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Revolucionar a democracia com o feminismo

15/06/2017 às 16:54, por Cristiane Tada / Foto: Karla Boughoff | CUCA da UNE.

Mulheres destacaram a necessidade de unidade das forças populares
Foto: Karla Boughoff | CUCA da UNE

Luta das mulheres no Congresso da UNE aponta unidade pelas Diretas Já

Um auditório lotado com mulheres diversas, de todas as regiões do Brasil, de muitas as cores, opiniões e olhares sobre o feminismo  marcou nesta quinta (15) a abertura dos debates do Congresso da UNE em Belo Horizonte, na Universidade Federal de Minas Gerais.

“A UNE vem incorporando, centralizando e transversalizando a luta das mulheres, como podemos ver já com essa mesa no primeiro dia do seu Congresso”, destacou  a diretora de Mulheres da entidade, Bruna Rocha.

Convidadas de coletivos feministas, partidos políticos, e organizações de mulheres destacaram a necessidade de unidade das forças populares para superar esse momento na conjuntura e caminhar para as Diretas Já.

Bernadete Monteiro, representante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), ressaltou o aumento do conservadorismo em  todo o mundo e na América Latina a ascensão de forças fascistas e a ofensiva neoliberal que aqui no Brasil se manifestou pelo golpe sobre a presidenta eleita Dilma Rousseff.

“Depor e impitimar a primeira presidenta mulher tem uma profunda marca patriarcal e machista que esse golpe teve como característica, para tentar dar uma lição naquelas que estavam se levantando. O feminismo e a luta das mulheres tem ganhado muita expressão no mundo e, aqui na América Latina, tem sido travadas lutas massivas e de rua. Lutas que enfrentam as bases materiais  que estão na divisão sexual do trabalho e na violência contra a mulher, por exemplo. É preciso entender isso para dizer que não aceitamos esse recado que tentaram dar pra gente através do golpe”, destacou. E afirmou: “Não vamos retroceder, não vamos abaixar a cabeça para as elites brancas configurada no governo golpista de Temer”.

A secretária de Desenvolvimento Social do PT, Anne Karolyne Moura, afirmou que a democracia em risco ameaça todas as conquistas e que a palavra unidade tem vindo na frente. “Agora, o que nos une é o direito de escolher quem será nosso presidente”.

                                  Debate abriu o dia de trabalhos no 55º Conune

Moura fez o recorte das mulheres indígenas, que têm se somado cada vez mais na luta, e ressaltou: “É urgente radicalizar na democracia, ter mulheres no parlamento e ter representação da diversidade da sociedade, com negras, indígenas, caboclas”.

Lúcia Rincon, da União Brasileira de Mulheres (UBM) enumerou por quais caminhos homens e  mulheres podem aprofundar essa unidade como a Frente Ampla pelas Diretas Já fundada este mês.

“Precisamos ter conhecimento de quais são as bandeiras dessa unidade. Como a luta contra a Reforma Trabalhista, que nos atinge enquanto mulheres e profissionais. Como a luta contra o  golpe que sofreu o Fórum Nacional de Educação, que teve uma intervenção estrutural e, por isso, nós retiramos e estamos estruturando o Fórum Popular de Educação”, ressaltou.

Para ela o desafio do feminismo é reconhecer que nossa bandeira principal  é defender a democracia de forma intransigente. “Quando a tirania é lei, a rebeldia é justiça”, finalizou.

Feminismo que liberta

Já Marcia Campos, da Confederação das Mulheres do Brasil, lembrou que a fatia para as políticas públicas da mulheres é de apenas 0.05 % do orçamento do país. Ela também ressaltou que hoje 26 milhões de trabalhadores e trabalhadoras não tem mais carteiras e empregos. “E as mulheres são as mais submetidas a trabalho semi-escravo. Libertar o Brasil dos bancos sanguessugas é fundamental para libertar as brasileiras da escravidão”.

A secretária-geral da JSB feminista, Elizabeth Loureiro, ponderou que as mulheres não podem apostar tudo em processos eleitorais. “Sem feminismo não há democracia, mas sem a luta organizada e radicalizada de trabalhadoras e trabalhadoras não existe nem sombra de feminismo”.

Indira Xavier, da Casa de Referência da Mulher Tina Martins e do movimento Olga Benário, destacou que falar de democracia é também lembrar da vice-presidenta da UNE, Helenira rezende, que perdeu a vida na luta.

“Para ser verdadeiramente democrática eu não quero só votar pra presidente, mas quero uma democracia que ensine ao povo que poder não é uma coisa de outro mundo. É o que eu faço no centro de referência, quando ocupamos um prédio público e fizemos dele uma casa para receber mulheres. Nós somos formadoras de opinião, construímos políticas todos os dias e o nosso exemplo reverbera.”

Segundo ela, para a UNE ser condizente com os sangue das suas mulheres que ficaram na história, precisa fazer mais e convocar uma greve geral de estudantes. “Temos que radicalizar, nas ruas, na luta cotidiana para construir essa democracia com o povo e para o povo”.

Quando uma avança, nenhuma retrocede

Professora de rede pública há mais de 20 anos, a travesti Adriana Sales, doutoranda da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) ressaltou com um marco histórico, a UNE sob a liderança de uma mulher, trazer pela primeira vez uma travesti para a mesa de discussão de mulheres..

“Não há outro lugar a não ser esse universo feminista que nos receba. Nos dados oficiais, nós não existimos, porque não há no Brasil nenhuma política para nós, muito menos sobre esse governo. Então estaremos sim aqui na soma dessa resistência, no espaço das mulheres que nos ensinaram a contestação”, afirmou.

 

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