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Samuel Pinheiro Guimarães: um diplomata que não foge da briga

12/06/2015 às 18:39, por Renata Bars.

Defensor histórico da soberania nacional, Samuel Pinheiro Guimarães escreveu uma história combativa na diplomacia brasileira. Em diferentes funções no Itamaraty e no governo, marcou posição contra o intervencionismo norte-americano na ditadura, levantou a voz contra a finada Alca (Área de Livre Comércio das Américas) nos anos 1990 e ajudou a tocar a exitosa política Sul-Sul pós-2003.

Em mais uma participação em encontros da UNE, o professor trouxe sua bagagem ao 54º Congresso para um debate sobre o papel dos Brics (o grupo Brasil-Rússia-Índia-China-África do Sul) na nova ordem mundial.

E, claro, não poderíamos de deixar de conversar com ele.

Qual a importância de um encontro como esse para a juventude brasileira?

A UNE, historicamente, foi muito importante na mobilização da juventude no meio político. O congresso é importante pois também permite o intercâmbio de experiências das pessoas e a organização do movimento político dos estudantes. Aqui podem surgir plataformas, posições da juventude em relação à sociedade brasileira.

Quais são os desafios hoje do Brasil na política externa?

São desafios contados, em grande medida, na questão do desenvolvimento. Somos um país subdesenvolvido, e não é necessário fazer estudo para descobrir isso. A política externa deve ser um instrumento de desenvolvimento. Sabemos também que o Brasil é um país extremamente desigual, e o Estado tem que ter função essencial na política de desenvolvimento. Então é necessário que na área internacional não se criem normas que impeçam essa ação do Estado. Temos que evitar que normas tão cobiçadas pelos países desenvolvidos sejam criadas e que o Brasil venha a aderir essas normas.

Como o sr. avalia o processo de democratização da mídia que já ocorre em países da América do Sul?

É um assunto da maior importância, porque na mídia se forma o imaginário da sociedade. A mídia que constrói os valores, informações que temos sobre ações sociais. Se você tem uma situação de oligopólio, de cartel da mídia, você tem menor diversidade.

A mídia se transformou numa grande empresa comercial. Em muitos casos, está vinculada a interesses de grandes grupos econômicos. Desse modo, ela tende a repetir certo tipo de opinião: sobre economia, sociedade, política.

É necessário democratizar a mídia, e a primeira coisa que deve ser feita pelo governo é democratizar a utilização das suas verbas de publicidade. A legislação sobre grupos empresariais que ocorreu na Argentina foi muito conflituosa, mas se você democratiza o acesso às verbas publicitárias, você dá visibilidade a veículos menores, inclusive aos blogs.

Hoje em dia existem blogs com mais acessos do que os jornais tem leitores, no entanto os blogs não recebem recurso do governo, o que já acontece com grandes jornais e revistas.

Qual é o principal legado que a política Sul-Sul deixa para o país?

Em primeiro lugar, a América do Sul é o centro da política externa. O centro da política externa não pode ser na África, nem na Ásia. Esse é o centro da política externa. Isso foi extremamente importante no governo do presidente Lula, porque ele deu ênfase à nossa política na América do Sul.

O segundo ponto foi a expansão das nossas relações com os países africanos, que são a nossa outra fronteira. Por outro lado foi o grande esforço do presidente Lula na luta contra a pobreza também internacionalmente, replicando o que estava acontecendo no Brasil.

Depois a luta do presidente contra as intervenções militares, como a intervenção militar no Iraque, sempre a favor de construir soluções pacíficas para as controvérsias internacionais. Outro ponto muito importante foi o fortalecimento da nossa capacidade de defesa, que é o programa do submarino nuclear e o programa da construção de aviões militares no Brasil.

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