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Para não passar em cinza: Bienal questiona guerra ao grafite em SP

31/01/2017 às 13:54, por Renata Bars.


Ação aconteceu durante a vernissage da mostra selecionada de artes visuais, na noite de domingo

A repressão do prefeito de São Paulo João Dória contra a arte de rua motivou uma performance durante a vernissage da mostra selecionada de artes visuais da 10ª Bienal da UNE, na noite do último domingo (29), na Multigaleria do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza.

O painel de grafite do estudante paulistano de 22 anos, Albert Lazarini Oliveira, ou ‘’Alo’’, como prefere ser chamado, foi coberto por tinta cinza em clara alusão ao Programa Cidade Linda, de Dória. Alo é grafiteiro e lamenta a ação da prefeitura de sua cidade.

‘’ A ideia da performance surgiu para criar uma resistência também aqui no nordeste. Eu estou vendo o Brasil inteiro se mobilizar contra esse apagamento promovido pelo Dória. Dois painéis meus já foram apagados em São Paulo, então tem tudo a ver, gerar essa provocação durante a mostra sobre o que é essa cidade linda, ou limpa’’, disse o grafiteiro.

Expectadora da mostra, a estudante cearense Daniele Monteiro afirmou que a provocação feita pelo artista mexeu muito com ela. ‘’Gosto muito de artes visuais e grafite e ver um trabalho desse sendo apagado dessa forma choca e ao mesmo tempo nos faz refletir sobre a cidade que queremos. Ela é cinza? O grafite suja a cidade? O grafite é marginal? Eu acredito que ver uma obra sendo apagada assim nos impulsiona a lutar mais ainda pela arte urbana’’, falou.

RESISTÊNCIA E REINVENÇÃO

Para Alo, o momento é propício para seguir na luta, resistir e reinventar o grafite nas ruas de São Paulo e também do Brasil.

‘’A pegada é combater essa política de apagamento.  A organização tem que vir da rua, num diálogo entre os pichadores e os grafiteiros.  O remédio contra o Dória é pintar e resistir até o último segundo’’, enfatizou.

Questionado sobre a proposta do prefeito de substituir os grafites por jardins verticais, Alo diz que há espaço para todos.

‘’Não acho ruim espalhar o verde pela cidade, mas tem espaço pra todo mundo. Tem espaço para os pichadores, para os grafiteiros, para as plantas. O que não tem espaço é para o Rio Pinheiros poluído, por isso parece que o Cidade Linda começou pelo lado errado né? Se a cidade estava suja ou feia não era por nossa causa’’, afirmou.

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