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Punho cerrado, luta e repúdio à PEC 241: estudantes encerram ocupação em SP

11/10/2016 às 1:33, por Rafael Minoro / Foto: Tuane Fernandes Mídia Ninja.

Eles convocaram a população para resistir ao golpe que continua em curso no país e se juntar ao grande ato que ocorrerá no Masp, nesta terça-feira, contra a PEC 241 e a reforma do ensino médio

Dez carros, dois ônibus, uma van e três motos foram mobilizados pela polícia militar de São Paulo com objetivo de cercar o prédio da Presidência da República na Avenida Paulista. O aparato intimidador serviu para afastar os manifestantes que estavam do lado de fora e cercar também por dentro o 3º andar, local onde se encontravam cerca de 50 estudantes desde as 18h desta segunda-feira (10/10).

Foram 5h de ocupação pacífica em protesto contra a Proposta de Emenda à Constituição 241. A PEC, que congela os investimentos da União por 20 anos, foi aprovada em 1º turno na Câmara enquanto os estudantes ainda estavam dentro do prédio. A desocupação ocorreu por volta das 23h após muita negociação, empurrões de PMs em deputados e manifestantes, além da proibição da entrada de advogados.

 

 

A deputada estadual Márcia Lia (PT-SP) relatou ao site da UNE as dificuldades para adentrar o prédio.

“Foi difícil negociar, não queriam deixar a gente entrar, chegamos a falar várias vezes com o Secretário de Segurança Pública do Estado. Eu avisei que eu ia entrar e ele deveria garantir a minha integridade física”, disse. “Policias me empurraram, deram um chute na minha perna”, denunciou.

Após entrada no prédio, a parlamentar conseguiu dar andamento à desocupação pacífica.

“Fico muito feliz que os garotos e as garotas tenham saído com sua integridade física garantida, porque sem os advogados eles não estavam respaldados em nada. A OAB tem uma lei que garante a prerrogativa dos advogados acompanharem seus clientes”, lembrou.

O deputado Alencar Braga (PT-SP) também esteve no local e parabenizou a ocupação realizada pelos estudantes.

“Eles ocuparam a sede da Presidência em São Paulo no dia em que o governo golpista quer congelar os gastos nas áreas sociais, ou seja, quer condenar uma geração inteira à ignorância, não garantindo direitos fundamentais e estes estudantes estão aqui lutando não só pela geração atual, mas pela geração vindoura”, ressaltou.

Ocupar e resistir

O diretor da UNE, Mateus Weber, que estava dentro da ocupação, explicou que o protesto teve o objetivo de pressionar os parlamentares a votar contra a PEC e alertar a sociedade dos perigos do governo golpista de Michel Temer.

“Tiveram vários momentos de tensões, a PM não deixava entrar os advogados a fim de garantir o direito de defesa dos estudantes. Eles não davam acesso a banheiro e água. E não deixaram entrar comida”, contou.

“Foi uma ocupação vitoriosa embora hoje seja um dia trágico para o povo brasileiro que vai ter seus direitos e investimentos em saúde e educação congelados. A UNE, que lutou muito pela implementação do PNE, hoje vê com muita tristeza essa nova medida”, indignou-se, ao falar com o site da UNE já do lado de fora do prédio.

O presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Emerson “Catatau”, lembrou que durante toda a ocupação pelo menos dois comandantes foram falar com o eles para negociar a saída. “Sempre num grande terror psicológico, dizendo até que os menores de idade iam sair daqui direto para delegacia, mas a gente se mostrou resistente e permanecemos porque nosso objetivo era justamente ocupar até a votação da PEC”, frisou.

 

O advogado da Comissão de Direito Educacional da OAB, Victor Grampa, relata sobre a dificuldade de diálogo com a polícia militar. “Não estavam passando nem o nome do comando da operação, essa situação com o tempo foi se agravando, chegaram deputados estaduais, mais advogados, a comissão de prerrogativa da OAB chegou em peso para tentar solucionar de um modo pacífico, mas sem diálogo nenhum”, contou.

Grampa relata ainda que, depois da agressão à deputada Márcia Lia, a situação se agravou. Eles, então, entraram em contato com o Secretário de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho. Os policiais queriam exigir que os estudantes assinassem um espécie de termo para sair.

“O que seria mais grave segundo a comissão de prerrogativa dos advogados e ao direito de defesa deles por serem obrigados a assinar alguma coisa que eles não sabem direito o que é”, explicou. “Nós subimos, dialogamos, eles disseram que aparentemente não houve crime algum, fizemos uma inspeção junto com os policiais, não houve nada, os integrantes se retiraram só com a qualificação”, disse, em relação a alguns dos estudantes terem que ter dado nome e RG aos PMs.

Novo ato contra a PEC 241

Os movimentos sociais convocaram para esta terça-feira um grande ato na Avenida Paulista, em frente ao Masp, contra a aprovação da PEC 241 e também para denunciar o pacote de maldades de Michel Temer, que inclui ainda a reforma do ensino médio, a escola sem partido e a retirada de direitos trabalhistas.

Segundo levantamento da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), em todo o Brasil já são 146 escolas ocupadas contra a PEC 241, sendo que mais de 70 delas estão estão localizadas no Paraná, na capital e interior.

 

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