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Plínio Marcos? Presente! Navalha na Carne na 10ª Bienal da UNE

31/01/2017 às 16:29, por Cristiane Tada com foto de Lenise Pinheiro.

“A nossa expectativa é de um público jovem sedento de coisas”, destacou Marcelo Drummond do Teatro Oficina

O espetáculo Navalha na Carne, escrito em 1967 pelo dramaturgo Plínio Marcos, conhecido como o repórter do submundo,  estará no palco principal da 10ª Bienal da UNE em Fortaleza (CE) nesta terça-feira (31).

O teatro Dragão do Mar com capacidade para 279 lugares vai abrigar duas apresentações às 18h e 21h para que mais estudantes possam assistir a peça proibida pelo regime militar. A distribuição de ingressos começa uma hora antes na bilheteria. “A nossa expectativa é de um público jovem sedento de coisas”, destacou o diretor e ator da peça Marcelo Drummond.

Ele conta que o Teatro Oficina fez a montagem para uma mostra em homenagem aos 80 anos do Plínio Marcos, no Sesi em São Paulo. “Nem pensávamos em colocar em cartaz, no princípio pensávamos que o texto poderia estar um pouco datado, mas ela bateu tão bem no público, parecia tão atual, apesar das gírias mais antigas, o assunto é tão atual, e agora já fizemos quase cem apresentações sempre com o público querendo mais”.

É um trabalho bem diferente do ‘tradicional” esperado da trupe. São apenas 3 atores em cena: a prostituta Neusa Sueli (Sylvia Prado), seu cafetão, Vado (Drummond) , e o homossexual Veludo (Tony Reis) em uma hora de espetáculo.

A peça fala de uma relação de repressão, violência e sexo entre entre os personagens. “São assuntos que hoje em dia tocam muito, como a questão da mulher e do homossexual”.

Teatro Marginal e Engajado

Como um bom filho que a casa retorna, a voz de Plínio Marcos volta a ecoar na UNE.

Nascido em Santos, ele mudou-se para São Paulo na década de 60 e participou da criação do Popular de Cultura da UNE. Durante esse período o CPC era um organismo vivo que gestava tudo de mais criativo e contestador produzido artisticamente no Brasil.

Assim como vários outros artistas e intelectuais do CPC Marcos teve seu trabalho perseguido pela censura do regime militar. Plínio Marcos chegou a ser preso e interrogado pelo DOPS.

Já na primeira leitura Navalha foi proibida e liberada apenas depois de uma batalha imensa com a ajuda da atriz Cacilda Becker. No Rio de Janeiro uma sessão a portas fechadas no Teatro Opinião no Rio de Janeiro foi impedida pelo exército.

A peça é a mais encenada do dramaturgo e foi também adaptada para o cinema. Seus textos são conhecidos pela ousadia linguística e autenticidade ao retratar a marginalidade, prostituição e violência.

Serviço

Navalha na Carne

Quando? Dia 31 às 18h e às 21h.

Onde? Teatro Dragão do Mar

A retirada de ingressos começa uma hora antes.

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