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Primavera das mulheres muda o clima em 2015

05/11/2015 às 12:25, por Artênius Daniel e Cristiane Tada.

Onda de protestos contra PL 5069, campanhas nacionais como #PrimeiroAssedio e #AgoraÉQueSãoelas e defesa das questões de gênero no Enem mostram que a ascensão das lutas feministas não tem volta

Em meio a uma séria crise econômica e política, enquanto o conservadorismo tenta mostrar suas garras, quando alguns chegam a afrontar a democracia e os movimentos sociais enfrentam batalhas àrduas pela garantia de direitos, elas se insurgem. Nas ruas, são milhares que se espalham pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte. Nas redes, milhões que compartilham hashtags, compartilham sororidade, empoderamento, mudanças de valores, libertação.

Sem que muitos pudessem ver, o ano de 2015 está sendo marcado por uma arrancada notável das lutas feministas no Brasil, a partir de diversos episódios consecutivos e de uma militância constante das ativistas de norte a sul. As mobilizações mudaram o clima da luta social e chamaram a atenção para a necessidade de superar uma das mais antigas e mais graves opressões da sociedade brasileira. Seja devido às questões relacionadas ao gênero no Exame Nacional do Ensino Médio, ao protesto feminino contra projetos de lei opressores ou em campanhas virtuais para ampliar a voz de todas na sociedade, a fagulha se espalhou e gerou uma onda de diversas manifestações.

PL5069

As mulheres estão se levantando em diversas cidades do Brasil contra o Projeto de Lei 5069, de autoria do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB- RJ) aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da casa no último dia 21 de outubro.  O texto tira das mulheres vítimas de violência sexual o direito ao atendimento imediato previsto para uma situação de estupro. Também criminaliza a propaganda, o fornecimento e a indução ao aborto e a métodos abortivos. Isto significa a restrição do uso da pílula do dia seguinte e a burocratização ainda maior do acesso aos equipamentos de saúde, que nestes casos já são pautados pelo constrangimento e pela falta de atendimento especializado.

A diretora de mulheres da UNE, Bruna Rocha, lembra como tudo começou. “O conservadorismo não irá nos calar” era para ser um evento digital, mas acabou canalizando a inquietude e revolta de milhares de mulheres no Rio de Janeiro. Em minutos, mais de mil confirmadas que acabou se desdobrando em uma ação efetiva de rua. Logo em seguida, outros estados começam a aderir a ideia e criar eventos virtuais chamando para ações de rua, com os motes #ForaCunha e #MulheresContraCunha.

Bruna acompanhou os últimos atos no Rio de Janeiro e em São Paulo que reuniu milhares de mulheres nas ruas das capitais (assista os vídeos abaixo) dando fôlego novo a questões sobre legalização do aborto, combate à violência sexual e descriminalização das mulheres no Brasil. No último dia 31 de outubro foi a vez de Belo Horizonte, Joinville e Salvador afirmarem sua indignação contra o PL.

“Sabemos que o PL 5069 vem no bojo de um conjunto de ações conservadoras do Congresso Nacional, com protagonismo de Cunha: redução da maioridade penal, estatuto da família, ofensiva ao debate sobre gênero e diversidade nas escolas. Sabemos também do impacto cruel de cada uma destas ações na vida das mulheres”, reflete Bruna.

No próximo dia 7 de novembro acontecerão atos ainda em Curitiba, Porto Alegre e Ribeirão Preto.

Confira a página dos eventos no Facebook.

Curitiba – 7 de novembro, a partir das 16h, na Boca Maldita

Ribeirão Preto -7 de novembro, a partir das 10h em frente ao Theatro Pedro II.

Porto Alegre – 7 de novembro, a partir das 16h no Parque Farroupilha.

Assista o vídeo dos Jornalistas Livres de como foi o ato em São Paulo e no Rio de Janeiro:

https://www.facebook.com/jornalistaslivres/videos/vb.292074710916413/326223144168236/?type=2&theater

https://www.facebook.com/jornalistaslivres/videos/vb.292074710916413/325845310872686/?type=2&theater

#PrimeiroAssédio e #AgoraÉQueSãoElas

A partir da iniciativa de um site voltado às questões de gênero e dos protestos contra manifestações machistas e pedófilas contra a participante de um programa de televisão, a campanha #primeiroassédio viralizou pela internet em pouco tempo, encorajando mulheres de todos os lugares a expressarem suas experiências com a violência sexual. Os relatos – na sua maioria dolorosos e chocantes – causaram grande impacto e mobilização na rede, revelando a necessidade urgente de se superar a cultura do estupro e promover a garantia da integridade das mulheres de todas as idades os estratos sociais.

>> Saiba mais sobre a campanha nessa reportagem da BBC.

Pouco tempo depois, a campanha #AgoraÉQueSãoElas foi lançada para ampliar a voz feminina no debate público do país, na sua maioria formado por homens. Colunistas, blogueiros, escritores foram convidados a cederem o espaço de suas publicações para mulheres abordarem temas relacionados às questões de gênero. Aderiram à campanha colunistas como Gregório Duvivier, Leonardo Sakamoto e Juca Kfouri.

>> Leia a coluna de Camila Kfouri na campanha.

 

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