade do nosso continente, desse traço que nos identifique como latino americanos essa questão que caracterize os brasileiros e o que caracterizam o resto dos países da América Latina. Preservar esses costumes, essas características próprias e defender essa cultura que é nossa e não essa cultura que vem de outros lugares, não a cultura importada como faz muito bem a Bienal da UNE. E no tema da tecnologia me atreveria a dizer também que temos de seguir defendendo essa ciência e tecnologia que está a disposição de construir uma América Latina diferente, uma ciência e tecnologia à serviço do nosso povo, da mesma forma que a cultura e a arte.

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