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Presidenta da UNE e estudantes são barrados em audiência no Senado

10/11/2016 às 13:45, por Natália Pesciotta.

Convidada a participar da primeira audiência sobre a Medida Provisória da reforma do ensino médio, Carina Vitral chegou a ser impedida de entrar na Casa

Nesta quarta-feira, 9/11, o Senado recebeu a primeira audiência pública sobre a Medida Provisória da reforma do Ensino Médio, a MPV 746/2016. Apesar de ter sido convidada pela comissão mista responsável para participar da mesa, a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE) Carina Vitral quase foi impedida de entrar na Casa. “Já fui barrada aqui muitas vezes, mas essa foi a primeira vez em que fui ‘desconvidada’ a participar de uma sessão”, disse ela, na sua fala.

Secundaristas vindos de vários lugares do Brasil tentavam acessar o Congresso para acompanhar a audiência desde a manhã da quarta-feira, mas foram proibidos de entrar.

Segundo a segurança do Senado, a suposta “confusão causada pelos estudantes no local” foi o motivo para não permitir a entrada da presidenta da UNE, que chegou mais tarde.

“Recebi o recado de que eu não estava mais convidada”, explicou Carina. E completou: “É um absurdo que estudantes que viajaram de vários lugares não possam entrar nesta Casa, que deveria ser a casa do povo”.

Agência Brasil

Após insistência, a presidenta da UNE foi liberada para participar da mesa. Na sua fala, ela apelou para uma reforma do Ensino Médio discutida com todos os setores da educação, incluindo alunos, e respondeu à ironia do presidente ilegítimo Michel Temer, que um dia antes havia declarado que os alunos que ocupam escolas não sabem o que é uma MP.

“Queremos participar da discussão, pois somos os maiores interessados nela. Se pudermos participar, podem confiar que será uma participação qualificada. Diferente do que acha o Temer, nós sabemos o que é PEC e sabemos o que é MP”, disse, aplaudida ao fim da fala.

Carina denunciou ainda fala do Ministro da Educação, Mendonça Filho, que afirmou pretender acionar a AGU (Advocacia Geral da União) para que os movimentos estudantis paguem os custos pelo adiamento do Enem em escolas ocupadas. Ela explicou que havia total possibilidade de realizar o Enem em todas as escolas, assim como as eleições foram feitas, com tranquilidade: “Respeitamos o Enem como caminho para todos chegarem ao Ensino Superior e estávamos dispostos a colaborar com a realização, se houvesse diálogo”.

Assista o vídeo da intervenção da presidenta da UNE na audiência:

Depois da metade da audiência, os secundaristas que esperavam do lado de fora foram liberados para entrar no parlamento. Carina usou o final da sua fala para ler uma carta dos estudantes de Ensino Médio em conjunto com os alunos presentes na plateia, pois o presidente da mesa, deputado federal Izalci Lucas (PSDB), não permitiu que os próprios secundaristas fossem chamados para fazer a leitura.

Além da presença da presidenta da UNE, estiveram presentes na mesa representantes de entidades do ensino como Monica Ribeiro da Silva, coordenadora do Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio, Iria Brzezinski, presidente da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (Anfope) e Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Todos foram veementes nos argumentos contra a reforma do ensino médio como está proposta na Medida Provisória. Os principais motivos são a adoção de um período integral descaracterizado, a desobrigação de disciplinas como sociologia, filosofia, artes e educação física, a adoção de um sistema de ensino técnico mercantilista, as prováveis interferências no Fundeb (Fundo da Educação Básica), que acarretariam problemas financeiros para o ensino infantil e para os municípios, além da possibilidade de concessão para que profissionais sem formação própria lecionem como professores nas escolas públicas. Também foi criticado o fim do período noturno. De forma geral, a reforma é entendida como precarização e piora do ensino universal e gratuito.

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