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São Paulo: Mulheres declaram “guerra” aos retrocessos do Governo Temer

08/03/2017 às 22:29, por Por Sara Puerta, com edição de Natasha Ramos.


Foto: Amanda Macedo/UBES

Marcha de milhares em SP protesta contra reforma da previdência  violência  e defende legalização do aborto

Milhares de mulheres lotaram as ruas da região central da capital paulista nesse 8 de março. Por volta das 16h, a organização já estava calculando uma multidão de 5 mil mulheres concentradas na Praça da Sé, em frente à Catedral, no marco zero de São Paulo. Esse ano a pauta unificada das organizações sociais e do movimento estudantil foi “Aposentadoria Fica, Temer sai – Nós paramos pela vidas mulheres” que se posiciona fortemente contra a Reforma da Previdência.

Para Claudia Rodrigues, presidenta da União Brasileira de Mulheres em São Paulo, se essa proposta continuar, a pirâmide da base, que são as mulheres, não vai conseguir se aposentar.

“Não podemos deixar essa proposta maldosa passar. Pelos meus cálculos, eu que trabalho desde os 9 anos de idade, e já tenho 22 de contribuição, só vou poder me aposentar aos 73 anos. Quem aguenta chegar até lá trabalhando?”.

IMG_6946Foto: Amanda Macedo/UBES

E acrescenta: “Nessa proposta, ele extermina um direito nosso conquistado, que diferencia nossa idade para a aposentadoria da do homem, uma vez que temos jornada dupla de trabalho’, disse Claudia.

Com a presença de diversas baterias dos movimentos feministas, foram feitos jograis, versões de músicas e palavras de ordem. A Marcha Mundial das Mulheres organizou um grupo de ritmistas com instrumentos feitos em latas e barris de plásticos. Sarah de Roure, uma das lideranças do movimento anunciou:

“Esse 8 de março vai entrar para história porque essa reforma da previdência afeta diretamente a vida das mulheres, e não podemos nos calar diante desses retrocessos que são anunciados”.

No manifesto dos movimentos feministas que construíram o ato, lido no início da marcha, foi defendida a legalização do aborto – pelo direito de decidir sobre o corpo –   contra o feminícidio, a violência e o  golpe no país, que é racista e patriarcal, e muda as leis trabalhistas  prejudicando as mulheres. Sob o coro de ” Fora Temer”, as milhares de mulheres seguiram para a Avenida Brigadeiro Luís Antônio para encontrar professoras que estavam em assembleia no Vão Livre do Masp, e finalizaram o ato na Praça da República, com cerca de 10 mil pessoas.
Foto: Yuri Salvador/UNE

Foto: Yuri Salvador/UNE

Carina Vitral, presidenta da UNE, lembrou que esse 8 de março tem uma dimensão mundial , uma vez que foi chamada uma greve internacional de mulheres.

“Aqui no Brasil, também tem um significado de luta, uma vez que a presidenta foi derrubada por um golpe machista e misógino e agora esse governo golpista quer retroceder nos direitos das mulheres”.

Luta nas universidades e escolas

Nathalia Miranda, diretora de Universidades privadas da UEE-SP, avalia que o momento atual pede uma intensificação na luta. “Estamos denunciando machismos e opressões, porém a violência contra a mulher acontece na sociedade e na universidades a todo momento. Casos de estupros continuam acontecendo e dificilmente vemos  punições. Continuaremos estudando, resistindo e conscientizando, para que a universidade e a sociedade sejam cada dia lugares mais democráticos e agradáveis para todas as Mulheres!”,  afirmou a diretora.

Foto: Yuri Salvador/UNE

A presidenta da UBES, Camila Lanes, também  falou sobre a presença emblemática das estudantes secundaristas, lembradas diversas vezes por sua luta nas ocupações durante o ato.
“Nossa geração é afetada pelas propostas de mudança Previdência e Trabalhista, porque muitas estudantes trabalham e conciliam com os estudos, mas também somos atacadas com a reforma do ensino médio e anunciamos que vamos voltar à luta, e que esse 8 de março e essa mobilização é um anúncio do que virá”, disse Camila.
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