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Por justiça, resistência e liberdade 8º EME da UNE começa em Juiz de Fora

31/03/2018 às 1:23, por Cristiane Tada.


Fotos: Karla Boughoff, Isadora Mendes, Juliana Mastrascusa/ Cuca da UNE

Mulheres estudantes de todo o Brasil prestaram homenagens à Marielle Franco e vão debater feminismo até domingo na UFJF

A resistência feminista universitária se encontrou nesta noite (30) no Cine Theatro Central em Juiz de Fora (MG) com centenas de estudantes de todos os Estados do Brasil.

A abertura do 8º Encontro de Mulheres Estudantes da UNE Marielle Franco trouxe uma mesa de autoridades feministas e Marcos David, reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), instituição que sedia até domingo (01/4) o fórum que vai fdebater o tema Mulheres em Movimento, a resistência feminista na universidade e nas ruas.

A presidenta da UNE, Marianna Dias, quebrou o protocolo e saudou sua gestão de mulheres feministas. “Para que nós tenhamos tenhamos força, unidade e cada vez mais irmandade para que a gente possa conseguir continuar conduzindo a UNE”.

Uma mesa de autoridades feministas declarou aberto o 8º EME da UNE 

Ela defendeu a unidade na luta entre os diversos coletivos e organizações feministas que encontram no EME um espaço de fraternidade e sororidade. “Para que a gente saia daqui desse encontro identificando quem são os nossos reais inimigos, que é o sistema e forma de organização social que ainda nos oprime, porque aqui estamos entre amigas, camaradas e jovens mulheres que tem o mesmo sonho, que querem ser livres, que querem lutar por um país melhor e querem dar as gerações futuras um país e uma sociedade muito melhor”, afirmou.

A diretora de Mulheres da UNE, Ana Clara Franco, saudou as caravanas de todas as regiões que vão construir três dias de luta e fazer nesse período da UFJF um território livre de machismo. Ana lembrou da conjuntura difícil de retrocessos para as mulheres nacionalmente.

“Nesse cenário conjuntural colocando o nome da Marielle neste encontro estamos afirmando que essa morte não será silenciada, que quando matarem uma de nós brotaremos como semente, lutando, se movimentando e resistindo. Acreditamos que é no feminismo e pelo feminismo que estamos aqui, que vamos de fato mudar a universidade, o Brasil, o mundo inteiro”, destacou.

Cine Theatro Central em Juiz de Fora lotado de estudantes  de caravanas de todo o Brasil 

A Vice-reitora da UFJF Girlene Silva deu boas vindas a todas as estudantes e também destacou a realidade política de ameaça às universidades.

“ Neste momento que educação pública está sob ataque, a universidade tem sido o principal espaço de resistência. E nós não nos calaremos diante de golpe, de nenhuma tentativa de opressão, de preconceito e discriminação. Falo isso porque a trajetória da mulheres que fazem a UFJF sempre foi de enfrentamento”, disse.

Marielle Franco? Presente!

Daniela Monteiro, representante do mandato da Vereadora Marielle Franco (PSOL) emocionou o teatro lotado ao relembrar a aguerrida vereança da negra “cria da Maré”. “ Nesse pouco tempo de mandato, a gente foi mais do que a pele da Marielle, mas que o gênero, mais do que sexualidade dela, quando a gente lembra que ela era uma mulher negra, socialista, feminista, bissexual a gente precisa lembrar que a Marielle tinha política e muita. Entramos lá fazendo história de várias formas, era o gabinete que tinha a composição de 80% de mulheres e 70% de pretas”.

Daniela Monteiro

Ela lembrou as lutas por mais mulheres da política e pelo direito à favela da 5ª parlamentar mais votada do Rio de Janeiro.

“Se hoje na esquerda a gente entende cada vez mais a luta pelo direito a cidade como central na nossa luta, vamos olhar para a favela que está lutando pelo direito a vida, pelo saneamento básico, pelo direito de estudar, de fazer uma prova de vestibular e não ter uma operação policial na sua favela e não conseguir descer. Era essa a luta da Marielle”.

A companheira de Marielle Franco, Mônica Benício, enviou um vídeo de saudação as estudantes do EME

A vice-presidenta da UNE Jessy Dayane, defendeu foco nas bandeiras para mudar a realidade das mulheres.

“Que a gente comece esse encontro pensando que nós podemos, nós seremos uma faísca que pode incendiar esse país conquistando muitas mulheres para que não haja mais Marielles assassinadas, para que não haja mais tantas Dandaras morrendo como na nossa história. Para que a gente seja essa faísca que tem a capacidade de mudar os rumos da nação, precisamos apontar quais são as principais bandeiras de luta que essas mulheres aqui vão levar de volta para as suas universidades”, ressaltou.

A rapper Preta Rara fez um apelo emocionado em nome da vida das mulheres negras e sobre os seus espaços de fala.

“Todas as mulheres pretas tem que levar sempre incômodo. Demoramos muito para entrar na universidade, então tá mais do que na hora da gente ter o nosso espaço de falar, porque ó a gente aprendeu a ler hein, ó a gente aprendeu a escrever hein e seremos protagonistas da nossa própria história e é a gente que vai contar a nossa história na universidade e aí a coisa vai ficar preta e quanto mais preta melhor”.

 

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