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Relembre as 9 edições de Bienais da UNE

17/11/2016 às 17:16, por Cristiane Tada.

Em 2017 a Bienal da UNE comemora 18 anos de realização mergulhando fundo na cultura popular e as raízes de formação do povo brasileiro

São 18 anos da realização que consolidaram a Bienal da UNE como o maior encontro estudantil da América Latina. Desde sua primeira edição em 1999 o objetivo da Bienal da UNE é mais do que ser uma mostra de arte estudantil. As bienais pautam também temas importantes presentes nas lutas do movimento estudantil, como a herança africana na cultura do país, os vínculos do Brasil com a América Latina, a cultura popular e as raízes de formação do povo brasileiro. Em 2017 a 10ª Bienal da UNE com o tema “Feira da Reinvenção” marca o início das atividades de 80 anos da UNE, e quer revelar a sina de um povo que recorrentemente, sob a gravidade das intempéries, enfrenta adversidade com a diversidade.

Confira a nossa retrospectiva:

1ª Bienal

Com a realização da primeira Bienal da UNE, em 1999, na cidade de Salvador (BA), a entidade retomou seu papel de referência no cenário cultural brasileiro. O evento reuniu cerca de 5 mil estudantes, além de diversas personalidades do mundo acadêmico, científico e artístico. A diversidade se deu pelo olhar de artistas como Lenine, Chico César, Jorge Mautner e o grupo Racionais MC’s, que ofereceu aos estudantes uma apresentação memorável. A Bienal homenageou personagens importantes da UNE na Cultura como o poeta Ferreira Gullar e o ator Francisco Milani.

 

2ª Bienal

A iniciativa se consolidou de vez em fevereiro de 2001, com a realização da 2ª Bienal, no Rio de Janeiro (RJ), iniciando também o projeto do CUCA da UNE (Circuito Universitário de Cultura e Arte). Com o tema “Nossa Cultura em movimento”, instigando uma discussão sobre a diversidade cultural brasileira, o evento reuniu mais de 8 mil jovens. As presenças marcantes foram de Augusto Boal, Ziraldo, Oscar Niemeyer, O Rappa e Tom Zé. O “Lado B” (espaço para programação não-oficial) e o “Lado C” (visita e interação com as comunidades dos morros do Rio de Janeiro) foram as grandes novidades do evento.

3ª Bienal

A Bienal realizada em Recife (PE), em fevereiro de 2003, veio para consolidar o projeto CUCA e iniciar a formação de uma rede cultural estudantil organizada nas universidades do país. Naquele ano, a partir da temática “Um encontro com a cultura popular”, o festival trouxe uma programação que discutiu a identidade cultural do povo brasileiro. Foi o momento também de avaliar a postura do novo governo eleito em relação às políticas culturais e à valorização da cultura popular. Participaram o ministro da Cultura, Gilberto Gil, e o escritor Ariano Suassuna.

4ª Bienal

Em 2005, com o tema “Soy Loco por ti América”, a 4ª Bienal teve o propósito de provocar uma reflexão sobre as possibilidades da integração do continente, a partir do diálogo entre a cultura e as diversidades de seus povos. O festival ocorreu em São Paulo (SP), paralelo ao XIV Congresso Latino Americano e Caribenho de Estudantes (CLAE), fato que viabilizou a vinda de grande número de participantes de outros países. O tema do congresso, “Outra América é Possível”, reforçou a idéia de unidade e integração latino-americana ao propor mudanças na área econômica, política e social. Personalidades como o ministro da educação de Cuba, Vecinno Alegrete, Aleida Guevara (médica cubana e filha de Che), Enio Candotti, Mino Carta, Aziz Ab’saber, Nação Zumbi e Serginho Groisman marcaram presença.

5ª Bienal

Em 2007, ano da comemoração de seus 70 anos, a UNE retornou à sua casa, a cidade do Rio de Janeiro (RJ), que recebeu mais uma edição da Bienal. Sob as influências dos Orixás, o festival trouxe o tema “Brasil-África: um Rio Chamado Atlântico”, ocupando a histórica região da Lapa. Intelectuais como Alberto da Costa e Silva e Abdias do Nascimento, o ministro Gilberto Gil, o escritor angolano Ondjaki, músicos como Martinho da Vila, Lenine e Beth Carvalho foram as presenças. Ao fim do encontro uma imensa Culturata (passeata cultural) ocupou e retomou a antiga sede da UNE na Praia do Flamengo 132, um marco na luta dos estudantes.

6ª Bienal

No verão de 2009, a cidade de Salvador (BA) recebeu pela segunda vez os estudantes brasileiros. A reflexão sobre a formação do povo brasileiro, no estado da chegada dos portugueses, orientou os debates em uma Bienal carregada por atividades ao ar livre. As duas novidades dessa edição foram a incorporação dos estudantes secundaristas nas mostras e a realização em conjunto com o Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB da UNE), ampliando o caráter do projeto. Alceu Valença, Armandinho e Cordel do Fogo Encantado marcaram presença.

7ª Bienal

Em 2011, o samba deu o tom da Bienal em uma semana de festa e luta no Rio de Janeiro (RJ). Com o tema “Brasil no estandarte, o samba é meu combate”, o evento debateu a força dessa manifestação popular brasileira, seu caráter festivo e de resistência. A Bienal teve como madrinha Beth Carvalho, que emocionou os milhares de estudantes em uma breve, porém histórica apresentação na Cidade do Samba, a casa do carnaval carioca. Martinho da Vila, Leci Brandão, Marcelo D2 e outros bambas da música brasileira cantaram e conversaram sobre o samba, em um evento que ficou marcado também pela saudável estrutura montada no Aterro do Flamengo, com tendas e clima de integração total com a população carioca e a cidade.

8ª Bienal

As cidades de Olinda e Recife, em Pernambuco, foram a sede de uma Bienal voltada para a cultura nordestina em 2013, com o tema A volta da Asa Branca. O festival foi uma grande homenagem ao patrono da cultura popular brasileira, Luiz Gonzaga, que difundiu pelo país gêneros como o forró e o baião. As atividades aconteceram principalmente na tradicional Praça do Carmo, em Olinda. Entre as atrações estiveram Lenine, Elba Ramalho, Alceu Valença e Mundo Livre S/A. A Culturata que marcou o fim do evento teve o ritmo dos tradicionais blocos de frevo pelas ladeiras pernambucanas.

9ª Bienal

Mais uma vez a Bienal voltou ao Rio de Janeiro e reencontrou os Arcos da Lapa e a Fundição Progresso, no verão de 2015. Com o tema “Vozes do Brasil”, os estudantes realizaram uma festa de arte e política em torno da diversidade de expressões e linguagens que se espalham pelo país. A estética das artes de rua, dos lambe-lambes e das mensagens do cotidiano urbano marcaram o evento que reuniu milhares de pessoas em momentos antológicos como o show do rapper Criolo. A Bienal também contou com o encontro dos estudantes e do ministro da cultura Juca Ferreira e com o escritor Ziraldo.

10ª Bienal

Com o tema “Feira da Reinvenção” a edição acontecerá de 29 de janeiro a 03 de fevereiro de 2017, no Dragão do Mar, em Fortaleza no Ceará (CE). Recorre a essa imagem e conceito do mercado popular no Brasil, a feira livre, o espaço aberto de troca com sua miríade de cores, temperos e possibilidades imaginativas. Frente ao momento crítico da história política do país, na reprimenda aos sonhos de sua emancipação e superação de suas injustiças, no golpe e silenciamento dos que lutam face a suas opressões, a União Nacional dos Estudantes evoca a criatividade transformadora da cultura popular brasileira.

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