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Praia do Flamengo 132: dez anos da retomada

01/02/2017 às 13:32, por Artênius Daniel .

Filme apresentado exclusivamente na Bienal e Culturata de encerramento lembram a história do endereço mais conhecido do movimento estudantil

Dez anos se passaram, desde primeiro de fevereiro de 2007. A Culturata de encerramento da 10ª Bienal da UNE, nesta quarta-feira, em Fortaleza, relembrará aquela histórica, da 5ª Bienal, no Rio de Janeiro, quando cinco mil estudantes recuperaram o terreno da Praia do Flamengo 132, endereço da sede da UNE, que foi incendiada e demolida pela ditadura militar. A história desse espaço é tem do filme Praia do Flamengo 132, do diretor Vandré Fernandes, que foi exibido nesta terça (31) no Cinema do Dragão do Mar.

Na tela, o que se viu foi um primeiro corte exclusivo do trabalho, que ainda será aperfeiçoado para o lançamento oficial. Na sequência, os estudantes realizaram um debate com a presença do diretor e também do ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins, da presidenta da UNE Carina Vitral e do ex-presidente da entidade Gustavo Petta. Um encontro de diversas gerações que representaram a UNE e resistiram a desafios diferentes na construção da democracia do país.

“É uma história que precisa chegar ao público em geral e entrar no debate do país. Tema ver com tudo que estamos vendo hoje”, disse Vandré, referindo-se ao golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff em 2016. O filme traz diversos personagens que passaram pela UNE e pelo CPC (Centro de Cultura Popular) que também existiu no mesmo lugar, como o cineasta Cacá Diegues, o poeta Ferreira Gullar e o ator Flavio Migliacio.

O ex-ministro Franklin Martins lembrou da sua época de militância no movimento estudantil. Segundo ele, sua geração sucedeu aquela que recebeu o golpe de 1964 e já foi a dos que resistiram mais diretamente à ditadura. “Dizem que você pode sair do seu estado, do seu país, mas ele não sai de você. A nossa geração já tinha saído da Praia do Flamengo, mas a UNE não saiu de nós. Se há uma definição para o movimento estudantil daquele período é a insubmissão completa à ditadura”, relembrou.

Gustavo Petta, que aparece no filme percorrendo o mesmo percurso da passeata de 2007, quando presidia a UNE, afirmou que a ocupação foi objetivo estratégico da UNE naquela Bienal, desde o início da sua preparação. “Queríamos realizar o evento no Rio de Janeiro exatamente para ter o peso da manifestação e ocupar. O clima era tenso, pois havia ali um estacionamento irregular que tinha envolvimento inclusive com o crime organizado. Depois que retomamos o terreno, estávamos prontos inclusive para uma reintegração de posse, mas a Justiça nos deu ganho de causa”, relatou.

Com uma indenização do estado brasileiro pelos estudantes perseguidos, torturados e mortos pelo regime militar, a UNE conseguiu viabilizar a construção do seu novo prédio no terreno, que tem previsão de ser inaugurado ainda neste ano, quando se completam os 80 anos da entidade.

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