Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

Últimas Notícias

Representante Discente critica recomendação contra Sisu no CEG da UFRJ

20/03/2018 às 17:00, por Redação.
Tags:


Estudante de Gestão Pública para Desenvolvimento Econômico e Social, Bárbara Melo, afirma que rever adesão ao sistema que democratizou acesso é um retrocesso 

Em discussão no Conselho de Ensino e Graduação (CEG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no último dia 14/3, um estudo sobre os impactos do Sistema de Seleção Unificada (SISU) avaliou o programa como instrumento de ingresso na universidade.

Por meio de análise de questionários e do banco de dados de matrículas a recomendação final do estudo para a administração da UFRJ é rever a adesão ao Sisu.

A representante discente estudante de Gestão Pública para Desenvolvimento Econômico e Social, Bárbara Melo, acompanhou a discussão e criticou a recomendação porque acredita que as problemáticas levantadas e as variáveis analisadas são incompletas.

O estudo considera, por exemplo, que um estudante matriculado no primeiro período que depois troca de curso como evasão. Considera ainda a adaptação de currículos como um problema, como se a universidade não devesse se adaptar à realidade brasileira. Insere na mesma estatística de retenção ( ficar mais tempo na universidade que o previsto) quem fica um período a mais, ou cinco, seis, como se fizessem parte do mesmo problema”, afirmou.

A estudante ressaltou ainda que o autor não considera variáveis exógenas, como a crise economia do Estado; alta de aluguéis; o desemprego; que influenciam na permanência do estudante da universidade.

E também outras variáveis como políticas de assistência estudantil inexistentes em alguns campos como de Macaé e Xerém, parciais nos campi da capital, além da dificuldade de uma política de moradia consistente por parte da administração da universidade”, elencou.

E finalizou: “parece que o estudo já partiu previamente de uma análise negativa dos recentes processos de mudança no ingresso na universidade, por isso acredito que ele seja altamente parcial e incompleto. Parece que a visão de muitos é que mais pobres na universidade ameaça a excelência da educação, uma ideia altamente elitista para o movimento estudantil, por isso estamos atentos”, ressaltou.

democratização Do ingresso

O Sisu foi criado em 2009 e popularizou o acesso as universidades públicas através de um único sistema informatizado gerenciado pelo MEC que passou a oferecer vagas de diversas instituições públicas de Ensino Superior. Com a solidez do programa cada vez mais universidades passaram a aderir ao sistema.

Durante o ano, o Sisu realiza dois processos seletivos um no início do primeiro semestre e outro no começo do segundo semestre. Para concorrer a uma vaga o estudante precisa ter feito o Enem e não ter nota zero na redação.

Os candidatos que estão concorrendo a uma vaga pelo Sisu são classificados por suas notas no Enem, mas cada instituição pode definir pesos diferentes para cada área do conhecimento do exame, dependendo do curso.

Em 2018 130 universidades públicas do país ofereceram vagas pelo Sisu. A maior universidade do país, USP, ofereceu 2,7 mil vagas, e tem ampliado a sua política de cotas raciais para os ingressantes por meio da adesão cada vez maior ao Sisu.

A Universidade de Campinas (Unicamp) também está discutindo uma proposta de mudança no vestibular que abre ainda mais o acesso a universidade: cotas, Enem, vestibular indígena e vagas para medalhistas de competições científicas. Pela nova proposta 80% das vagas deveram ser escolhidas pelo vestibular e 20% pelo Sisu via Enem. Das vagas do vestibular 15% vão para candidatos autodeclarados negros e pardos e do Sisu metade atingindo um total de 25%. Se aprovadas as novas regras valerão para ingressantes a partir de 2019.

“Universidades importantes estão cada vez mais aderindo ao Enem/Sisu e as cotas, se somando a um coro da sociedade que tem ganhado a opinião pública de que as cotas são fundamentais na democratização do acesso, é um avanço muito importante”, destacou o 1º diretor de Universidades Públicas da UNE e estudante da UFRJ, Leonardo Guimarães. Para ele além de ir na contramão nacional, a desistência da UFRJ de participar do Sisu poderia influenciar demais universidades a saírem do sistema que democratizou a universidade e abriu perspectivas de um futuro melhor entre os estudantes. 

 

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo