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Por democracia, estudantes da Unifei protestam contra nomeação de diretor

25/04/2018 às 16:43, por Renata Bars.


Reitor escolheu chapa derrotada no pleito, que estava em segundo lugar na lista tríplice

A nomeação do novo diretor do campus de Itabira da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), na última quinta-feira (19), está gerando diversos protestos entre os estudantes da região. Isso porque a chapa nomeada pelo reitor Dagoberto Alves de Almeida não foi a escolhida em consulta pública previamente realizada pela comunidade acadêmica composta por docentes, discentes e técnicos- administrativos.

Em março, a comunidade acadêmica havia escolhido os professores Gilberto Cuzol e Roberto Monte-Mor para diretor e vice, com isso, eles foram indicados em primeiro na lista tríplice enviada à reitoria pelo conselho do campus. No entanto, os nomeados foram os professores Eugênio Lopes de Almeida, e o vice, Élcio Franklin de Arruda, que constavam em segundo lugar na lista.

”Em nenhum momento os estudantes estão contra o professor Eugênio, a reivindicação é o respeito à democracia interna da universidade e isso a gente não pode permitir. O que está em jogo não é só a democracia dentro da instituição, mas a democracia do país. O fortalecimento da gestão pública está sob fortes ataques”, destacou a presidenta da UEE-MG Luanna Ramalho.

MUDANÇA NO REGIMENTO

Além de nomear o segundo lugar da lista tríplice para a direção, o reitor também realizou uma mudança significativa no regimento corpo discente da Unifei: mobilizações estudantis estão proibidas.

A cláusula aprovada proíbe atos que causem a obstrução de passagens, paralise as atividades acadêmicas e administrativas e ainda determina que nenhuma autoridade da instituição pode ser ofendida em rede social e em manifestações.

A mudança gerou insegurança nos estudantes, que estão receosos com as possíveis retaliações.

”Estamos todos tão indignados que não conseguimos definir o sentimento. Essa é uma luta contra um ato autoritário. Não queremos ser silenciados, queremos que nossas vozes sejam ouvidas”, falou uma estudante da Unifei, que não quis se identificar.

POSIÇÃO DA UNIVERSIDADE

Segundo comunicado divulgado pela assessoria de imprensa da instituição, o reitor está agindo de acordo com a legislação. “O Reitor recebe a lista tríplice e escolhe aquele que ele entende ser o mais adequado para auxiliá-lo na gestão do campus”, diz a nota.

Os estudantes também divulgaram nota solicitando que suas vozes sejam ouvidas. Confira:

Na última semana a Unifei Campus Itabira tem sido marcada por uma série de manifestações contra a decisão autoritária tomada pelo reitor na nomeação do diretor de campus, apesar de estar amparada pelo regimento da universidade.

Para escolha de diretor de campus é realizada uma consulta pública e após essa consulta cabe ao Conselho de Campus elaborar uma lista tríplice a ser enviada à reitoria para que então o reitor possa nomear um dos candidatos. Em 10 anos de história do campus, a nomeação sempre seguiu o resultado da consulta, dando posse ao candidato que recebeu mais votos, representando a voz da comunidade acadêmica e quem ela escolheu para ser seu gestor pelos próximos quatro anos. Dessa vez vemos um cenário diferente no qual o reitor, numa atitude anti-democrática e ignorando a voz da comunidade, nomeou o segundo colocado da consulta pública. Temos a plena ciência de que essa decisão é amparada pela lei que dá o direito ao reitor de nomear qualquer dos candidatos indicados na lista tríplice, porém o que essa atitude representa? Claramente um ato de desrespeito a vontade do campus, desrespeito a voz da comunidade na consulta, um ato antidemocrático e autoritário ao impor à comunidade acadêmica um gestor ao qual ela não havia escolhido passando por cima também da missão da Unifei.

Devido a esse desrespeito os alunos decidiram se unir e lutar contra essa imposição pedindo a renúncia do Professor José Eugênio Lopes de Almeida, nomeado pelo reitor em Diário Oficial da União no dia 19 de abril de 2018.

Queremos que a democracia seja respeitada e que o professor José Eugênio não aceite este cargo, pois não foi legitimamente eleito para ocupá-lo. Os estudantes estão vigilantes para fazer ecoar as vozes do povo. Em tempos de retrocesso não podemos aceitar que nenhum de nossos direitos sejam tolhidos. 

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