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Redução da maioridade penal é alvo de críticas na Flip

03/07/2015 às 14:49, por Camila Moraes do El Pais .

Manobra de Cunha vira assunto da festa, que teve Matilde Campilho e Jorge Mauter 

A aprovação na Câmara dos Deputados da redução da maioridade penal no Brasil tem provocado espanto entre convidados e participantes da 13ª Festa Literária de Paraty. A manobra do presidente da Casa, Eduardo Cunha, de colocar o texto da proposta em nova votação menos de 24 horas depois dele ter sido rejeitado por maioria de votos foi um tema transversal nesta quinta-feira – a primeira jornada completa de mesas de autores.

Em uma das principais atrações do dia, a mesa Poesia em 2015, dois jovens poetas arrancaram aplausos da plateia em diversos momentos – um deles, Mariano Marovatto, quando citou a “onda crescente de conservadorismo” no país e o avanço da redução da maioridade na Câmara. Para Marovatto, autor do livro de poemas Casas e de As quatro estações, sobre o grupo musical Legião Urbana, o Brasil vive um momento “Idade Média”. Sua companheira de debate, a poeta portuguesa Matilde Campilho, considerada uma revelação da poesia em português, disse que “o mundo está arrebentado”.

Dois encontros mais adiante na programação, o escritor e agitador cultural Marcelino Freire e o poeta, músico, compositor e tropicalista Jorge Mautner compartilharam no palco principal, mais uma vez, a mesma indignação. Marcelino abriu a sua fala revelando seus estímulos para escrever. Separou recortes de três manchetes do dia, uma delas sobre a aprovação relâmpago da redução, e declarou: “Redução da maioridade penal? Eu escrevo é para me vingar”. Outra das manchetes lidas dizia respeito à ausência do jornalista italiano Roberto Saviano na Flip, depois de cancelar sua participação por falta de um esquema de segurança (Saviano foi jurado de morte pela máfia italiana depois de retratá-la em Gomorra e é protegido pela polícia de seu país). “Não veio? Problema dele. Escapou foi de um atentado amoroso”, provocou.

Com um discurso sempre politizado, ainda que divertido e algo desconexo, Jorge Mautner, à sua vez, falou de “crianças que, antes da redução da maioridade, já eram vítimas”. Tanto Mautner como Freire são, além de escritores, agitadores culturais sempre políticos em seu discurso – segundo o mediador do encontro, Claudiney Ferreira, “se multiplicam nos outros”. Questionados sobre a atual onda de conservadorismo, os dois desafiaram a ideia de que o Brasil está mergulhado em uma crise. “Cometem crimes e põem a culpa no amor”, disse Marcelino. Para Manter, “os problemas do país, que tem todos os recursos, são problemas artificiais”.

Já nos meandros da festa, a redução foi também tema de rodinhas de conversa. Na opinião da secretária de Cultura de Paraty, Cristina Maseda, “o problema da violência entre jovens não se resolve com policiamento e menos ainda reduzindo a maioridade penal”.

A cidade, famosa por seu calendário de eventos culturais, no qual a Flip é o grande destaque, e também pelo intenso turismo, vive há alguns anos um incremento da violência juvenil. “Criamos uma série de atividades culturais permanentes em Paraty voltadas aos jovens. Não que a realidade desses adolescentes carentes ou envolvidos com drogas vá mudar de um dia para o outro com isso. Mas é um caminho que está sendo construído”, declarou.

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