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Quem não gosta de democracia age no escuro: Carina estreia no Conversa Afiada

04/07/2016 às 19:05, por Cristiane Tada.

A presidenta da UNE fala sobre os desafios da educação sob essa agenda golpista e denuncia a tentativa de desmanche do ensino público no país

A presidenta da UNE, Carina Vitral, estreou no site Conversa Afiada como colunista este segunda-feira (04/7). O site do jornalista Paulo Henrique Amorim é desde que foi criado em 2006 uma referência para a imprensa livre e espaço de questionamento político e contraponto à imprensa formal no Brasil. Neste primeiro post ‘Quem não gosta de democracia age no escuro’, a presidenta da UNE fala sobre os desafios da educação sob essa agenda golpista e denuncia a tentativa de desmanche do ensino público no país. Leia na íntegra:

Carina e o tamanho do Golpe na Educação: Quem não gosta de democracia age no escuro

Às amigas e aos amigos do Conversa Afiada, primeiramente Fora Temer. Em segundo lugar, um caloroso abraço. Sou Carina Vitral, presidenta da UNE e ocuparei esse espaço nos próximos meses para debatermos a democracia no nosso país e os desafios que se colocam nesse delicado momento da nossa história. Estou feliz em juntar forças com o nosso PHA e com o time dos blogueiros “sujos” que, nos últimos anos e principalmente agora, fazem a verdadeira resistência contra o golpe e a mídia hegemônica.

A blindagem da chamada grande imprensa aos retrocessos do governo interino de Michel Temer está eclipsando mudanças sérias e graves operadas nos gabinetes de Brasília. A nós, da União Nacional dos Estudantes, preocupam muito aquelas ligadas à área da Educação. O golpe sobre o ensino do país já prepara um cadáver de peso: o Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2014 e que está sendo enterrado pela equipe dos homens brancos do não presidente.

É o mesmo que tentam fazer, utilizando o Congresso, ao reduzir os investimentos nesse setor com a retirada de recursos dos royalties do petróleo e do pré-sal para o ensino público do país. Outra ofensiva foi a chamada PEC dos gastos públicos, protocolada por Temer no Congresso e que poderá ter forte impacto sobre os gastos orçamentários do estado para a área educacional. A tentativa de desmanche é rápida, radical e arbitrária, pois os golpistas sabem que são medidas que não seriam aprovadas pelas urnas e a opinião pública. Entre elas está a quebra do Conselho Nacional de Educação, que tem a participação da sociedade civil para o acompanhamento das políticas desse setor. Quem não gosta de democracia não gosta de participação popular, prefere agir no escuro.

É muito significativo que, além de tudo, esse governo flerte com ideias tão absurdas como a do movimento chamado “Escola Sem Partido”, uma gelatina fascista de propostas de censura e silenciamento da diversidade na produção do conhecimento. Para Temer e seu ministro Mendonça Filho, discutir o preconceito contra as mulheres, o racismo, a LGBTfobia, a diversidade e tolerância religiosa, ideológica, não são prioridades da escola. É uma concepção não somente autoritária, mas burra mesmo, distante das teorias mais avançadas sobre educação no mundo. Temos uma gestão interina que, em poucos meses, traz o vergonhoso saldo de receber o ator Alexandre Frota para debater educação e alterar maliciosamente a página de Paulo Freire na Wikipedia.

Enquanto isso, quem se satisfaz nesse cenário são os gananciosos megaempresários do ensino privado, próximos e consorciados a esse governo, aproveitando a instabilidade para ampliar a exploração das altas mensalidades e da educação de péssima qualidade de forma indiscriminada. A recente fusão dos grupos Kroton e Estácio, criando uma nova gigante de R$5,5 bilhões no mercado educacional, demonstra que a perspectiva é de lucrar de forma diretamente proporcional ao sucesso do golpe. São os que querem a educação como mercadoria e não como direito. Declarações do ministro sobre a possibilidade de cobrança de mensalidade em universidades públicas mostram cristalinamente de qual lado desse jogo ele está.

Enganam-se, no entanto, se acham que avançarão sem resistência. As recentes conquistas da educação, o Prouni, as cotas, a expansão de vagas nas federais, fazem parte do legado da nossa geração do movimento estudantil. E se há algo que a juventude brasileira vai fazer é defender o seu legado. Já fizemos isso em diversos outros momentos da história e faremos em quantos forem precisos. Já lutamos na democracia e fora dela, já fizemos isso sob perseguição, na clandestinidade, já fomos presos, torturados, assassinados e nunca desistimos.

Entre os dias 15 e 17 de julho, milhares de líderes estudantis brasileiros estarão juntos em São Paulo no Conselho Nacional de Entidades Gerais da UNE (Coneg). É hora de preparar a nossa contra-ofensiva. Golpistas, se preparem. Não tem arrego.

Abraços e nos vemos na luta!

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