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Ofensas racistas são reação à política de inclusão, diz professor da Unesp

29/07/2015 às 18:01, por Da Redação. Foto: Cristiano Zanardi/Folhapress.

Juarez de Paula Xavier também foi alvo de pichações preconceituosas feitas na universidade

Na última segunda-feira (27/7), estudantes da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), campus de Sorocaba encontraram pichações de cunho racista no banheiro da universidade. As ofensas também foram dirigidas ao professor de jornalismo especializado Juarez de Paula Xavier, que comentou o fato em entrevista à Agência Brasil.

“A avaliação que faço é que pode ter sido uma reação aos esforços que estamos fazendo para multiplicar a presença de outros grupos [negros, mulheres e homossexuais] na universidade”, disse Xavier. Nos últimos dois anos, segundo ele, a universidade investiu na criação de coletivos femininos, negros e homoafetivos, além de adotar o programa de cotas sociais e raciais.

O diretor de combate ao racismo da UNE, Rodger Richer, concorda com a fala do professor. ‘’As universidades brasileiras através das políticas afirmativas e de expansão contaram com a ampliação da presença de negros e negras no ensino superior. O racismo, infelizmente, ainda persiste. É lamentável ver esse tipo de manifestação expressa no banheiro de uma instituição de ensino. É dever do Estado punir esses crimes e acabar com todas as formas em que o racismo se manifesta’’, afirmou.

A comissão que vai apurar o caso iniciará seus trabalhos na próxima quinta-feira (30/7) e será formada por dois professores e um servidor administrativo que vão buscar informações como nomes, datas e horários que possam levar aos autores das pichações. Os responsáveis, caso sejam identificados, poderão receber advertência verbal ou até ser expulsos da universidade.

De acordo com o professor, um dos membros da comissão já levantou a possibilidade de fazer exames grafológicos para ajudar na identificação dos pichadores. “Não sei se vamos avançar nessa direção, temo que isso possa ser uma ação invasiva. Nós contamos com a possibilidade de que o aluno se apresente ou que alguém envolvido possa dar alguma informação. Estou muito preocupado, tem que ter essa ação de caráter mais punitivo, foi cometido um crime”, declarou.

Em nota, a universidade afirmou que “repudia as pichações racistas, considerando-as um ato contra o estado democrático de direito, a população afrodescendente e a política de inclusão adotada pela Unesp”.

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