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Reconstrução da UNE foi tema de debate no 55º CONUNE

16/06/2017 às 9:24, por Felipe Cânedo.

Imagem do histórico congresso de Salvador, em 1979
Foto: Milton Guran

Ex-militantes da entidade nos anos 70 relembraram momentos como o IIIENE em Belo Horizonte (1977) e o Congresso da UNE em Salvador (1979)

A reconstrução da União Nacional dos Estudantes, na década de 1970, foi relembrada durante este 55º Congresso da entidade, em Belo Horizonte. “Aquele era o momento em que a gente tinha que decidir se aderíamos à luta armada ou continuávamos na luta democrática. Vocês podem imaginar imaginar o peso disso para alguém de 20 anos”, emocionou-se Milton Guran, antropólogo e fotógrafo que foi preso pelos militares quando era estudante, no Rio de Janeiro. “Todo dia sumia um”, completou, segurando as lágrimas.

Em 1979, Guran morava em Brasília e trabalhava como repórter fotográfico. Por conta própria resolveu registrar o Congresso de refundação da UNE em Salvador. O encontro também foi lembrado por Javier Alfaya, que na época dirigiu o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal da Bahia e em 1981 foi eleito presidente da UNE. “Fui perseguido pela Polícia Federal”, afirmou, lembrando que apesar de ter se radicado na Bahia, era de origem espanhola e não havia se naturalizado ainda.

Presentes na mesa, o ex-presidente da Empresa Brasileira de Comunicação, Ricardo Melo, a professora da Universidade Federal de Minas Gerais, Samira Zaidan; e o jornalista e escritor Américo Antunes, ressaltaram a importância do movimento estudantil na década de 1970 para a luta pelas liberdades democráticas no Brasil.

“Quando falam da UNE, parece que depois do Congresso de Ibiúna, onde todo mundo foi preso, veio 1979, quando ela foi refundada. Na verdade a refundação foi um processo longo”, destacou Melo, que era militante da Liberdade e Luta, a chamada Libelu.

Tendência tida como radical, foi dela que surgiu a palavra de ordem “Abaixo a ditadura”, considerada temerária por outras tendências do movimento. “Uma vez nós fizemos uma passeata e o pessoal da Libelu saiu pichando ´Abaixo à Ditadura´. Depois nós fizemos uma reunião e eu reclamei que aquilo ia nos expor, que iam nos descer o cacete”, contou Américo Antunes, que em 1980 foi eleito presidente da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais.

Congresso foi um dos marcos da reconstrução da entidade

Primeira presidenta do DCE da UFMG, Samira Zaidan lembrou a importância do III Encontro Nacional dos Estudantes (ENE) em que quase mais de 500 estudantes foram presos em um episódio traumático de dura repressão em Belo Horizonte, no ano de 1977. O evento iniciaria o processo de refundação da UNE, mas os militares o proibiram e cercaram o Diretório Acadêmico Alfredo Balena, de Medicina da UGMG, para impedir que ele ocorresse. Três meses depois a Comissão Pró-UNE seria criada na PUC São Paulo, em um congresso relâmpago de menos de uma hora, em que o campus foi invadido e houve mais violência policial.

“Havia uma discussão entre nós sobre uma frase que era atribuída a Trotski ou a Stalin: ‘O movimento estudantil é a banda de música do movimento operário”, lembrou Antunes. Ele afirmou que os movimentos de juventude foram decisivos em diversos momentos da história no século XX. “Acho que nenhum dos dois disse isso”, respondeu Alfaya, e arrancou risadas do público. Samira Zaidan destacou a dureza da ditadura com os estudantes brasileiros, que foram mortos e torturados e ponderou que “quando a sociedade cala, os estudantes são os primeiros a gritar.”

Em suas considerações finais, Ricardo Melo afirmou: “O que fica dessa história toda é que todas as vezes que o movimento estudantil conseguiu avançar, o que se sobrepôs foi uma palavra: a unidade. Não uma unidade sem discussão, mas uma unidade em torno de um objetivo comum, como nesse caso o da refundação da UNE”. E em seguida completou: “o movimento estudantil é uma escola, eu aprendi muito sobre a vida com ele. Sobre negociar, sobre olhar nos olhos das pessoas, sobre entender a conjuntura. Eu tenho certeza que vocês aqui sairão vitoriosos e melhores.”

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