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PM invade Centro Paula Souza, mas ocupação estudantil segue forte

02/05/2016 às 18:03, por Vinícius Mendes.

Estudantes paulistas reivindicam merenda e criticam os cortes na educação

Truculência, exagero e despreparo foram mais uma vez os elementos principais de uma operação da Polícia Militar paulista nesta segunda-feira (2) em relação a estudantes. Armados com escopetas e escudos, além de fortemente equipados em seus uniformes, os soldados da Tropa de Choque da PM invadiram o campus Santa Efigênia da Escola Técnica de São Paulo (Etec) pela manhã para combater uma ocupação pacífica de estudantes que lutam por um ensino melhor.

Os jovens estão ocupando o saguão principal do prédio desde a quinta-feira (28), em retaliação aos cortes do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) nas verbas para a educação no Estado e às denúncias da chamada “Máfia da merenda”, em que membros do governo estadual são acusados de desviar dinheiro que serviria para custear a compra de alimentos para servir em escolas da rede pública.

Segundo Flávio Rodrigues, estudante de Eletrônica, de 22 anos, os jovens notaram movimentações estranhas no telhado do prédio durante a madrugada. “A gente ouviu alguns barulhos e os meninos que estavam lá em cima relataram que viram soldados da PM lá durante a noite. De manhã, quando a gente tava acordando, eles já estavam entrando por todos os lados”, disse.

Inaê Lima, secundarista que estuda no prédio, a ação foi truculenta. “A gente está aqui protestando porque queremos um ensino de mais qualidade. Não queremos conflitos de forma alguma. Mas daí a gente desperta com a polícia armada até os dentes aqui, sem mandado judicial, xingando os estudantes e se apropriando de uma manifestação legítima”, afirmou.

Membros do Conselho Estadual de Direitos Humanos e professores universitários de diversas instituições compareceram espontaneamente ao ato. Um deles, o professor de Sociologia da Universidade Federal do ABC (UFABC), Luiz Roberto de Paula, deu uma pequena aula pública sobre a importância de politizar os soldados da PM. Alunos debateram sobre a questão relacionando-os com as mortes violentas de negros nas periferias da cidade. Os PMs ouviam atentamente a discussão.

Durante a tarde, os advogados da comissão de direitos humanos se reuniram com lideranças dos estudantes e com o comando da Polícia Militar. Segundo a Polícia Militar, a operação visou “restabelecer a ordem” porque “os funcionários estavam sendo impedidos de entrar no prédio”.

Ocupação continua

No final da tarde de hoje, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a saída da Polícia Militar do prédio do Centro Paula Souza.

Para o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Emerson Santos, a ocupação reivindica um sistema inexistente atualmente nas escolas técnicas estaduais, que é a alimentação para os estudantes e só acabará quando sair vitoriosa. ”Temos também a questão dos ladrões de merenda porque até hoje a Alesp não abriu uma CPI para investigar o roubo do dinheiro da merenda aqui no estado de São Paulo. Por isso continuamos resistentes, nos manteremos ocupados até que nossas reivindicações sejam antendidas”, falou.

A UNE, como já expresso em diversos momentos, se solidariza com o ato e a ocupação dos alunos do Centro Paula Souza, que é legítima e pacífica.

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