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Parada LGBT pede lei de gênero e protesta contra o golpe no Brasil

30/05/2016 às 11:53, por Vinícius Mendes.

Tradicional ato na Avenida Paulista teve como tema uma lei de identidade de gênero no Brasil; Dilma Rousseff assinou decreto em abril, mas decisão precisa ser aprovada no Congresso

Cerca de duas milhões de pessoas lotaram a Avenida Paulista, no centro de São Paulo, neste domingo (29) para pedirem ao Congresso que aprove a lei de identidade de gênero e também para protestarem contra o golpe de Estado de Michel Temer contra Dilma Rousseff.

A lei em questão é um decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff em abril, que estipula o uso do nome social de todos os indivíduos na administração pública federal. Em resumo: a lei permite que as pessoas sejam chamadas pelo nome que quiserem, e não pelo de batismo, uma antiga reivindicação da comunidade LGBT.

Segundo Fernando Quaresma, organizador da Parada do Orgulho LGBT, 28 deputados são favoráveis ao projeto no Congresso para que ele vire lei. O principal deles – porta-voz da comunidade – é Jean Wyllys (PSOL).

A União Nacional do Estudantes foi uma das entidades sociais que participaram da Parada, exibindo cartazes, faixas, ocupando trios elétricos e fazendo a cobertura in loco do evento. O primeiro carro de som do evento, que denunciava o golpe, foi o que abrigou membros da UNE. A presidenta da entidade, Carina Vitral, foi uma das presenças. Além disso, a entidade distribuiu adesivos contra o presidente golpista.

Protesto contra Temer na Parada do Orgulho LGBT - Foto: UNE

Protesto contra Temer na Parada do Orgulho LGBT – Foto: UNE

“Houve uma denúncia de que a comunidade LGBT pode perder direitos com o governo Temer. A partir do momento em que, por exemplo, deputados que agora são da base do governo golpista protocolam um pedido de derrubada do decreto que garante o direito do nome social, entendemos que há uma vulnerabilidade dessa comunidade. A Parada se manifestou sobre isso”, explicou o diretor jurídico da UNE, Rarikan Heven, que esteve no ato.

“Na nossa visão, a comunidade chamada ‘T’, os travestis e os transexuais, é o segmento mais vulnerável dentro da comunidade LGBT. Elas estão na clandestinidade, têm poucos direitos. A presença da UNE no ato foi para reforçar essa ação”, completou Heven.

Para a diretora LGBT da UNE, Daniella Veyga, o reconhecimento da identidade de gênero é emergencial. “A Parada foi um marco importante desse movimento, porque trouxe como temática justamente a luta pelo reconhecimento emergencial da identidade de gênero. Foi uma festa que, como sempre, estava lotada, diversificada, repleta de luta, alegria e amor”, disse.

VINTE ANOS

A Parada do Orgulho LGBT deste ano foi especial por diversos motivos: entre eles, a comemoração de 20 anos da existência do ato, que acontece desde 1997 em São Paulo. No primeiro ano, segundo cálculos da Polícia Militar, apenas duas mil pessoas estiveram na Avenida Paulista para presenciar a parada. Três anos depois, em 2000, já eram 120 mil pessoas, segundo a organização (100 mil, segundo a PM).

A edição mais populosa da Parada do Orgulho LGBT foi em 2012, quando a organização estima que 4,5 milhões de pessoas foram ao ato.

O tema deste ano foi “Lei de identidade de gênero já! – Todas as pessoas juntas contra a transfobia“. É o décimo ano que a Parada reivindica o fim da homofobia no Brasil. A primeira, em 2006, tinha como tema “Homofobia é crime! Direitos Sexuais são Direitos Humanos“.

A Parada deste ano teve uma conotação muito mais política do que nos anos anteriores. A pauta da conjuntura do país influenciou muito o ato: a gente via em todos os trios elétricos palavras de ordem contra o Temer e em defesa do restabelecimento da democracia”, conta Rarikan Heven.

“A UNE esteve presente com vários membros da diretoria, inclusive a presidenta, Carina Vitral, que somaram forças nessa luta que também é nossa”, completa Daniella Veyga.

VÍDEO DA UNE NA PARADA LGBT:

FORA TEMER DOMINA O PAÍS

Este é o segundo ato de grande porte no país que tem como uma de suas principais reivindicações a queda do presidente golpista Michel Temer. Antes, a Virada Cultural de São Paulo, no meio de maio, que reúne mais de 1 milhão de pessoas no centro da cidade, foi repleta de mensagens, protestos, falas e discursos contra o golpe.

Durante a Parada do Orgulho LGBT, a maioria dos participantes entoava canções como “Fora Temer” ou “Temer jamais!“. Faixas, cartazes, adesivos, pinturas no rosto e outras manifestações foram vistas com diversas pessoas.

UNE DISTRIBUI CAMISETAS CONTRA O GOLPE NA PARADA:

Os carros também lembraram do estupro de uma menina de 16 anos por 33 homens no Rio de Janeiro nesta semana. Durante os últimos dias, uma corrente contra a cultura do estupro no Brasil começou a circular pelas redes sociais.

As mulheres diretoras da União Nacional dos Estudantes gravaram depoimentos em vídeo logo após o caso de violência denunciando a cultura do estupro e do machismo, dizendo “não” e defendendo uma sociedade feminista para mudar a realidade. Hoje, as três principais entidades do movimento estudantil brasileiro -UNE, UBES e ANPG – têm como presidentas mulheres.

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