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#ResisteFMU: Estudantes protestam contra a mercantilização do ensino

10/07/2017 às 18:06, por Renata Bars e Sara Puerta.


Novo modelo acadêmico imposto pela mantenedora da instituição reduziu o horário das aulas e provocou a demissão de professores qualificados

Aumento das mensalidades acima da inflação, demissão em massa de professores e a redução da carga horária das aulas são alguns dos motivos que levaram os estudantes das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), em São Paulo, a organizar um protesto para o próximo sábado (15), com concentração a partir das 11h na Praça da Sé, e dizer não à mercantilização do ensino.

As mudanças são atribuídas a uma reestruturação curricular promovida pela americana Laureate, mantenedora da instituição. O novo modelo acadêmico pretende reduzir a carga horária dos cursos em 25%: o número diário de aulas, por turno, passará de 4 para 3 aulas.

”Os cursos tiveram um aumento muito acima da inflação, mas as aulas estão sendo reduzidas. A infraestrutura é péssima, alguns campi não tem ar condicionado, nem ventilador. Outros sofrem com a péssima qualidade dos elevadores. Sem contar com a falta de laboratórios: eu mesmo tenho que assistir aulas práticas em um campus diferente do meu”, denunciou o estudante de Produção Audiovisual e representante do DCE FMU, Marcelo Correa.

Barbara Quenca, secretaria de organização do DCE e estudante de direito, conta que a “reforma” implementada reduz a carga horária de aulas em 25%, que o horário noturno foi reduzido em mais de uma hora.

” A alegação deles para dispensarem os estudantes mais cedo é a segurança, e dizem que para compensar o vão estender o ano letivo, porém ainda não recebemos os novo calendário e continua tudo igual”.

”NÃO SOMOS CLIENTES”

Marcelo denuncia ainda a falta de diálogo com a reitoria e esclarece porque o dia escolhido para o protesto coincide com o dia do vestibular da instituição.

”Realizar o protesto em dia de vestibular é uma estratégia para chamarmos a atenção daqueles que nos tratam apenas como clientes. Não somos clientes, somos estudantes, e esperamos que organizados consigamos estabelecer um diálogo com a reitoria e solucionar essas questões”, falou Marcelo Correa.

O DCE também reivindica mais transparência nas contas da universidade, já que os reajustes acontecem semestralmente, sem que os aumentos de mensalidade sejam justificados. Conforme a lei, é necessário que as universidades deixem acessíveis as planilhas de gastos para a comunidade acadêmica.

DENÚNCIA

O Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), divulgou no final de junho o recebimento de uma denúncia contra a FMU: a instituição foi acusada de articular a redução de salários e demitir mais de 250 docentes.

Uma assembleia de professores foi realizada na sede do Sinpro, no último dia 3 de julho, decidiu por unanimidade entrar em greve contra a tentativa de corte das aulas e a demissão em massa.

Segundo nota publicada no site do sindicato, a ação dos professores será firme: eles querem o cancelamento das demissões e a suspensão da mudança curricular. Se não houver uma resposta satisfatória da FMU, as aulas em agosto não começam: haverá greve. Uma nova assembleia foi marcada para o dia 2 de agosto.

Uma professora do complexo educacional FMU-FIAM-FAAM, contratada há 16 anos, com formação em História e Antropologia pela UFMG, foi demitida recentemente e conta que estão mantendo apenas professores com hora aula no valor de R$ 40.

” É assustador que as demissões estão acontecendo sem pensar em um projeto pedagógico para os cursos, e os docentes devem fazer conteúdo para o ensino presencial e a distância pelo mesmo valor”, contou.

EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA

Em 2013 a UNE lançou a cartilha ‘’Educação não é mercadoria’’. O material é fruto das campanhas da entidade contra a mercantilização da educação. Nele, você pode conferir a trajetória do ensino privado no Brasil e a luta da UNE pela aprovação do projeto de lei que cria o Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior (Insaes) – autarquia que visa regulamentar o setor.

Confira e entenda um pouco mais sobre seus direitos diante dos empresários, os grandes ‘’tubarões do ensino’’:

https://issuu.com/imprensaune/docs/cartilha_educacao_nao_e_mercadoria

Leia também artigo da presidenta da UNE Marianna Dias, sobre a sobre a tentativa frustrada de fusão entre Kroton e Estácio, dois tubarões do ensino superior.

SERVIÇO

O que? Protesto #ResisteFMU
Quando? Sábado, dia 15 de julho a partir das 15h
Onde? Praça da Sé, centro de São Paulo

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