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Por uma saúde feminista e sem lesbofobia

31/08/2017 às 16:30, por Da Redação.


Leia artigo escrito pela diretora de mulheres da UEB, Nataly Pinho e pela representante do coletivo em defesa SUS, Juliete Osório
Agosto é o mês nacional da Visibilidade Lésbica. As mobilizações que acontecem em todo o país pautam a vida e a afetividade das mulheres lésbicas e demarcam a resistência construída por nós cotidianamente para enfrentar o patriarcado e o conservadorismo que impõem a invisibilidade da sexualidade das mulheres, sobretudo, mulheres lésbicas e bissexuais, resultando em problemas de saúde pública expressados na insuficiência de políticas voltadas para nossa saúde física e mental, aprofundando a vulnerabilidade social que nos violenta agressivamente todos os dias.
As lutas das mulheres pela conquista de direitos e de autonomia são constantemente atacadas. Atualmente, temos o congresso mais conservador desde a ditadura militar, empenhado em mercantilizar as nossas vidas através da precarização do trabalho e de retirar  o acesso à educação, à saúde e à assistência social. Nesse processo, as perspectivas de políticas públicas voltadas para nós, mulheres lésbicas, são colocadas ainda mais de escanteio. A PEC 55, que congela os investimentos na saúde por 20 anos, é cruel conosco ao desmantelar o SUS, privatizar a saúde e entregá-la a grupos do grande capital, excluindo e marginalizando principalmente as mulheres lésbicas negras e pobres do direito à saúde.
Nesse cenário, onde o neoliberalismo e o conservadorismo andam juntos, a sexualidade das mulheres é reforçada como um tabu, e esse processo é ainda mais duro com as mulheres lésbicas. É extremamente comum o relato de lésbicas que são violentadas durante consultas ginecológicas, pois somos colocadas dentro dos parâmetros de relações heteronormativas e passamos pelo desconforto provocado pelo despreparo e falta de cuidado para lidar com as nossas relações sexuais, deixando lacunas na orientação sobre vivências como a exposição à infecções sexualmente transmissíveis que nos afetam pela falta de prioridade à pesquisas e políticas públicas voltadas ao cuidado a mulheres lésbicas. Além disso, o debate sobre saúde mental dessas mulheres em situação de vulnerabilidade precisa estar em pauta. Somos invisibilizadas e violentadas nas nossas casas, nas ruas, nas escolas, nas universidades e residências universitárias, no entanto, na maioria esmagadora das vezes, não contamos com um atendimento psicossocial que nos auxilie a suportar as violências da lesbofobia e do machismo.
Nós, mulheres lésbicas estudantes, temos um papel fundamental na luta contra esse processo estrutural de invisibilidade. Os movimentos sociais e coletivos feministas das universidades devem cada vez mais disputar os rumos dos currículos e dos orçamentos destinados à pesquisa e extensão, sobretudo dos cursos da área da saúde, para que a vida das mulheres lésbicas e bissexuais seja pensada e priorizada no processo de formulação, levantamento de dados e aplicação a políticas públicas. A nossa auto-organização enquanto mulheres é também uma rede de acolhimento às mulheres lésbicas, de divulgação de métodos alternativos para a prevenção à infecções sexualmente transmissíveis e do nosso fortalecimento enquanto sujeitos coletivos, com capacidade de disputar o Estado para transformação do mundo, garantindo a plena visibilidade das mulheres lésbicas. Para isso, não podemos recuar nenhum passo na luta para restabelecer a democracia e avançar na construção de um programa que tenha a vida e autonomia das mulheres como centralidade.
Nataly Pinho é Diretora de Mulheres da União dos Estudantes da Bahia (UEB)
Juliete Osório é do coletivo em defesa do SUS
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