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PL.6787, o escândalo fantasiado de reforma trabalhista

16/06/2017 às 18:54, por Natasha Ramos / Foto: Henrique Silveira.

"A Reforma trabalhista ataca principalmente as mulheres"
Foto: Henrique Silveira

Debate durante o 55º CONUNE discutiu os aspectos mais perversos dessa medida e da terceirização

Imagine a seguinte situação: uma gerente que ganha R$ 10.000 por mês e uma secretária da mesma empresa, que ganha um salário de R$ 1.000, são vítimas de assédio moral. As duas entram com processos na justiça e ganham. Porém, a secretária poderá receber uma indenização dez vezes menor do que a da gerente.

Esse é, segundo Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), um dos absurdos que poderão ocorrer caso a reforma trabalhista (projeto de lei 6787-16) seja aprovada. Ele participou nesta sexta (16) do debate “A Luta contra a Reforma Trabalhista e Tercerização”, realizada no Congresso da UNE, em Belo Horizonte.

“Essa possibilidade está prevista na reforma como tabelamento dos danos extrapatrimoniais, e pode fazer com que as indenizações sejam pagas proporcionalmente ao salário do trabalhador. É um escândalo!”, exclamou Boulos, durante o encontro.

A representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, afirmou que essa reforma trabalhista ataca principalmente as mulheres. “Pois nós, sobretudo, temos uma dupla jornada de trabalho. Oito horas diárias já é muito, imagina 12 horas? Essa reforma atende dois setores: a rentista e o grande empresariado”, diz.

O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, também presente à mesa, elencou os pontos mais graves da reforma. “Em artigo que escrevi para o site Congresso em Foco, elenquei as lesões mais graves aos trabalhadores caso essa reforma trabalhista seja aprovada. Comecei com as letras do alfabeto, e se acabaram, encontrei 58 lesões graves!”, diz.

Diferente das outras vezes em que se tentou acabar com os direitos dos trabalhadores, afirma Britto, dessa vez eles usam palavras bonitas como ‘modernizar’ para tentar convencer a sociedade. “Porque [modernizar] é algo positivo, coisa do futuro, e pacificam essa palavra contando com a lógica da propaganda nazista [uma mentira repetida várias vezes, torna-se verdade]”, explica.

Reforma trabalhista foi duramente criticada em debate

A secretária de Juventude da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT – RS), Letícia Raddaz, afirmou que a terceirização, projeto de lei da década de 90, ressuscitado pelo governo ilegítimo e aprovado a toque de caixa, somada à reforma trabalhista, “irá nos levar a patamares anteriores aos da década de 1940”.  

Rumo à Greve Geral do dia 30 de junho

“É importante que nós nos demos conta do que de fato está em jogo. A reforma trabalhista já foi aprovada na Câmara e está em movimentação no Senado. Há senadores querendo votar no dia 28 de junho a medida, antes da nossa greve geral [30 de junho]”, lembrou Boulos.

Os palestrantes foram unânimes ao indicar o caminho para barrar essas medidas: Ir para as ruas e greve geral no dia 30 de junho.

“O protagonismo da juventude nesse processo de resistência tem sido muito importante e é preciso que nós nos somemos nesta luta. Somos estudantes, mas também somos trabalhadores”, convocou a representante da CUT-RS, que também é estudante de

licenciatura em História.

 

 

 

 

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