Pular para o conteúdo Pular para o Mapa do Site

Notícias

Últimas Notícias

Para Ivana Bentes, “ocupar é uma inovação cidadã no Brasil hoje”

19/07/2016 às 17:42, por Natasha Ramos.

Ex-secretária do Ministério, Ivana Bentes falou com o site da UNE sobre o movimento Ocupa MinC e retrocessos na área da Cultura

A ex-secretária da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Ivana Bentes, participou da mesa “Ocupa MinC, o papel da cultura na resistência”, realizada neste sábado (16) durante o 64º CONEG.

Após sair do cargo quando o governo golpista de Michel Temer assumiu, Ivana foi ao Rio de Janeiro acompanhar a ocupação na Funarte.

“Foi muito impactante a adesão da cultura como força de resistência ao golpe. Muito significativo que a cultura tenha sido o primeiro movimento a se colocar em defesa da Democracia de maneira mais ampla, e colocando a cultura como algo decisivo na disputa do imaginário do Brasil que a gente quer.”

Confira a entrevista na íntegra:

Conte um pouco da sua experiência com o ocupa minc e também sobre outras ocupações pelo brasil.

A ocupação no Rio de Janeiro foi decisiva nessa contaminação [de engajamento político da comunidade artística]. Claro que foi um movimento no Brasil inteiro, nos 27 estados que tiveram ocupação. E essas ocupações aconteceram numa ideia importante e interessante de ocupar espaços públicos de forma autônoma.

Dentro das ocupações de todo o Brasil, estavam presentes diversos movimentos. Isso, aliás, é uma característica decisiva das ocupações, a heterogeneidade. A ocupação não é hegemonizada por nenhuma tendência, partido ou grupo. Ao contrário: são os desorganizados da cultura articulando com os movimentos que já são organizados que deu consistência a essa articulação e fôlego para que as ocupações se mantivessem.

Estamos defendendo políticas públicas no campo da cultura, inclusive -algumas que correm o risco de serem desmontadas. Então, foram decisivas essas ocupações, tanto no Rio como em todo o Brasil.

O que essas ocupações, essa metodologia de protesto, significam para você?

Ocupar hoje é uma tecnologia brasileira e global fundamental. Os estudantes secundaristas ocupam, a cultura está ocupando, o MTST também. Essa é uma experiência radical. E é interessante observar que ela tem uma conexão direta com 2013, que foi um momento muito bacana de experimentação da ocupação da rua, do espaço público, da assembleia legislativa, dos prédios públicos. A ocupação era uma coisa marginal, criminalizada, óbvio que ela continua criminalizada, mas ela está emergindo no país como uma tecnologia cidadã. Eu considero que ocupar é hoje uma inovação do cidadão no Brasil.

Quais os rumos da Cultura nesse atual cenário de golpe?

O processo do golpe está sendo pedagógico em relação às nossas últimas quimeras, tudo que a gente pensava e idealizada em relação às esquerdas. Estamos vendo a insuficiência de um monte de grupos fragmentados não articulados, e aprendendo muito com isso. Primeiro com uma certa derrota parcial, mas que ao mesmo tempo abre um novo caminho.

 

Foto: Rebeca Belchior – CUCA da UNE

Pular para o Conteúdo Pular para o Topo