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UNE investiga a vida e celebra o legado de Helenira Resende

31/03/2015 às 18:30, por Artênius Daniel.

Comissão da Verdade da UNE levantou as informações sobre a jovem, que se juntou à Guerrilha do Araguaia

A vida da jovem Helenira Resende, líder estudantil e vice-presidenta da UNE no final da década de 1960, foi um dos objetos da Comissão da Verdade criada pela entidade estudantil no ano de 2013 e que agora começa a apresentar seus resultados. Assassinada por militares em 1972, Helenira é um dos nomes mais lembrados entre as centenas de estudantes que foram perseguidos e violentados pelo regime no período de maior radicalização da ditadura.

Natural de São Paulo, de uma família de tradição na luta política, ela foi fundadora e primeira presidente do grêmio da sua escola e desde cedo se aproximou dos palanques e dos discursos por um país melhor. Ingressou no curso de Letras da faculdade da rua Maria Antônia, cresceu dentro do movimento estudantil e chegou ao cargo de vice-presidência da entidade máxima dos estudantes em 1968.

O relatório da Comissão da Verdade da UNE sobre Helenira Resende, com informações sobre sua trajetória, perseguição e morte pode ser lido na íntegra aqui.

O estudo é considerado ainda preliminar e servirá para ampliar os levantamentos sobre o caso, como aquele realizado pela Comissão Nacional da Verdade: “Temos um momento importante de abertura dos arquivos da ditadura e precisamos recolher o máximo de informações sobre essas histórias”, afirma a coordenadora da Comissão da Verdade da UNE, a historiadora Raisa Marques.

UMA JOVEM NA MIRA

O relatório evidencia que a jovem Helenira era um dos principais alvos do regime militar. Caçada desde a militância nas entidades estudantis, presa diversas vezes, entre elas na ocasião do conhecido Congresso da UNE de Ibiúna, em 1968, Helenira teve, em seu trajeto final, a participação na Guerrilha do Araguaia, um dos episódios mais obscuros desse período, que reuniu jovens, trabalhadores, intelectuais e outros militantes entre as regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil.

“Durante o período da guerrilha, foram produzidas diversas peças de informação citando a Helenira. Portanto, encontramos mais informações oficiais, das Forças Armadas, sobre ela do que sobre outros estudantes desaparecidos”, explica Raisa Marques.

Segundo a historiadora, Helenira incomodava os militares por sua bravura e habilidade durante o período de resistência. De acordo com os relatos, a estudante foi atacada durante uma patrulha dos militares na região da guerrilha. Foi metralhada nas pernas e, também armada, atingiu um soldado que veio a morrer. Foi então barbaramente torturada e assassinada.

ONDE ESTÁ HELENIRA?

A família de Helenira Resende nunca foi oficialmente informada sobre o que se passou com a jovem, tampouco sobre onde estariam seus restos mortais. Segundo o relatório, em um documento da Marinha ainda consta a cínica informação de que ela estaria foragida. “Assim como no caso do ex-presidente da UNE Honestino Guimarães, há uma grande dificuldade ainda de descobrir o que foi feito com o corpo, onde estaria enterrado”, diz Raisa. Há relatos de que Helenira tenha sido enterrada na região conhecida como “Oito Barracas”.

RELATÓRIO FINAL DA COMISSÃO DA UNE

O relatório final da Comissão da Verdade da UNE deverá ser apresentado no Congresso da UNE, marcado para o início de junho. Segundo Raisa Marques, o texto tenta compreender em que medida o movimento estudantil era um alvo específico da ditadura militar e como esse mapeamento e perseguição aos seus líderes acontecia.

Ela também adianta que o documento da UNE irá trazer observações e críticas à Comissão Nacional da Verdade, criada pelo governo federal e que apresentou seu relatório em 2014: “Lamentamos que esse tipo de iniciativa ainda não seja punitiva, não aplique penas aos torturadores e agentes de repressão”, avalia. O relatório será acompanhado por textos de suporte, escritos por especialistas e autoridades da área de Direitos Humanos, Anistia e da luta pela verdade no Brasil.

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